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Um sonho de infância e um futuro incerto: Sam Bird reflete sobre sua passagem pela McLaren
Para Sam Bird, um dos pilotos mais reconhecidos da Fórmula E, a passagem de duas temporadas pela NEOM McLaren foi mais do que apenas um contrato: foi a realização de um sonho de infância. Agora, com a saída da equipe da categoria, o veterano britânico reflete sobre o significado de vestir as cores da icônica equipe de Woking e pondera sobre o que o futuro lhe reserva.
Como um dos pilotos mais vitoriosos e experientes da história da Fórmula E, a carreira de Bird já estava consolidada. No entanto, a oportunidade de correr pela McLaren teve um peso pessoal imensurável. “Como um garoto de Surrey, nascido e criado, a McLaren era a equipe da casa”, ele aponta. “Eles estavam literalmente a poucos quilômetros de onde eu morava. Foi a realização de um sonho finalmente vestir estas cores, ter este nome na minha camisa, e eu as vesti com orgulho.”
Além de realizar um sonho pessoal, Bird também assumiu um papel de mentor dentro da garagem. Com a chegada do jovem Taylor Barnard como seu companheiro de equipe, o veterano de 38 anos guiou o novato, que rapidamente se tornou uma das maiores surpresas da temporada. Bird não poupa elogios: “Taylor Barnard foi uma revelação. Aos meus olhos, ele foi o novato mais impressionante da curta história da Fórmula E. A velocidade pura dele é soberba, e ele se provou um piloto corajoso e aguerrido.”
O momento mais emblemático de sua passagem pela equipe veio no Brasil, durante a 10ª temporada. Em uma corrida dramática em São Paulo, Bird conquistou a primeira vitória da McLaren em uma categoria totalmente elétrica, ultrapassando Mitch Evans na última volta. “Foi fenomenal”, relembra ele. “Acho que, na hora, você não percebe o quão grande foi aquele momento. Foi algo que a equipe ansiava, e estou muito orgulhoso de ter conseguido entregar isso para eles.”
Apesar da vitória histórica, Bird reflete com um misto de felicidade e um toque de melancolia, sentindo que a equipe merecia mais. “Estou feliz, mas também triste por não termos entregado mais, porque esta equipe merecia muito mais do que apenas uma vitória.”
Sua passagem pela McLaren é apenas o capítulo mais recente de uma das carreiras mais longas e bem-sucedidas da categoria. Antes, Bird se tornou uma lenda na Virgin/Envision, onde conquistou a maioria de suas 12 vitórias, e teve uma passagem competitiva pela Jaguar. Ele é um dos poucos pilotos que venceram em quase todas as temporadas da Fórmula E.
Com a saída da NEOM McLaren da Fórmula E, o futuro de Bird na categoria se torna incerto. No entanto, ele não está pronto para fechar a porta. “Bem, espero não ter terminado ainda”, diz ele com um tom de quem ainda tem lenha para queimar. “A Fórmula E me deu uma carreira quando eu pensei que minha carreira tinha acabado, muitos anos atrás. Eu amei fazer parte disso.”
Seja este um adeus ou apenas uma pausa, Sam Bird deixa uma marca indelével não só na McLaren, mas em toda a Fórmula E. “Foi uma jornada onde fiz amigos, ri, chorei, tive momentos desafiadores e eufóricos”, reflete ele. A vitória em São Paulo permanece como um destaque, uma memória que, segundo ele, “resistirá ao teste do tempo”. Independentemente do que o futuro reserva, a imagem de Sam Bird, o “garoto de Surrey”, vestindo com orgulho as cores da McLaren, ficará para sempre na história da categoria.
