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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #37: A campeã voltou

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Foto: McLaren

O último ato da temporada foi vencido por Lando Norris. Sem dar a menor chance aos concorrentes, ele triunfou de ponta a ponta e carimbou o mundial de construtores para a McLaren. Numa temporada de amadurecimento, Norris acabou com a pecha de não vencer, e embora paire dúvidas acerca da sua capacidade de ser campeão, mostrou talento.

Nunca fui integrante do coro daqueles que o consideram fraco e mantenho a minha visão. O jovem britânico de sorriso fácil está passando pelo processo natural que qualquer piloto passa ao disputar o título com uma fora de série: vai fazer bobagem, cometer erros e tirar valiosas lições disso.

Pois bem, 2024 marcou a quebra de um jejum outrora interminável: a McLaren voltou a conquistar o mundial de construtores. A última conquista havia sido em 1998, quando o time capitaneado por Mika Hakkinen levou ambas as taças – era a temporada de estreia de Adrian Newey nas pranchetas da equipe britânica. Desde então, a McLaren rivalizou com a Ferrari, alçou Lewis Hamilton à glória, decaiu para o fundo do grid e renasceu das cinzas até comemorar merecidamente a sua glória em Abu Dhabi.

O que essa equipe penou para voltar ao topo da Fórmula 1 não foi brincadeira. Apresentei um breve resumo no parágrafo anterior, mas alguns capítulos desse limbo merecem maiores considerações.

O último título de construtores foi em 1998, quando Hakkinen venceu o primeiro dos seus dois títulos mundiais. Aquela conquista marcou a glória definitiva da McLaren após as conquistas de Niki Lauda, Alain Prost e Ayrton Senna. Veio sob a já citada batuta de Adrian Newey e o comando histórico de Ron Dennis, o carrancudo chefe de equipe que é um personagem e tanto para a história da F1. Com o MP4/13, o finlandês venceu oito das dezesseis corridas, marcou 100 pontos e experimentou o sabor inigualável de ser campeão mundial.

Sete anos depois, a McLaren chegou perto de ambos os títulos: foi vice no mundial de construtores e Kimi Raikkonen ficou em segundo na querela entre os pilotos. A equipe tinha o melhor carro em termos técnicos, mas o motor Mercedes deixava seus pilotos na mão. Resultado: Fernando Alonso foi campeão pela primeira vez e levou a Renault ao título de construtores. Com o MP4-20, Raikkonen venceu sete das dezenove corridas – o mesmo número de Alonso – e seu companheiro, Juan Pablo Montoya, três.

Após o título de Lewis Hamilton em 2008 e alguns campeonatos disputados, a McLaren viveu dias tenebrosos ao andar nas últimas posições. O time britânico retomou a parceria com a Honda – que rendeu tantas glórias no final dos anos 1980 e começo da década seguinte – buscando voltar ao topo da F1. Porém, estava claro que os japoneses não compreenderam bem a tecnologia híbrida e entregaram um motor fraco e pouco confiável. No ano de estreia, penúltima posição no mundial de construtores, resultado repetido duas temporadas depois. Tal parceria é simbolizada pelo rádio jocoso de Fernando Alonso no GP do Japão de 2015 com seu GP2 engine em pleno lar da Honda.

Com tantos fiascos, mudanças importantes aconteceram: Ron Dennis deu lugar a Zak Brown, e depois de alguns anos a Mercedes voltou a fornecer motor para a McLaren após uma breve parceria com a Renault. Os resultados melhoraram e o time britânico voltou a comemorar o lugar mais alto do pódio no GP da Itália de 2021 com uma inesperada dobradinha de Daniel Ricciardo e Lando Norris. Naquele mesmo ano, a equipe ficou na quarta colocação no mundial de construtores, sinalizando que a reestruturação comandada por Zak Brown e cia estava no caminho certo.

Chegamos finalmente ao ano passado. A McLaren começou como a pior equipe do grid e teve uma estreia no Bahrein para esquecer. Começou um burburinho que Oscar Piastri fez uma péssima escolha ao optar pelo time papaia e sair de maneira conturbada da Alpine. Pois bem, a McLaren recuperou terreno e terminou o ano como a segunda melhor equipe do grid – não fosse o início ruim, teria ido além da quarta colocação no mundial de construtores. Foi a primeira temporada de Andrea Stella no comando papaia.

A McLaren conquistou o mundial de construtores com autoridade. Fez um ótimo carro, tem uma dupla de pilotos talentosa e um futuro muito promissor. Cometeu alguns erros na temporada, mas normais e esperados para quem ficou tanto tempo longe do topo. Uma coisa é certa: a grandiosa McLaren ressurgiu. A campeã voltou.

P.S: não poderia deixar de falar do saudoso Gil de Ferran. Peça importante na introdução da McLaren na IndyCar, ele foi nomeado consultor da equipe de F1 no começo do ano passado. Gil faleceu em 29 de dezembro de 2023 e não viu o título de construtores do time que ele ajudou a reerguer, mas seu nome certamente não será esquecido – pelos seus feitos nas pistas e fora delas. Essa façanha tem a sua marca.

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