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Fórmula E

A difícil vitória de Mitch Evans em Berlim

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Reprodução: Jaguar TCS Racing

A vitória de Mitch Evans no primeiro E-Prix de Berlim o colocou nos livros de história da Fórmula E, empatando o recorde de todos os tempos de vitórias na categoria. Mas a verdadeira história daquele fim de semana não foi contada apenas na pista. O triunfo foi menos um ponto final e mais um catalisador para uma conversa sobre luta, realismo e uma ambição que se recusa a ser satisfeita.

Em uma franqueza notável, o piloto da Jaguar TCS Racing abriu o jogo sobre um ano que testou seus limites. Após um início de temporada brilhante, com uma vitória memorável em São Paulo, a realidade se impôs de forma dura.

“Sim, quero dizer, tem sido muito difícil, para ser totalmente honesto com você”, admitiu Evans. “Eu não começava uma temporada tão bem assim há muito tempo… Pensei: ‘Ok, agora é a minha vez’, e de repente, levei alguns tapas na cara ao longo da temporada.” Ele continuou, refletindo sobre o peso das expectativas: “Você meio que espera estar na frente, lutando pelo título, e a realidade tem sido muito distante disso.”

Essa sequência de reveses o forçou a uma difícil recalibração mental e de objetivos. “Você acaba mudando o foco para tentar se motivar de outras maneiras”, explicou, “que é tentar tornar o carro o mais rápido possível, para começar a vencer corridas novamente e, idealmente, se conseguirmos fazer isso, me colocarei em uma boa posição para a próxima temporada.” Com uma maturidade forjada pela adversidade, ele até ponderou: “Tive uma boa sequência nas últimas quatro ou cinco temporadas, então talvez eu estivesse ‘devendo’ uma temporada ruim.”

Mesmo diante da vitória em Berlim, Evans se mantém um analista pragmático, recusando-se a deixar que um único resultado mascare os desafios subjacentes da equipe. Ele ofereceu uma dose de realismo sobre os sucessos da Jaguar este ano.

“Muitas das corridas que vencemos foram, eu diria, em circunstâncias incomuns”, analisou, apontando que condições de chuva muitas vezes acabaram favorecendo seus pontos fortes. “Acho que em algumas das outras corridas onde o ritmo era muito mais rápido, muito mais dependente de ritmo puro… como, você sabe, a primeira corrida em Jeddah, no México… nós sofremos um pouco mais. Para estarmos completamente confiantes de que temos um pacote que pode competir em todos os cenários, ainda precisamos melhorar em algumas áreas.”

Essa mentalidade competitiva se estende às suas conquistas pessoais. Ao ser questionado sobre o significado de empatar com o lendário Sébastien Buemi com 14 vitórias, seu espírito de competidor veio à tona.

“Estou definitivamente orgulhoso disso, mas também estou compartilhando esse recorde com outra pessoa, então seria bom ser o único”, disse ele com um sorriso irônico. “Será uma corrida entre mim e o Seb para tentar chegar à 15ª.”

Enquanto a temporada se encaminha para seu final em Londres, seus olhos já estão voltados para o futuro, e para os fãs aqui no Brasil, suas palavras ressoam com um carinho genuíno. Ele falou com entusiasmo sobre retornar a São Paulo, a cidade que lhe deu a primeira alegria deste ano difícil.

“Estou definitivamente ansioso para voltar a São Paulo em dezembro”, compartilhou ele. “Venci lá duas vezes, estive no pódio todos os anos em que fomos… Eu amo a bela cidade e o país do Brasil. É uma das minhas corridas favoritas… cultura incrível, adoram corridas e são muito apaixonados. Tem todos os ingredientes que um piloto ama.”

No fim, a vitória em Berlim foi um impulso bem-vindo, mas Mitch Evans revelou a história mais profunda: a de um campeão navegando por um período de adversidade com uma honestidade clara, se recusando a se contentar com triunfos singulares e já pavimentando o caminho, com muito trabalho, para seu retorno ao topo.

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