Fórmula 1
Perdidos na Noite #02: Um ótimo início
Acabou a espera. Depois de meses de férias, a Fórmula 1 desembarca na Austrália para a primeira corrida da temporada. Os treinos livres e o qualy mostraram tendências que carecem de confirmação, mas uma coisa parece ser certa: estamos diante de um quadro equilibrado como foi em 2024.
A McLaren surge como equipe a ser batida. Andou rápidos nos testes de pré-temporada e comprovou isso no treino classificatório. Um carro veloz, equilibrado e que tem tudo para ser o melhor do grid durante o ano inteiro. Lando Norris cravou a pole position, seguido de perto pelo companheiro Oscar Piastri – que corre em casa e pode dar uma alegria inédita aos australianos, já que nenhum compatriota venceu o Grande Prêmio da Austrália em toda a história.
Depois do time papaia, vem a Red Bull. Aliás, a RBR de Max Verstappen, já que Liam Lawson amargou a eliminação no Q1 e viu o tetracampeão carregar sozinho os taurinos novamente. O RB21 é uma máquina veloz e com potencial, mas indomável. Não foram poucas as vezes que ambos corrigiram a traseira para não escaparem da pista. Verstappen poderia ter cravado a pole, mas errou no primeiro e no terceiro setor em sua última tentativa. De qualquer modo, o gap não é coisa de outro mundo e ele pode tirar no braço. A conferir.
Até agora não se sabe quem vem depois. A Mercedes parece ter feito um bom carro, mas não demonstrou força suficiente para ameaçar McLaren e Verstappen – com direito ao estreante Kimi Antonelli ficando no Q1. A Ferrari colocou seus dois pilotos no Q3, o que não algo para comemorar com tamanha diferença para Norris – falam em acerto para chuva e isso explicaria o resultado nada animador. Lewis Hamilton ainda está tentando se adaptar o mais rápido possível à nova casa, mas Charles Leclerc mostrou que não dará moleza ao heptacampeão.
Pois bem, o que dizer de Yuki Tsunoda? Relegado pelo grupo Red Bull, nunca cogitado pelo time principal e com perspectivas nada animadoras na F1, o japonês fez uma ótima classificação e cravou o quinto tempo. Colocou-se como intruso no meio das grandes equipes, pois a Racing Bulls não tem estofo para estar ali. É um piloto rápido e que aprendeu a ser consistente nesses quatro anos na categoria, merecia uma chance melhor que ficar condenado ao time B da RBR. Uma pena.
Ainda é cedo para cravar alguma coisa, mas não deixa de ser interessante ver a Williams colocar seus dois pilotos no Q3. Quem ama a F1 certamente ficou feliz em ver o time britânico ali, no meio dos gigantes, pois esse é o seu lugar. A gigante Williams de sete títulos mundiais de pilotos e nove de construtores passou anos nas últimas posições e parecia estar condenada ao eterno marasmo. Carlos Sainz e Alexander Albon estão aí para provar que a equipe acertou a mão no carro e está no caminho certo para voltar aos dias de glória no futuro.
Passamos a Gabriel Bortoleto. Depois de anos sem um piloto brasileiro, os amantes tupiniquins do esporte a motor puderam ter novamente a sensação de torcer para um dos seus. Ainda que guiando por uma equipe do fundo do pelotão como a Sauber, Bortoleto fez muito em conseguir passar para o Q2 e superar o companheiro Nico Hülkenberg. Errou em sua última tentativa de passar para o Q3, mas o dia em Melbourne foi excelente. Superar Liam Lawson e Kimi Antonelli, ambos das poderosíssimas RBR e Mercedes, já valeu demais.
A imprensa brasileira tratou de recordar a fala de Helmut Marko sobre Bortoleto e fato do brasileiro superar um dos seus pilotos como uma espécie de vendetta particular. Quem se deu o trabalho de pesquisar o que disse o consultor da Red Bull sabe que ele não falou nada demais e até elogiou Bortoleto. A classificação como piloto B pelo fato do austríaco não ver velocidade natural absurda no nosso compatriota não demérito algum: Alain Prost e Nelson Piquet ganharam títulos por terem apuradas as qualidades destacadas pelo Dr. Helmut.
Enxergar nisso um desrespeito é forçar a barra. Mas, convenhamos, não há nada de novo debaixo do sol. O pachequismo dessa turma vem de outros carnavais.
No mais, a F1 2025 promete e promete muito. A julgar pelo que se viu no primeiro treino classificatório, teremos uma temporada muito disputada.

Foto: McLaren
