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24h de Le Mans

O império de Maranello nas 24 horas de Le Mans: a trajetória histórica da Ferrari no circuito de La Sarthe

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Ferrari
Foto: Ferrari

Com doze vitórias gerais e um domínio recente na era dos hypercars, a fabricante italiana consolida sua lenda no automobilismo mundial de resistência.

A história da equipe Ferrari nas pistas francesas recebeu novos capítulos importantes recentemente. Em 4 de junho de 2026, a marca italiana celebrou sua consolidada trajetória no esporte de endurance.

As 24 Horas de Le Mans representam o evento de resistência mais cobiçado do automobilismo mundial. O famoso circuito de La Sarthe possui 13,626 quilômetros de extensão e conta com 38 curvas.

Dessa forma, a pista francesa serve de palco para os carros de Maranello testarem seus limites. Ao todo, a fabricante italiana soma doze vitórias gerais e 29 triunfos em classes distintas.

A lendária estreia em 1949

O início dessa trajetória vitoriosa ocorreu no ano de 1949, com a estreia do modelo 166 MM. A prova marcou a retomada da competição após uma pausa de dez anos decorrente da Segunda Guerra Mundial.

Contudo, o fundador Enzo Ferrari preferiu não inscrever uma equipe oficial de fábrica na corrida. Coube ao piloto italiano e amigo próximo de Enzo, Luigi Chinetti, competir com o apoio de Lord Selsdon.

O modelo 166 MM era equipado com motor V12 e considerado azarão frente aos concorrentes mais potentes. Luigi Chinetti pilotou por mais de 23 horas seguidas para garantir a primeira vitória absoluta da marca.

O domínio nas classes de turismo

Com o passar dos anos, a Ferrari obteve destaque constante com veículos derivados de produção. Desde a criação do Campeonato Mundial de Endurance da FIA, em 2012, foram oito vitórias de classe.

Além disso, os competidores Alessandro Pier Guidi e James Calado venceram duas vezes na divisão LMGTE Pro. Ambos triunfaram com o modelo Ferrari 488 GTE número 51 em exibições de consistência técnica.

O piloto brasileiro Daniel Serra integrou essa equipe vencedora durante a corrida no ano de 2019. Enquanto isso, o francês Côme Ledogar participou da tripulação na conquista obtida em 2021.

Engenharia e desenvolvimento do 499P

A Ferrari resolveu retornar à divisão principal de protótipos após cinquenta anos de ausência oficial. O veículo desenvolvido para essa nova era do automobilismo de endurance recebeu o nome de 499P.

O projeto, conhecido internamente sob o código F255, utiliza um chassi fabricado pela Dallara. O desenvolvimento aerodinâmico ocorreu em parceria estreita com o Centro de Estilo da Ferrari, liderado por Flavio Manzoni.

A pintura do hipercarro traz a cor vermelha com detalhes amarelos em homenagem ao protótipo 312 PB. A gestão do projeto ficou sob responsabilidade de Antonello Coletta e supervisão técnica de Ferdinando Cannizzo.

Especificações do motor híbrido

O hypercar possui um motor a combustão V6 de 3,0 litros com duas turbinas e 680 cavalos. Esse bloco atua diretamente na estrutura do chassi para aumentar a rigidez torcional do conjunto.

Adicionalmente, um motor elétrico posicionado no eixo dianteiro fornece uma potência de 272 cavalos. O sistema elétrico opera com uma bateria de 800 volts criada a partir da experiência na Fórmula 1.

Portanto, o protótipo possui tração nas quatro rodas e pesa o mínimo exigido de 1.030 quilos. Essa sofisticada tecnologia híbrida de tração integral atua somente em velocidades acima de 190 quilômetros por hora.

Edição / Ano Modelo Tripulação vencedora Público pagante Notas do evento

1949

166 MM

Luigi Chinetti, Lord Selsdon

Não disponível

Retomada após a Segunda Guerra Mundial

2023

499P

Alessandro Pier Guidi, James Calado, Antonio Giovinazzi

325.000

Vitória na edição do centenário

2024

499P

Antonio Fuoco, Miguel Molina, Nicklas Nielsen

Não disponível

11º triunfo geral da fabricante

2025

499P

Yifei Ye, Robert Kubica, Phil Hanson

332.000

Vitória histórica com equipe cliente

O retorno oficial à categoria de elite no ano de 2023 surpreendeu o cenário automobilístico. A Ferrari obteve a vitória geral logo na sua primeira temporada de volta após cinquenta anos.

O carro de número 51 completou 342 voltas na liderança sob os olhares do público francês. Os pilotos Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi conduziram o veículo até a bandeirada.

O domínio sequencial nas pistas

Por outro lado, a edição de 16 de junho de 2024 consolidou ainda mais o projeto moderno. A escuderia conquistou seu 11º triunfo geral por meio da tripulação do carro número 50.

Os competidores Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen dividiram a pilotagem do veículo vencedor. A consistência mecânica e a estratégia eficiente garantiram mais uma taça histórica para Maranello.

No ano de 2025, um público recorde de 332.000 pessoas assistiu à terceira vitória seguida do 499P. O feito histórico marcou o aproveitamento total de três triunfos em três edições disputadas.

A vitória inédita da equipe cliente

A vitória em 2025 coube ao carro operado de forma privada pela equipe AF Corse. A tripulação contava com o piloto oficial Yifei Ye, Robert Kubica e Phil Hanson.

Dessa forma, os competidores Robert Kubica e Yifei Ye tornaram-se os primeiros vencedores de seus países. Eles representaram com sucesso a Polônia e a China no degrau mais alto do pódio.

Enquanto isso, a tripulação oficial do carro número 51 garantiu a terceira colocação na prova. O pódio múltiplo coloriu de vermelho a festa dos torcedores presentes na pista francesa.

Desqualificação técnica pós corrida

O desfecho do evento de endurance trouxe uma reviravolta técnica importante para as posições finais. O outro modelo oficial número 50 havia cruzado a linha de chegada na quarta colocação.

Contudo, os comissários desclassificaram o veículo pilotado por Fuoco, Molina e Nielsen após vistorias posteriores. Os fiscais identificaram uma infração técnica no regulamento que invalidou o resultado obtido. Esse contratempo não diminuiu o feito histórico da montadora de Maranello no asfalto europeu. A hegemonia obtida com o modelo 499P mantém vivo o legado vitorioso iniciado em 1949.

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