Fórmula 1
Segunda Bandeirada #50: Porque Verstappen é o melhor
Se ainda restava alguma dúvida acerca da superioridade massacrante de Max Verstappen sobre o resto do grid, o Grande Prêmio da Emília-Romagna tratou de exorcizá-la. Não que fosse segredo para alguém, mas os meus leitores sabem como funciona a cabeça dos fanáticos – e pior que o fanático que ama, só mesmo outro que odeia.
A largada seria – e foi – decisiva. Ímola é circuito muito técnico e que exige bastante dos pilotos, tanto pela pista ser bastante estreia quanto pelas suas zebras altas que podem fazer qualquer um perder bastante tempo. O único ponto real de ultrapassagem é a reta dos boxes já na Tamburello, onde quem vem atrás deve chegar muito próximo e tentar o bote em uma das duas pernas da chicane.
Pois bem, Oscar Piastri largava em primeiro e até manteve a dianteira antes da freada, com George Russell conseguindo ficar à frente de Verstappen na segunda posição. Aí veio a manobra mais espetacular da corrida e arrisco a dizer da temporada inteira: o tetracampeão buscou a linha de fora, não temeu a freada com dois carros por dentro e se jogou na segunda perna da Tamburello para ultrapassar ambos, tomando a liderança da corrida. Manobra digna de um grande campeão, de quem tem quatro títulos mundiais na bagagem, sabe que é o melhor e tem cacife para fazer isso.
Tomada a liderança, o resto seria perfumaria. Verstappen só perderia a corrida se a McLaren mostrasse a performance esmagadora das últimas corridas, pois as supracitadas peculiaridades de Ímola alijam qualquer possibilidade de ultrapassagem. E pela primeira vez nesse ano a Red Bull demonstrou uma força que há tempos não se via – nem mesmo em Suzuka, quando o tetracampeão venceu. Vale lembrar que os taurinos trouxeram atualizações importantes para o carro em busca de desempenho. Ainda é cedo para cravar qualquer coisa, mas a RBR encontrou o rumo ao menos nessa pista.
Veio a primeira parada e nenhuma alteração no quadro geral. Verstappen ainda teve a sorte de realizar a sua troca no Virtual Safety Car provocado pelo abandono de Esteban Ocon – os carros com motor Ferrari costumam quebrar com uma frequência incrível. Com um jogo de pneus duros novos e a dianteira na mão, o holandês rumava para uma vitória absolutamente tranquila. Chegou a abrir uma vantagem de pouco mais de 18 segundos para Norris, que ocupava a segunda posição.
Aí veio o imponderável que pode acontecer numa corrida: SC logo no final da prova. Kimi Antonelli viu sua Mercedes deixá-lo na mão na volta 46. A vantagem gigantesca construída pelo tetracampeão virou pó. Relargando em condições iguais de pneus, ele teria os dois pilotos papaias fungando no cangote.
Coube a ele mostrar mais uma vez o porquê de ser o melhor piloto da atualidade. Ao comandar magistralmente a relargada, deu o pé na hora certa e não deixou a menor possibilidade para os seus rivais ameaçarem a sua posição. Além disso, Piastri ficou numa situação bem desfavorável ao não parar no SC – ele não tinha pneus novos. Norris tinha um composto duro novo e nem teve muita dificuldade para ultrapassá-lo na volta 58.
Mesmo com Norris em condição igual de pneus, Verstappen continuou abrindo até a bandeirada final. A vantagem ficou em torno de pouco mais de seis segundos. Abrir esse tempo com poucas voltas em bandeira verde não é pouca coisa – ainda mais numa pista como Ímola. Sua qualidade é indiscutível, mas isso só foi possível graças à ótima performance da Red Bull nesse circuito. É um sinal amarelo para a McLaren, pois o tetracampeão não precisa de carro dominante para brigar pelo título – e se for o caso, ela terá sérios problemas.
A corrida ainda teve um Hamilton num ótimo quarto lugar para alegria dos ferraristas que estavam em casa. Gabriel Bortoleto foi prejudicado por uma estratégia bem questionável da Sauber e acabou em P18, último dos que cruzaram a linha de chegada. No mais, destaque para a Williams, que pontuou com seus dois pilotos e vive em 2025 um céu de brigadeiro.
O campeonato ganha fôlego com essa possível melhora da Red Bull. Sabemos que Max Verstappen só precisa de um carro minimamente competitivo para brigar pelo título, pois o seu talento é um fato inquestionável como o raiar do Sol. A sua sexagésima quinta vitória foi mais uma demonstração do porquê ele é o melhor de todos os pilotos da F1.

Foto: Red Bull Content Pool
