WEC
Toyota inicia preparação para decisão do WEC em Monza sob chuva
Com o título de construtores já assegurado, Toyota chega às 6 Horas de Monza com Buemi, Hartley e Hirakawa na liderança da disputa entre pilotos. Condições instáveis marcaram os primeiros treinos da etapa final de 2026.
O campeonato de construtores já está garantido pela fabricante japonesa. A confirmação aconteceu no mês passado, quando a Toyota conquistou uma dobradinha em Barcelona. Agora, a disputa interna entre suas duas formações concentra a atenção na última corrida do calendário, marcada para domingo (8), na Itália.
Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Ryō Hirakawa chegam à decisão na liderança da classificação. O trio possui 17 pontos de vantagem sobre os companheiros de equipe e depende de um resultado entre os cinco primeiros para assegurar o campeonato sem precisar considerar outros resultados.
Do outro lado da garagem, Mike Conway, Kamui Kobayashi e Nyck de Vries ainda possuem chances matemáticas de conquistar a coroa. Entretanto, a tripulação do TR010 HYBRID #7 precisa terminar entre os dois primeiros colocados e contar com uma combinação desfavorável para seus adversários diretos.
Chuva e bandeiras vermelhas marcam os primeiros treinos
A programação de sexta-feira começou com chuva persistente e temperaturas próximas de 10°C. Nesse cenário, a Toyota concentrou parte do trabalho na avaliação dos ajustes mecânicos e aerodinâmicos dos dois protótipos.
O primeiro treino livre também teve três interrupções por bandeira vermelha, o que afetou o andamento da atividade. Ryō Hirakawa registrou a melhor volta do carro #8, que terminou a sessão na 11ª posição. Kamui Kobayashi estabeleceu a referência do #7, classificado em 14º.
A participação de Hirakawa em Monza acontece depois de sua estreia na Fórmula 1, no Grande Prêmio do México, onde conseguiu marcar pontos. De volta ao programa de endurance da Toyota, o japonês passou a trabalhar na preparação para a decisão do campeonato mundial.
Entre as duas atividades, os engenheiros analisaram os dados coletados no primeiro treino para ajustar os carros às características do circuito italiano. Monza é conhecida como Templo da Velocidade, principalmente por suas longas retas e pelas elevadas velocidades alcançadas pelos protótipos.
Entretanto, o traçado também exige atenção em outros setores. As chicanes mais lentas submetem os sistemas de freios e a suspensão a esforços importantes, exigindo um equilíbrio entre o desempenho nas retas e o comportamento nas mudanças de direção.
Segundo treino permite avaliação com pneus slick
A chuva voltou a acompanhar parte da programação da tarde, mas deixou de cair no início do segundo treino livre. Com a melhora gradual do asfalto, as equipes conseguiram ampliar o trabalho de preparação em condições diferentes das encontradas pela manhã.
A atividade transcorreu sem interrupções ou incidentes que comprometessem o andamento da sessão. Nos 15 minutos finais, a Toyota conseguiu utilizar pneus slick, aproveitando a redução da água na pista para avaliar o comportamento dos TR010 HYBRID.
Ryō Hirakawa novamente estabeleceu a melhor volta do carro #8. O protótipo encerrou o segundo treino na 12ª posição, enquanto o #7 terminou em 17º.
Mike Conway também conseguiu registrar sua melhor marca do dia nos minutos finais, quando o circuito apresentava condições mais favoráveis. A atividade teve importância adicional para o britânico, que participa em Monza de sua última etapa no WEC antes de se aposentar.
A Toyota, portanto, encerrou a sexta-feira com posições distantes das primeiras colocações, mas ainda com uma sessão de treinos livres disponível antes das atividades classificatórias. A equipe pretende aproveitar esse período para avançar nos ajustes e compreender melhor o comportamento dos carros.
Kobayashi reconhece dificuldades de desempenho
Chefe de equipe e piloto do carro #7, Kamui Kobayashi avaliou que as condições encontradas em Monza dificultaram o trabalho da Toyota. O japonês também reconheceu que a equipe precisa encontrar mais velocidade para melhorar sua posição antes da corrida.
“As condições estavam difíceis para nós e parece que nos faltou um pouco de ritmo. Portanto, é um começo decepcionante, mas ainda temos mais um treino livre pela manhã e faremos o nosso melhor para melhorar o desempenho.”
