Fórmula 1
Felipe Massa busca retratação em julgamento contra FIA e Ecclestone por 2008
A primeira fase de audiências do julgamento do Felipe Massa contra a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e Bernie Ecclestone começou na última terça-feira, 28 de outubro, em Londres. Massa, que terminou na vice-colocação naquela temporada, diz que não quer mudar o resultado do campeonato, vencido por Lewis Hamilton, mas que deseja uma retratação e reconhecimento pelo título. A defesa de Ecclestone alega que “erros pessoais do piloto e da Ferrari [equipe do Massa na época] tiraram o título do brasileiro”.
Na primeira fase das audiências, as partes serão ouvidas em corte para decidir se o processo será levado adiante ou se o caso será arquivado. Caso haja julgamento, conforme a defesa de Felipe Massa, ele não quer que o título seja retirado de Lewis Hamilton. Ele quer uma retratação pública de todos os acusados (FIA, Formula One Management e Bernie Ecclestone), e uma indenização que ultrapassa os 80 mil dólares.
Por outro lado, a defesa dos acusados alega que é uma “tentativa equivocada” e que o piloto brasileiro pilotou mal no Grande Prêmio de Singapura, o que levou a perda da corrida e, posteriormente, do campeonato. A defesa dos réus também critica o atraso de dezessete anos para que Massa fosse ao tribunal, que é contra os prazos permitidos pelas leis inglesas e francesas (responsáveis pela disputa judicial).
“O fato é que ao longo do Grande Prêmio de Singapura e do restante do campeonato de 2008, Sr. Hamilton performou melhor que o Sr. Massa e todos os outros pilotos”, disse a advogada da FOM durante a audiência de escuta.
Os réus pedem que o julgamento seja resolvido em decisão sumária, quando o veredito é dado sem julgamento completo, ou em extinção do processo. Caso o processo avance, os advogados deverão apresentar mais provas e terão a oportunidade de se aprofundarem nos argumentos. A primeira fase de audiências termina na sexta-feira, 31 de outubro.
Início das disputas judiciais
O processo foi aberto há cerca de um ano por Felipe tem dois objetivos: uma indenização pelos danos morais causados e declarações sobre a administração do Campeonato de 2008, mesmo que isso não altere o resultado. A retratação financeira de 80 mil dólares se refere às perdas de dinheiro (premiação) e de patrocínios que aconteceram devido ao resultado da temporada. Já a retratação das entidades visa uma admissão de conduta ilícita da corrida por parte dos réus.
O caso só veio a tona após uma entrevista de Ecclestone em 2023 para o F1 Insider, na qual ele admite que ele e Max Mosley – Presidente da FIA de 1993 a 2009 –, sabiam que Nelson Piquet Jr. (Renault) bateu de forma deliberada. Eles decidiram omitir o caso para “proteger o esporte e evitar um possível escândalo”.
Na época, Lewis Hamilton se sagrou campeão por uma diferença de apenas um ponto. Massa acredita que, se não tivesse ocorrido a manipulação da Renault em Singapura e o acobertamento por Bernie Ecclestone (na época o CEO da Fórmula 1), ele teria ganho o campeonato. Esse acontecimento ficou conhecido como “Singapura Gate”.
O Singapuragate mudou o resultado de 2008
O “Singapuragate” foi um dos maiores escândalos da Fórmula 1 no século 21. No GP de Singapura, uma batida deliberadamente causada pela equipe Renault impactou o resultado do campeonato de 2008. Na época, Nelson Piquet Jr. recebeu ordens de equipe para bater o carro para causar um safety car e ajudar seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, a ganhar a corrida.
Felipe Massa foi chamado pela Ferrari aos boxes em regime de bandeira amarela e uma série de erros prejudicaram a corrida do brasileiro: a mangueira de abastecimento ficou presa no carro, uma quase batida com o alemão Adrian Sutil, que gerou punição para o piloto da Ferrari, e um pneu furado no final da corrida. Com essa corrida catastrófica, a diferença de Massa para Hamilton que era de apenas um ponto saltou para sete pontos. O pódio na ocasião foi Alonso em primeiro, Nico Rosberg em segundo e Hamilton em terceiro. Massa chegou apenas em 13°.
Nelsinho Piquet foi demitido da equipe no ano seguinte e admitiu a culpa pela batida que beneficiou seu companheiro de equipe. A equipe Renault também admitiu culpa em 2009 e foi banida por dois anos da Fórmula 1. Além disso, Flávio Briatore, chefe da equipe, e Pat Symonds, engenheiro-chefe, foram banidos do esporte – Briatore indefinidamente e Symonds por cinco anos. Um processo movido por Briatore e Symonds em 2010 contra a FIA anulou a decisão de banir os dois. Briatore retornou à F1 em 2024, na equipe Alpine. Symonds hoje é consultor de Fórmula 1 da equipe Cadillac, que se junta ao grid em 2026.
