Fórmula E
Envision aposta em dupla de simulador para teste em Berlim
Em meio às estratégias variadas do grid da Fórmula E, a Envision Racing adotou uma abordagem pragmática e focada em seus processos internos para o Teste de Novatos, que aconteceu no último dia 14 de julho em Berlim. Em vez de buscar um nome de impacto, a equipe escalou sua dupla de pilotos de simulador, os britânicos Zak O’Sullivan e Johnathan Hoggard, numa decisão calculada para fortalecer o trabalho de desenvolvimento que serve de base para os pilotos titulares, Sébastien Buemi e Robin Frijns.
O talento de O’Sullivan
Aos 20 anos, Zak O’Sullivan retornou ao cockpit da Envision, mas sua presença vai muito além da de um simples piloto de desenvolvimento. Atualmente competindo na competitiva Super Formula japonesa, O’Sullivan é um talento comprovado nas categorias de base. Sua carreira inclui duas vitórias na Fórmula 2, o principal degrau de acesso à F1, uma categoria que ele precisou deixar por questões de orçamento. Ter um piloto desse calibre em seu sistema é um trunfo para a Envision.
“Eu pilotei em Jeddah e gostei muito, então foi ótimo ter um dia inteiro em Berlim para aprender mais sobre este carro”, comentou O’Sullivan, que viu no teste uma chance valiosa para ganhar mais tempo de pista. Para a equipe, ele é um “ativo forte”, como descreveu o diretor Sylvain Filippi, cujo feedback de alto nível é um investimento direto no desempenho do time.
A estreia de Hoggard
Ao lado de O’Sullivan esteve Johnathan Hoggard, de 24 anos, que fez sua estreia na pista com o carro elétrico. Dono de um currículo de peso, que inclui o prestigiado prêmio BRDC Young Driver of the Year e um teste na Fórmula 1 como recompensa, Hoggard tem sido uma peça-chave no simulador da Envision. Embora não tenha competido em tempo integral recentemente, seu trabalho contínuo nos bastidores o manteve afiado e pronto para a ação.
O teste foi a oportunidade perfeita para conectar o virtual ao real. “Tenho trabalhado com a equipe no simulador ao longo deste ano e esta foi uma ótima oportunidade para evoluir ainda mais”, afirmou. Para a Envision, dar a um “talento comprovado”, nas palavras de Filippi, a experiência real do carro era o passo lógico para tornar o trabalho de desenvolvimento ainda mais preciso e eficaz.
Enquanto outras equipes buscaram os holofotes com jovens promessas ou nomes de peso, a escuderia britânica fez um investimento silencioso em sua própria “arma secreta”: o ciclo de desenvolvimento entre a pista e a fábrica. Em um campeonato tão competitivo e decidido por detalhes, a aposta em um trabalho de base sólido pode ser o diferencial que, no longo prazo, vale mais do que qualquer manchete.
