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Porsche 919 Evo: O que acontece quando se constrói um carro sem regras?

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Foto: Tim Upietz/Porsche

Com a iminente saída da Porsche do World Endurance Championship ao final da temporada de 2025, visto que o Grupo Volkswagen sofreu uma perda significativa operando o programa na categoria, no International Motor Sports Association (IMSA) e uma significativa perda do mercado de carros elétricos na China. Diversas oportunidades se abriram tanto para o mercado de pilotos quanto para as equipes, já que a Proton, equipe cliente no WEC, indicou que não vai ser capaz de operar dois carros em 2026, assim inviabilizando a participação da montadora mais consagrada em Le Mans na corrida que a mesma detém 19 vitórias.

Essa saída repentina não é nova, já que a montadora de Stuttgart também saiu da categoria de forma menos surpreendente ao final da temporada de 2017, quando os custos do programa de LMP1 com o vitorioso Porsche 919 Hybrid ficaram muito altos para o Grupo VW, que já tinha retirado outra montadora ao final de 2016, a Audi, citando os mesmos motivos de custos altos.

Essa saída já era um pouco esperada, já que, no final dos anos 2000 e início dos anos 2010, o Grupo se envolveu num grande escândalo: o Dieselgate.

Basicamente, carros de rua do Grupo VW movidos a diesel burlavam os testes de emissão de poluentes e, após a descoberta que o Grupo cometeu estas fraudes nos testes, o valor na bolsa de valores caiu vertiginosamente, vários recalls foram feitos, e o Grupo VW ficou com uma mancha enorme.

Assim, o Grupo necessitou fazer ações para melhorar sua imagem no cenário mundial, como a saída do World Rally Championship (WRC), a criação de carros híbridos com tecnologia utilizada pela Audi em Le Mans, e carros elétricos, utilizando tecnologia desenvolvida a partir da entrada em uma nova categoria: a Fórmula E.

O Grupo entrou logo na primeira temporada com a equipe Abt, começando a desenvolver seu próprio powertrain na segunda temporada, gerando tecnologia aplicada para carros de rua e, futuramente, no Volkswagen ID.R, um protótipo para hillclimb que quebrou diversos recordes ao decorrer dos anos.

Voltando a saída da Porsche em do WEC, ambas as saídas tanto em 2017 quanto em 2025 se devem à continuidade da montadora na Fórmula E, que seria mais efetiva no lado comercial e financeiro. A principal diferença da saída de antes para a saída de agora é, já que a Porsche tem uma parceria com a Penske, eles vão continuar com o programa do 963 no IMSA em 2026. Em 2017, não existia essa possibilidade, já que as categorias possuíam regulamentos diferentes, logo, o programa chegaria ao fim. Porém, ele não ficaria dormente por muito tempo.

No dia 11 de Abril de 2018, a Porsche anunciou que iria dar uma vida nova ao seu LMP1, criando o 919 Evo. Essa evolução do 919 Hybrid não seria destinada a competição, mas sim ao time attack, não necessitando seguir as regras da categoria impostas pela FIA e ACO.

As principais mudanças do projeto seriam uma redução significativa de peso com a retirada dos sistemas de ar condicionado, limpadores de para-brisa, redução do tamanho dos faróis, e outros sistemas elétricos, reduzindo-se assim o peso de 875 kg para 849 kg.

Também houve a retirada do limite de fluxo de combustível para o motor, aumentando a potência da unidade de combustão, o aumento da capacidade de recuperação de energia da bateria e a potência total da mesma.

Em questões aerodinâmicas o carro ficou 66% mais eficiente, gerando 53% a mais de downforce, com uma asa traseira nova, novo difusor dianteiro, um sistema de redução de arrasto ativo similar ao que os super modifieds usam nas pistas curtas estadunidenses, e a introdução de saias aerodinâmicas fixas para aumentar a efetividade do efeito solo.

O novo projeto foi posto a prova foi em Spa-Francorchamps, com Neel Jani (piloto da Proton no WEC e IMSA atualmente) fazendo uma volta de 1 minuto e 41.77 segundos, quebrando o recorde da pista, que na época era detido por Lewis Hamilton, detentor pole no GP da Bélgica de 2017, completando os 7001 metros do circuito dos ardennes em 1 minuto e 42.553 segundos.

Posteriormente, a Porsche anunciou a 919 Tribute Tour, com exibições do seu 919 em Goodwood, Laguna Seca e Nurburgring Nordschleife, onde eles já esperavam quebrar o recorde detido por Stefan Bellof.

As aparições da maravilha da engenharia em Goodwood e Laguna Seca foram sem muito brilho, só com runs de demonstração para o público, já nas 24 horas de Nurburgring era esperado que o carro, agora pilotado por Timo Bernhard, fizesse o mesmo que em Spa: obliterar o recorde da volta do Inferno Verde.

Bernhard, usando um capacete homenageando Bellof, fez uma volta avassaladora, completando-a em 5 minutos e 19.546 segundos, praticamente um minuto mais rápido que a volta de Bellof.

Foi a última vez que o 919 Evo foi utilizado em pista, marcando assim o fim de sua curta vida útil. A parte boa disso tudo é que o carro está em exposição permanente no museu da Porsche em Stuttgart, então, caso esteja na Alemanha e tenha oportunidade, é bom dar uma visita ao museu da Porsche para vê-lo de perto.

A segunda saída em menos de 10 anos da Porsche da principal categoria de endurance atual é preocupante, ainda mais no cenário atual de um Balance of Performance desfavorável, deixando um gosto muito amargo na boca dos fãs da marca e do automobilismo em geral. Mas, dessa vez, eles tem uma categoria alternativa para manter o projeto vivo, não irão só descartá-lo como em 2017. Entretanto, seria interessante saber o que um 963 irrestrito pode fazer, assim como fizeram com o 919.

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