Fórmula E
“Tirou um peso dos meus ombros”: Felipe Drugovich volta às pistas com a Andretti na Fórmula E
Após quase três anos longe de um assento titular, Felipe Drugovich anunciou seu retorno às pistas. Campeão da Fórmula 2 em 2022 e piloto reserva da Aston Martin na Fórmula 1 desde então, o brasileiro de 25 anos foi anunciado oficialmente pela Andretti Global como reforço para a 12ª temporada da Fórmula E, marcando, assim, uma virada importante em sua carreira.
O movimento encerra um período de espera e incertezas, no qual, apesar do título dominante na F2, Drugovich viu o mercado da F1 permanecer praticamente congelado. De fato, entre 2022 e 2024 houve apenas uma ou duas mudanças no grid, número insuficiente para abrir espaço ao paranaense. Sem alternativas imediatas, ele encontrou na Fórmula E não apenas uma oportunidade, mas também um projeto de longo prazo para sua carreira.
“É um alívio enorme. É algo que tirou um peso dos meus ombros”, desabafou. “Eu estava realmente com saudades de correr. Até mentalmente era algo que eu precisava. Agora, ter um objetivo claro novamente faz todo o trabalho valer a pena.”
De reserva a protagonista
O primeiro contato de Drugovich com a Andretti aconteceu logo após a conquista da F2. “Tivemos algumas conversas em 2023, mas senti que ainda não era o momento. Eu tinha acabado de sair da Fórmula 2”, contou.
Posteriormente, a reaproximação com a equipe americana aconteceu após sua participação na rodada dupla de Berlim de 2025, onde substituiu o piloto holandês Nyck de Vries, pela Mahindra. Mesmo sem grande experiência prévia com os carros elétricos, o brasileiro conquistou pontos em sua segunda corrida, o que, portanto, firmou sua escolha pela categoria. “Aquela corrida em Berlim me fez puxar o gatilho. Eu pensei: ‘ok, é isso que eu quero fazer’. Gostei muito da experiência e percebi que era a hora de apostar na Fórmula E.”
Além disso, Drugovich destacou a importância de voltar a ter um ambiente completo de piloto titular: “Meu próprio engenheiro, meu carro, meus mecânicos. Isso é algo que eu sentia muita falta nas corridas de endurance e mesmo como reserva na F1.”
Estreia em casa
O calendário da categoria promete uma estreia emocionante para o brasileiro, já que a primeira etapa da temporada será no E-Prix de São Paulo, em 6 de dezembro, no circuito montado no Anhembi. Curiosamente, será a primeira vez que Drugovich tem uma corrida oficial no Brasil desde a sua participação nas 500 Milhas de Kart da Granja Viana, onde ele e sua equipe se consagraram campeões em 2023.
“É algo que me deixa muito feliz. Vou estar extremamente contente durante todo o fim de semana. Sempre almejei isso”, disse, ansioso para sentir o apoio da torcida brasileira. “No ano passado o autódromo estava cheio e sei que o público vai dar aquele calor. Sempre tive um apoio gigantesco dos brasileiros.”
Com o acerto, ele se junta a uma linhagem de compatriotas que ajudaram a consolidar o nome do Brasil na Fórmula E, como Nelson Piquet Jr. e Lucas di Grassi, ambos campeões da categoria.
Parceria com Jake Dennis e a “maldição” do segundo piloto da Andretti
Na Andretti, Drugovich vai dividir a garagem com Jake Dennis, campeão da 9ª temporada e um dos nomes mais consistentes do grid. Nos últimos anos, entretanto, a equipe enfrentou dificuldades em equilibrar o desempenho de seus dois pilotos, levando à especulação de uma “maldição” do segundo carro.
O brasileiro, porém, não se intimida: “Meu trabalho é tirar isso da cabeça das pessoas”, afirmou. Para ele, a relação com Dennis já começou bem. “Nós moramos perto um do outro. Outro dia, fomos tomar um café e tivemos uma conversa muito construtiva. Ele é um cara que quer levar a equipe para frente.”
Apesar disso, Drugovich reforçou que a prioridade inicial nessa primeira temporada é adaptação e aprendizado. “Tenho que manter a mentalidade que tive em Berlim, um novo olhar para as coisas, aprender o máximo possível e aceitar que erros no começo fazem parte para evoluir.”
Adaptação e o trem de força Porsche
A Andretti é uma das equipes independentes mais fortes do grid, com 11 vitórias e 39 pódios, e utiliza o trem de força da Porsche. Para Drugovich, o desafio será se adaptar a um pacote técnico diferente dos que já experimentou em testes com Mahindra e Maserati.
“As principais diferenças estão nos sistemas do carro. Muda desde os botões no volante até a forma de configurar o carro. Por isso, preciso ter uma mente aberta para aprender rápido e extrair o máximo”, explicou.
Foco de longo prazo
Ao contrário de outros projetos, o paranaense deixou claro que enxerga a Fórmula E como destino definitivo. “Acho que é um plano de longo prazo para mim. Esse é o meu objetivo”, afirmou. O contrato inicial é de um ano, com opção de renovação, mas, ainda assim, ele já mira na próxima geração de carros da categoria.
Ele também ressaltou que, embora não descarte participações pontuais em outras competições, sua prioridade é absoluta: “O foco principal é a Fórmula E e não quero que nada tire esse foco. Só aceitaria outro programa se fosse saudável e não tivesse influência negativa no meu campeonato.”
Um novo começo
Felipe Drugovich dá início a um capítulo que promete ser central em sua trajetória no automobilismo. Depois de viver à sombra de uma vaga que nunca se abriu na F1, o brasileiro tem agora a chance de se consolidar como protagonista em um campeonato mundial cada vez mais valorizado.
“É algo que venho esperando há muito tempo. Agora, portanto, é hora de aproveitar a oportunidade e construir uma carreira longa e vitoriosa na Fórmula E”, concluiu.
Os primeiros testes oficiais com a equipe estão marcados para os dias 27 a 30 de outubro, em Valência, na Espanha, quando o brasileiro terá seu primeiro contato com o equipamento da Andretti.
A 12ª temporada tem início em 6 de dezembro, com o E-Prix de São Paulo. Os ingressos já estão à venda e podem ser adquiridos através do site da Fever.
