Fórmula E
“Uma loteria”: Dan Ticktum avalia chances em São Paulo e dispara: “Se estou em um bom carro, vou bem”
Dan Ticktum não é conhecido por medir palavras. De volta ao Sambódromo do Anhembi para a abertura da 12ª temporada da Fórmula E, o piloto da Kiro Race Co conversou com nossa equipe com a honestidade habitual. Entre críticas à arbitragem do ano passado e elogios ao traçado, o britânico analisou o desafio de correr no Brasil e a chegada de seu novo companheiro de equipe, Pepe Martí.
Quando perguntado sobre sua primeira memória do E-Prix de São Paulo, a resposta foi imediata e carregada de frustração remanescente da temporada anterior. “Ficar com raiva porque a McLaren não foi penalizada no ano passado pelas coisas da bandeira vermelha. Achei aquilo ridículo. Não é uma boa memória”, disparou.
Apesar da mágoa com as decisões de prova passadas, Ticktum coloca o traçado do Anhembi em alta conta. “Fora isso, gosto dessa pista. Está definitivamente no meu top 5. É divertida.”
Mentalidade inabalável e metas ousadas
Ao ser questionado se sua vitória na categoria mudou sua mentalidade ou pilotagem, Ticktum foi enfático, demonstrando sua característica autoconfiança. “Não, nem um pouco. Não foi uma surpresa, e não sei por que alguém ficaria surpreso. Se estou em um bom carro, vou bem.”
Para a atual temporada, ele mantém o realismo, mas com ambição. O piloto reconhece que a Kiro pode não ter o pacote mais dominante, mas vê potencial de velocidade pura. “Não acho que temos o carro mais forte do grid. Mas quando acertamos as coisas e capitalizamos em cima dos erros das outras equipes, podemos ser um dos mais rápidos, se não o mais rápido”, avaliou. A meta é clara: “Gostaria de estar entre os cinco primeiros no campeonato. Isso seria bom.”
O “inferno” para os novatos
O britânico definiu a corrida no Brasil como uma “loteria”, onde a estratégia e a sorte jogam papéis cruciais devido ao vácuo e ao efeito sanfona nas longas retas. “Um ano você pode sair daqui odiando a pista, no outro pode sair amando. Tem muita sorte envolvida”, explicou.
Essa característica torna o circuito especialmente cruel para estreantes, como seu novo companheiro de equipe, o jovem Pepe Martí. “Esta é provavelmente a pior pista para começar na Fórmula E”, analisou Ticktum, citando a mistura de retas longas com trechos técnicos apertados.
Ainda assim, ele elogiou a postura do espanhol e aproveitou para alfinetar a dinâmica da temporada passada, quando correu ao lado de David Beckmann. “Ele [Pepe] é um bom garoto, tem uma boa cabeça. Acho que vai aprender rápido”, disse. “Obviamente, tive um companheiro de equipe no ano passado que teve um pouco de dificuldade. Isso não ajuda do ponto de vista da equipe. Quero estar mais à frente no campeonato de construtores, e ter um piloto que espero que me pressione mais este ano é bom.”
