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Fórmula 1

Leclerc na pole é indicativo de boa corrida em Monza

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Uma corrida em Monza nunca é um evento qualquer. Os fãs da Fórmula 1 sabem muito bem disso. O circuito fica na Itália, casa da Ferrari, a equipe mais tradicional da categoria e que carrega consigo uma verdadeira mística. O mais próximo de torcida na F1 é protagonizado pelos tifosi, os apaixonados pela escuderia criada pelo comendador Enzo.

Vencer em Monza é um imperativo moral para a Ferrari. A equipe pode estar na draga mais profunda possível, mas quando o calendário aponta a próxima corrida para a sua casa, a história é outra. O treino classificatório mostrou isso: Charles Leclerc conquistou a pole e largará na frente – resultado comemorado enfaticamente pela torcida italiana presente nas arquibancadas de Monza.

Deve-se ter em mente que Leclerc conquistou várias poles na temporada e não venceu nessas corridas. Seja por abandonos, acidentes ou erros de estratégia da equipe, a pole não foi sinônimo de vida fácil para o monegasco – longe disso. O F1-75 é um carro veloz e já nasceu bom, principalmente para os treinos. Pela tônica da atual temporada, não seria um resultado tão significativo e animador. Não seria, pois ele tem nuances merecedores de maiores comentários.

Max Verstappen sobrou nas últimas corridas. Na Hungria e na Bélgica, escalou o pelotão para vencer com muita tranquilidade. Na Holanda, cravou a pole, enfrentou alguns percalços e ainda assim triunfou. Tem em mãos um RB18 endiabrado.  Em suma, é o cara a ser batido – mesmo com o bicampeonato muito bem encaminhado.

Pois bem, o carro da Red Bull tem como ponto forte a velocidade final de reta. Por isso mesmo, anda muito bem em pistas de alta velocidade. Era de se esperar um passeio dos taurinos em Monza já no qualy. Não foi o que aconteceu. A Ferrari surpreendeu e demonstrou nos treinos livres um desempenho suficiente para fazer frene ao imparável RB18. As duas primeiras sessões foram lideradas por Charles Leclerc e Carlos Sainz, respectivamente.

Certo, treino é treino, jogo é jogo – já diria o outro. Mas ficou bastante clara a evolução da Ferrari nas retas. Se o time de Maranello almejava uma vitória em casa diante da sua fanática torcida, teria que mudar o acerto do carro para deixá-lo mais veloz de reta. Tanto é que toda aquela diferença esperada entre Red Bull e Ferrari nesses trechos não foi vista ou mesmo aconteceu o inverso – ponto fundamental para explicar a pole de Leclerc.

Além de mostrar uma Ferrari forte, o treino classificatório ficou marcado pelo calcanhar de Aquiles das equipes na atual temporada: a confiabilidade. Inúmeros pilotos tiveram a necessidade de trocar equipamentos – alguns como Lewis Hamilton e Carlos Sainz largam no final do grid pela abrangência das trocas. É algo que eu já discuti em artigo nesta mesma coluna.

É algo extremamente bizarro. Três ou quatro horas depois não havia a confirmação oficial do grid de largada. Foram tantas punições a tantos pilotos que a FIA se enrolou para divulgar o bendito grid. Não há como negar que o novo regulamento trouxe coisas boas para a categoria e proporcionou mais disputas por posição. Mas também expôs a insanidade dessas sanções pelas trocas nos equipamentos.

Para esta corrida, a Ferrari vem forte. Leclerc larga na pole, tem um carro muito bom e andou bem nesse circuito até agora. Sainz terá que escalar o pelotão se quiser brigar por coisas maiores, o que não é nada impossível dada as características de Monza. A probabilidade de um triunfo ferrarista é alta.

No caso da Red Bull, Verstappen larga em sétimo. Não é o fim do mundo para quem venceu duas corridas nessa temporada após sair fora dos dez primeiros. Monza é um circuito de alta velocidade cheio de retas permissivas nas ultrapassagens. A questão é saber se o ritmo de corrida será suficiente para alcançar Leclerc e bater de frente com uma Ferrari muito forte. Sérgio Perez larga em P13. Não terá como ajudar muito o companheiro. Então é sentar a bota no acelerador e se virar sozinho.

Não vejo outra equipe com condições de brigar pela vitória. Os triunfos surpreendentes de Pierre Gasly em 2020 (AlphaTauri) e Daniel Ricciardo em 2021 (McLaren) não me parecem suficientes para apostar no imponderável dessa vez. Mas quem garante que os deuses do automobilismo não reservam capítulos surpreendentes para essa corrida?

O que me parece certa é a expectativa de boa corrida. Monza sempre entrega bons espetáculos. Que não nos decepcione agora.

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