Mike Conway também destacou as dificuldades enfrentadas durante a sexta-feira. O britânico ressaltou o retorno ao circuito italiano depois de alguns anos, mas explicou que as mudanças nas condições da pista limitaram o trabalho da equipe.
“É bom estar de volta a esta pista depois de alguns anos. É um lugar bacana. Mas foi um dia complicado, com condições mistas. Acho que ainda estamos tendo dificuldades em algumas situações. Vamos tentar trabalhar no que pudermos e tentar ser mais rápidos amanhã.”
Nyck de Vries, por sua vez, apontou que a quantidade de água no primeiro treino livre impediu uma avaliação mais completa do desempenho em condições secas. Como a expectativa é de uma corrida sem chuva, o piloto considerou importante ter mais referências antes da prova.
“Obviamente, as condições estavam desafiadoras, especialmente no primeiro treino livre. É uma pena que não tenhamos conseguido dar voltas completas no seco. Esperamos que a corrida seja no seco, então teria sido bom ter uma ideia melhor de como estamos antes da corrida.”
Buemi e Hartley apontam trabalho pela frente no carro #8
Na formação que lidera a disputa pelo título de pilotos, Sébastien Buemi também comentou as dificuldades encontradas durante as atividades. O suíço destacou as mudanças realizadas no circuito desde a última participação da categoria no local, em 2023.
Além das alterações no asfalto, o piloto mencionou as novas zebras como elementos que fazem parte das diferenças encontradas pela equipe nesta edição. Buemi também explicou que o desempenho com pneus de chuva ainda exige mais experiência por parte da Toyota.
“É bom estar de volta a Monza. Mudou muito desde a última vez que corremos aqui em 2023, com novo asfalto e novas zebras. Sofremos um pouco na chuva hoje, mas é um bom aprendizado, pois ainda não temos muita experiência com esses pneus de chuva. Vamos ver o que podemos fazer amanhã.”
Brendon Hartley também avaliou que a equipe precisa avançar na preparação para uma possível corrida em pista seca. Segundo o neozelandês, alguns adversários chegaram a Monza com referências de testes realizados anteriormente no circuito, o que pode representar uma vantagem neste momento.
“Foi um dia de testes sem problemas, mas não diria que estamos totalmente preparados para uma corrida em pista seca. Alguns dos nossos concorrentes testaram aqui e parecem estar um passo à frente. Estamos um pouco abaixo do nosso ritmo, então espero que possamos fazer alguns testes em pista seca amanhã, antes da corrida, para trabalhar nisso.”
Ryō Hirakawa, responsável pelas melhores voltas do carro #8 nas duas sessões, também identificou uma evolução após os ajustes realizados entre os treinos. O japonês afirmou que o segundo período proporcionou uma sensação melhor ao volante, embora tenha reconhecido a velocidade dos concorrentes.
“Foi complicado, especialmente na primeira sessão, quando havia muita água na pista. Otimizamos o carro para o TL2, o que nos deu um ritmo um pouco melhor e uma sensação melhor ao volante. Estou feliz com o trabalho que fizemos. Conseguimos um bom momento, mas os carros da frente são bem rápidos. Vamos nos concentrar no que podemos fazer para a classificação amanhã.”
Toyota terá última sessão antes da classificação
O sábado (7) começa com o terceiro e último treino livre das 6 Horas de Monza. A previsão apresentada pela equipe indica uma probabilidade menor de chuva durante o dia, o que poderá permitir novas avaliações em pista seca.
Depois da atividade, os competidores disputam a classificação e a Hyperpole da categoria Hypercar, ambas programadas para as 15h. A Toyota terá essas sessões para buscar posições mais competitivas no grid antes da decisão do campeonato.
Para domingo, a expectativa também é de pista seca. A largada das 6 Horas de Monza está marcada para as 11h, no horário CET.
A prova definirá o campeão mundial de pilotos entre as duas formações da Toyota. Buemi, Hartley e Hirakawa possuem a vantagem de 17 pontos e precisam terminar entre os cinco primeiros para garantir o título. Já Conway, Kobayashi e De Vries dependem de uma vitória ou de um segundo lugar, além de um resultado desfavorável dos companheiros.
Com o campeonato de construtores já conquistado em Barcelona, a fabricante japonesa chega à última etapa com a possibilidade de encerrar 2026 com os dois títulos mundiais. Antes disso, precisará encontrar o ritmo que ainda não apareceu de maneira consistente nos treinos realizados sob condições climáticas instáveis em Monza.
