WEC
Sem licença suficiente, Connor Zilisch fica fora do Rookie Test do WEC no Bahrein
Fenômeno de 19 anos da NASCAR ainda pode acelerar um Cadillac LMDh neste ano em Daytona — e porta para um futuro drive no Rolex 24 de 2026 segue aberta
O fim de semana de Connor Zilisch não terminou apenas com a dor esportiva de perder o título 2025 da NASCAR Xfinity Series para Jesse Love no formato winner-take-all. Ele também perdeu o que seria, hoje, a maior oportunidade esportiva de sua carreira fora dos stock cars: o teste de estreante do FIA WEC no Bahrein, com o Cadillac V-Series.R da Cadillac Hertz Team JOTA, marcado para o dia 9 de novembro, um dia após as 8 Horas do Bahrein. O jovem de 19 anos — hoje considerado por muitos o maior prospecto do automobilismo americano — estava inicialmente cotado para pilotar o Hypercar no Rookie Test, e este programa seria tratado internamente como uma “recompensa” por sua trajetória meteórica e por sua performance de primeira linha no endurance.
Mas sem o título da Xfinity, não houve como encaixar a parte burocrática. Porque no sistema de pontuação da ACCUS — que é a entidade americana credenciada pela FIA — a vitória da Xfinity vale 10 pontos de licença, o vice vale 8. E Zilisch precisava exatamente desses 10 pontos para completar a soma mínima de 14 exigida para guiar um Hypercar em um evento oficial do WEC. Com o vice-campeonato, ele acabou não atingindo o total. E assim seu nome foi riscado administrativamente da lista de entradas — zero margem para apelo. A regra é a regra.
Zilisch comentou abertamente o tema em entrevista à Motorsport.com: sabia que esse risco existia, não foi pego de surpresa, mas admitiu que isso não alivia o golpe — duas perdas pesadas no mesmo final de semana. O caso imediatamente remete ao de Colton Herta e a questão da Superlicença FIA para a F1. Mesmo padrão: não existe janela de exceção.
Mas há uma diferença central entre a estrita régua do WEC/FIA e a régua americana: há condições para que Zilisch rode, sim, em um Cadillac V-Series.R neste mesmo fim de ano — mas em um evento sancionado pela IMSA. E fontes indicam que ele está, sim, previsto para entrar na lista provisória do teste pós-temporada em Daytona, com a Action Express Racing. A IMSA tem critérios diferentes — e lá ele é elegível. Se for bem, existe expectativa interna de que ele possa ser considerado para um lugar em um GTP no grid do Rolex 24 de 2026. E embora Cadillac Whelen e Wayne Taylor Racing já tenham anunciado seus lineups principais 2026, há vagas rotativas de endurance a serem preenchidas para a abertura da próxima temporada.
É importante também lembrar o quanto Zilisch já provou em endurance. Em janeiro de 2024, com apenas 17 anos, venceu a LMP2 em Daytona pela Era Motorsport, tornando-se um dos mais jovens da história da prova a vencer uma categoria. E repetiu a dose em Sebring, completando as lendárias “36 Horas da Flórida” em sequência. Fechou 2024 da IMSA Endurance Cup da LMP2 em terceiro geral — tudo isso enquanto simultaneamente subia o degrau da pirâmide de stock car americana.
Aos 19, Zilisch agora tem contrato de longo prazo com a Trackhouse e correrá a NASCAR Cup Series full time em 2026. Ele é hoje atleta Red Bull. Em 2025, foi novato recordista em vitórias na Xfinity, mesmo perdendo uma prova por lesão de coluna em Talladega e chegando a quebrar a clavícula comemorando vitória em Watkins Glen. Então a realidade é que a história dele continua acelerada.
A tese dentro do paddock é simples: o Bahrein não será o fim da linha. Foi só um atraso. Daytona pode ser a próxima porta. E o relógio do Rolex 24 continua girando.
