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W2RC

Moraes faz história e conquista o Mundial em final dramático no Marrocos; Schareina vence nas motos e KTM fecha era com título de construtores

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Moraes
Foto: Julien Delfosse / DPPI

Última prova da era atual do W2RC entrega definição de títulos até os segundos finais, coroa novos campeões em todas as classes e marca um momento histórico para o esporte brasileiro com o primeiro título mundial da FIA em rali cross-country.

A 26ª edição do Rallye du Maroc entrou para a história do rali cross-country mundial. E não apenas por encerrar oficialmente a era atual do W2RC, mas porque foi o palco de um dos desfechos mais dramáticos, imprevisíveis e simbólicos que o campeonato já viveu. Em pleno deserto marroquino, o Brasil conquistou um feito que nunca havia alcançado: Lucas Moraes, pilotando pela Toyota Gazoo Racing W2RC, destronou o multicampeão Nasser Al Attiyah e levou para casa o título do Campeonato Mundial de Rali-Raid da FIA 2025. E essa virada só aconteceu literalmente no último momento da última especial do ano, após uma penalização imposta ao catari. Moraes virou o jogo por 9 pontos, subiu ao pódio ao lado do companheiro de casa, Henk Lategan, e ainda ajudou a Toyota a faturar também o Mundial de Construtores.

Ao mesmo tempo, o rali marroquino marcou o retorno de Sébastien Loeb ao topo do pódio no W2RC. O francês, que já havia batido na trave duas vezes em 2025 (P2 na África do Sul e P3 em Portugal), finalmente venceu com o Dacia Sandriders e encerrou um jejum de três anos sem triunfo na categoria. A vitória de Loeb ainda coroou Édouard Boulanger campeão mundial entre os navegadores. O equilíbrio da prova reforçou a diversidade técnica do grid: cinco Toyotas, três Fords e dois Dacias no top 10, e cinco vencedores diferentes em seis especiais.

Nas classes de FIA Challenger e SSV, o Marrocos confirmou títulos que já estavam encaminhados. Nicolás Cavigliasso, guiando ao lado da esposa e navegadora Valentina Pertegarini, tornou-se campeão da Challenger e, juntos, entraram para a história como o primeiro casal campeão mundial na mesma temporada. Na SSV, Manuel Andújar venceu a etapa que deu à Argentina seu primeiro triunfo na classe, enquanto os portugueses Alexandre Pinto e Bernardo Oliveira já haviam assegurado os troféus de pilotos e navegadores, respectivamente.

Nas motos, o duelo final também teve roteiro de final de temporada. Daniel Sanders chegou ao Marrocos já campeão mundial da RallyGP e tentando o “Grand Slam” da temporada, mas Tosha Schareina reagiu, venceu três das seis especiais e levou a etapa. Apesar da derrota na prova, Sanders somou os pontos necessários para garantir à KTM seu primeiro título mundial de construtores da FIM, encerrando a hegemonia da Honda. No Rally2, Edgar Canet completou uma temporada perfeita: venceu todas as etapas que disputou e fechou o ano campeão e vencedor no Marrocos. Na Rally3, Noa Sainct venceu o rali, mas o título ficou com Thomas Zoldos, que levou o troféu da classe para a equipe Aub’Moto.

O Rallye du Maroc também viveu um momento de luto. Na 5ª etapa, o português Jorge Brandão sofreu um acidente fatal no quilômetro 214. A organização prestou condolências à família e aos amigos do piloto.

Agora, o W2RC vira a página e se prepara para 2026. A 5ª temporada voltará a ter cinco etapas, com o Dakar abrindo o calendário na Arábia Saudita entre 3 e 17 de janeiro. O Mundial se despede de sua era atual com novas histórias escritas – inclusive uma brasileira – e com a promessa de um ciclo ainda mais intenso pela frente.

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