24h de Spa-Francorchamps
Wright Motorsports encara “empreitada gigantesca” em estreia internacional nas 24 Horas de Spa
Equipe americana enfrenta novo desafio ao competir pela primeira vez fora da América do Norte, com estrutura própria e ambição de medir forças com os melhores do mundo
A edição deste ano da CrowdStrike 24 Horas de Spa marca um momento histórico para a Wright Motorsports. A tradicional equipe norte-americana, com sede em Ohio, participa pela primeira vez de uma corrida internacional com operação própria, levando um Porsche 911 GT3 R para o lendário circuito belga. A estreia no exterior representa um grande passo para o time, que atualmente é comandado por Adam Adelson e que traz, além dele, os pilotos Elliott Skeer e Tom Sargent na condução do carro ao longo da maratona de 24 horas.
O desafio de competir fora da América do Norte foi descrito como uma “empreitada gigantesca” por Bobby Viglione, diretor de operações da equipe. Apesar de outras equipes dos Estados Unidos recorrerem com frequência a parcerias com times europeus para facilitar a logística, a Wright manteve cerca de 95% de sua estrutura original, com suporte pontual da Herberth Motorsport — equipe parceira da Porsche na Europa — para questões logísticas como uso de oficina e transporte de equipamentos.
“É definitivamente diferente do que estamos acostumados”, afirmou Viglione. “Somos muito rigorosos com nossas operações nos EUA. Mas decidimos manter nossa identidade também aqui. Enviamos nosso carro e equipamento para a oficina da Herberth e fizemos o Prólogo como preparação. Nossa equipe se dividiu entre Watkins Glen e Spa, e conseguimos manter tudo funcionando bem.”
A agenda de junho foi apertada, com a participação da equipe nas Seis Horas de The Glen, válidas pelo IMSA WeatherTech SportsCar Championship. Por conta disso, a Wright recorreu a integrantes de seus programas no Porsche Sprint Challenge e em categorias da SRO America para compor sua equipe de apoio na Bélgica. Alguns dos integrantes já tinham experiência prévia em Spa e com o formato operacional da SRO Europe, o que contribuiu para uma transição menos abrupta.
Adam Adelson, por sua vez, destacou o valor de competir internacionalmente. “Não se pode dizer que todas as grandes corridas do mundo estão em um único continente”, comentou. “Correr aqui é uma chance de provar que a Wright Motorsports pode competir com os melhores do mundo.” Ele também ressaltou a expectativa de medir forças com outra equipe americana de destaque, a Winward Racing, que competirá na mesma classe Ouro com os pilotos Indy Dontje, Russell Ward e Philip Ellis — velhos conhecidos das disputas nos EUA.
Apesar do alto nível de exigência da prova, Adelson reforça que o objetivo é aprendizado e experiência. “Não estamos aqui correndo por pontos. Queremos manter o carro limpo, ser consistentes e precisos. O foco é maximizar o que pudermos extrair dessa corrida. Acima de tudo, sem extrapolar os limites de pista”, disse, em tom bem-humorado, refletindo as instruções do engenheiro de corrida da equipe.
Sobre o futuro, Viglione revela que a experiência pode se expandir. “Estamos explorando possibilidades na SRO Europa, ELMS, WEC e IGTC. Nenhuma decisão foi tomada ainda, mas queremos manter esse espírito de evolução internacional vivo.”
Com grande entusiasmo, dedicação e ambição, a Wright Motorsports dá um passo ousado rumo ao cenário global do endurance, levando consigo o know-how americano e a vontade de crescer entre os gigantes do GT3 mundial.
