Entre em contato conosco

Fórmula 1

Segunda Bandeirada #26: O futuro das flechas prateadas

Publicado:

em

Foto: Mercedes

Quem esperava por uma dobradinha da Mercedes em Spa-Francorchamps? Absolutamente ninguém. Duvido que os bolões e as casas de apostas tenham registrado algum corajoso a apostar algum cascalho num 1-2 das flechas prateadas. Na pista, foi o que se viu, embora a desclassificação de George Russell – vencedor por algumas horas – tenha estragado a felicidade da equipe.

Mas não se pode ignorar totalmente o que esteve diante dos nossos olhos. A Mercedes teve o melhor carro numa pista que há tempos só gera dor de cabeça. No treino classificatório, falava-se numa Red Bull com ritmo bem melhor que o resto do grid e uma McLaren com acerto totalmente focado na corrida. Pois bem, a opção dos taurinos por uma asa traseira maior fez todo sentido no sábado, mas se mostrou prejudicial no domingo por alijar o RB20 nas retas e impedir seus pilotos de tentarem algo mais na pista. Já o time papaia errou na estratégia de corrida – mais uma vez – e não demonstrou o desempenho de outrora.

Como RBR e McLaren não se encontraram em Spa, sobrou tudo para a Mercedes nessa Fórmula 1 com alternância dessas três forças. É incrível a evolução da equipe com o W15, um carro que sofre pouco com o arrasto, consegue ter boa velocidade de reta e arranca bem. Com dois ótimos pilotos, as flechas prateadas voltaram a vencer. O que Russell fez ao segurar Hamilton com seus pneus duros já no limite do aceitável contra um composto bem mais novo do seu companheiro de equipe foi algo próprio dos grandes da categoria. Não entro no mérito do peso abaixo do permitido e como isso melhorou o desempenho do carro, pois defender a liderança contra um heptacampeão com pneus bem mais inteiros é difícil em qualquer situação.

E aí fica a questão: Russell será mesmo o líder da Mercedes a partir da próxima temporada? Em termos de talento bruto, ele é plenamente capaz de assumir essa bronca. Não há dúvidas acerca disso. O problema – ao menos para George – é saber se a equipe pensa assim, pois ao mesmo tempo que Kimi Antonelli parece estar sendo maturado para ser o seu companheiro, o time deixa em aberto a possibilidade de trazer Max Verstappen.

O tricampeão é um sonho distante, a fidelidade dele ao time taurino parece firme e forte, mas a F1 está recheada de exemplos em que o amor dura até a carruagem virar abóbora. Além disso, a Red Bull perdeu o tarimbado Adrian Newey e anunciou hoje a saída de Jonathan Wheatley para a Audi. Some isso ao desempenho ruim do RB20 com a especulação – nada na categoria pode ser tratado como verdade absoluta até virar um fato – de que a Mercedes terá a melhor unidade de potência no regulamento que passa a vigorar em 2026. Ver o impetuoso Verstappen guiando as flechas prateadas não é impensável.

Não se iludam, meus caros: Verstappen chegaria na Mercedes com status de intocável. Quando a equipe tirou Hamilton da McLaren em 2012, fez a mesmíssima coisa: liberdade total para o piloto escolhido como líder do ambicioso projeto de dominar a F1. Deu certo – os seis títulos mundiais dele pelo falam por si. Na época, umas das suas maiores queixas era o ambiente controlado da antiga equipe. Em Brackley, ele passou a estar num lugar mais a vontade, sem as amarras de outrora. Todos saíram ganhando – exceto a própria McLaren, que passou dez anos no limbo até voltar a ser protagonista.

Se tal rumor se confirmar, a vida de Russell mudaria completamente. Lidar com Antonelli é mais fácil que dividir a garagem com Verstappen, menos pelo estilo temperamental do holandês que os estágios diferentes de ambos em suas respectivas carreiras. O jovem italiano, por mais que seja pintado como prodígio das pistas – e parece ser mesmo –, dificilmente chegará colocando tempo num companheiro talentoso e com quilometragem maior. Russell seria o primeiro piloto da Mercedes sem pestanejar. Já Verstappen é um tricampeão caminhando para o tetra. É inegavelmente melhor que o britânico. Como disse anteriormente, seria intocável na equipe. Aí o sonho de George em ser campeão mundial iria para o vinagre.

São conjecturas que ainda carecem de confirmação. Porém, a Mercedes está num momento de decidir seu futuro, se aposta num jovem como Antonelli ou busca um grande campeão como Verstappen. O carro melhorou, a performance deu o ar da graça e a equipe parece ter reencontrado o caminho correto. Bom para ela, bom para a F1, que ganha mais uma força capaz de lutar por vitórias.

Compartilhe esta publicação
Clique para Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.