Fórmula 1
Perdidos na Noite #01: Interlagos nunca decepciona
Sentiram a minha falta, guys? Pergunta boba, pois a resposta não me interessa muito – não sou carrancudo, apenas sincero. De qualquer forma, estou retomando os meus textos sobre a categoria mais popular do automobilismo mundial com uma nova coluna para contar o que acontece na sexta e – principalmente – no sábado dos fins de semana na Fórmula 1. Como tenho lá as minhas limitações de horário, ela vai ao ar pela noite, daí o nome.
Pois bem, estamos em Interlagos, na nossa casa. O Grande Prêmio do Brasil – nada contra os paulistas, sou purista demais para chamar a corrida por um nome fruto de uma briga política entre duas crianças mimadas – é a etapa mais esperada por nós, brasileiros que amamos esse esporte ímpar. Os pouco mais de quatro quilômetros representam um desafio incrível para os pilotos: pista raiz, técnica e com boas possibilidades de ultrapassagens. Em suma, é um evento incomparável.
Evento realizado no ano em que lá se vão três décadas da morte de Ayrton Senna. Desnecessário pontuar a sua representatividade e o carinho dos fãs, pois ele continua sendo o melhor de todos os tempos para muita gente. Concordando ou não, tenho que constatar isso. Algumas homenagens recordam o tricampeão, com destaque para o capacete gigante idealizado por Sebastian Vettel e a volta no MP4/5B que será dada por Lewis Hamilton em Interlagos – ela aconteceria hoje, mas foi adiada para o domingo pela chuva que caiu no circuito.
Falando de corrida em si, tivemos a Sprint Race logo pela manhã. Largada tranquila, a dupla da McLaren manteve a dianteira e viu Charles Leclerc manter a terceira posição após uma investida fracassada de Max Verstappen – o tricampeão travou o pneu dianteiro esquerdo e tirou o pé para aliviar o prejuízo. A tônica das primeiras voltas foi a de uma McLaren muito forte com um surpreendente crescimento da Red Bull que possibilitou a Verstappen seguir de perto o monegasco da Ferrari. Uma ou outra tentativa de ultrapassagem ali, mas nada de inversão nas posições. Leclerc se defendeu muito bem.
Com o desenrolar da Sprint, a grande dúvida vinha da McLaren: quando a equipe iria estabelecer a inversão de posições entre Oscar Piastri e Lando Norris? Piastri corre apenas por si, não tem mais grandes ambições. Norris tem uma chance pequena, mas ainda vívida de ser campeão. Falem o que quiserem sobre ética esportiva, predileção pela disputa na pista ou qualquer coisa do tipo, mas quando um campeonato está jogo tudo isso é mero detalhe. Poucos pontos estavam em disputa, mas o time papaia tem alguma chance com seu melhor piloto – ou alguém acha Piastri melhor no presente momento?
Pois a McLaren estendeu até onde foi possível a mudança. Correu um risco desnecessário com a aproximação de Leclerc em Norris, mais ainda após Verstappen perder a paciência e ultrapassar o ferrarista numa manobra incrível. Teríamos uma disputa entre os dois postulantes ao título com a ilustre figuração de um jovem australiano, certo?
Errado. A direção de prova entendeu por bem não colocar um Safety Car após a quebra de Nico Hülkenberg e deixou a corrida seguir com apenas uma bandeira amarela no segundo setor – o local onde jazia a Haas do alemão. Bastou a McLaren realizar a troca de posições entre os seus pilotos e Verstappen ameaçar a segunda posição de Piastri que magicamente um VSC foi determinado. Não posso, como bom jornalista, afirmar algo sem ter provas – isso eu deixo para os torcedores de crachá. Mas que o timing foi horroroso e deu margem para interpretações bem elásticas, bom, disso eu não posso duvidar.
A vitória de Norris não muda muito a sua situação no campeonato. Ele ainda tem uma montanha para escalar e Verstappen é o favorito ao tetra. Sonhar não custa nada e a McLaren tem o melhor carro da F1, mas nada indica que o holandês fará corridas ruins a ponto de perder o título. Porém, nada está resolvido até a bandeirada final em Abu Dhabi.
O treino classificatório aconteceria hoje, mas a chuva atrapalhou tudo. Fica para amanhã. Não se sabe o que irá acontecer, qual acerto as equipes irão utilizar e quem irá vencer. Interlagos é imprevisível e sempre garante boas corridas. Eis um circuito que nunca decepciona os amantes do esporte a motor.

Foto: Red Bull Content Pool
