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Automobilismo

Qual é a da Alpine, afinal?

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Dois fatos impactantes aconteceram em um espaço de tempo muito curto na Fórmula 1: a aposentadoria de Sebastian Vettel e o anúncio de Fernando Alonso na Aston Martin para a próxima temporada. Um é consequência do outro, pois Alonso herda a vaga de Vettel na escuderia britânica.

Quanto ao último fato em si, não vejo necessidade de acrescentar muita coisa. A saída do bicampeão da escuderia na qual ele construiu uma belíssima trajetória – seus dois títulos foram conquistados nela quando o nome ainda era o da Renault – revela muita coisa a respeito da Alpine, mais até do que o próprio Alonso.

Mas, vocês já sabem, isso não é tudo. Pouco depois de confirmar oficialmente a saída de Alonso, a Alpine anunciou o seu substituto: Oscar Piastri. O jovem australiano tido como talento absurdo foi a escolha da escuderia francesa. Só que faltou combinar com o próprio Piastri, que pouco depois desmentiu a equipe e expressou a sua decisão de não correr pela Alpine.

Tais fatos merecem maiores considerações por mostrarem como a Alpine não me parece encarar a F1 de maneira 100% séria. Alonso e Piastri têm seus próprios interesses, mas as suas atitudes estão longe de ser apenas a corriqueira marra de um bicampeão mundial e a ousadia de um jovem talento. A verdade é uma só: eles não enxergam – ou parecem não enxergar – a escuderia francesa como o lugar ideal para o sucesso.

A Alpine é uma equipe de fábrica. É a Renault de outro nome. Equipes de fábrica geram expectativas maiores pelo fato de comandarem o desenvolvimento de seus próprios motores e não se tornarem clientes de outras fornecedoras. O dinheiro gasto para compra de motores é economizado para (I) desenvolvimento de um motor exclusivo da equipe, (II) trabalho na parte aerodinâmica do carro e (III) demais custos operacionais. Portanto, era de esperar que a escuderia francesa conquistasse resultados mais expressivos por esse simples fato – que não é tão simples assim.

O problema é que no caso da Alpine não é bem assim, pois o gasto da equipe é pequeno se comparado com o pelotão da frente. Ainda com o nome Renault, ela tinha um orçamento 60% menor que o da Mercedes, por exemplo. Na F1, não basta ter pilotos talentosos e corpo técnico qualificado sem muito dinheiro. A Mercedes é um exemplo disso: tinha um Ross Brawn no comando da equipe e uma dupla de pilotos formada por Michael Schumacher e Nico Rosberg. Os resultados só apareceram quando Toto Wolff chegou e convenceu a alta cúpula da montadora que ela precisaria gastar mais caso quisesse chegar no topo. E assim foi.

Vejam só esses movimentos no mercado de pilotos da Alpine. Fernando Alonso fechou com a Aston Martin depois da renovação de contrato com os franceses ter naufragado. Posso concluir que ele não era mais uma prioridade da equipe. O que me surpreende bastante, pois Alonso mostra a cada corrida ser um piloto talentoso e com muita lenha para queimar. Ou alguém esqueceu do que ele fez no Canadá, anotando o segundo tempo em plena chuva com um carro bem inferior a Red Bull, Ferrari e Mercedes?

Dispensar Alonso para colocar um jovem como Piastri dá a entender que a Alpine enxerga Esteban Ocon como liderança da equipe. Por mais que ele tenha provado ser um bom piloto e até mesmo uma vitória no currículo, Ocon nunca demonstrou excelência, aquele desempenho necessário para conduzir uma escuderia como a Alpine. Com essa configuração, ela teria um piloto sem brilho algum e um talento estreante que ainda é uma incógnita. Não me parece ser um movimento de uma equipe desejosa de ocupar os primeiros lugares.

Em suma, a Alpine parece estar totalmente perdida. Para completar esse show de horrores, cogita-se a possibilidade de repatriar Daniel Ricciardo. O australiano é um piloto simpático, já teve seus brilharecos, mas nada de encher os olhos. Além disso, sua fase na McLaren é péssima, e a escuderia britânica só não o mandou embora pela cláusula de desempenho no contrato entre ambos ser favorável a ele. Trazer novamente o Alesi 2.0 é algo inexplicável.

Tenho uma memória afetiva dessa equipe pelo primeiro título mundial de Fernando Alonso, a lembrança inicial da minha vida de apaixonado pelo automobilismo. Primeiro era Benetton, depois virou Renault e atualmente é Alpine. Hoje, é uma equipe sem um norte, com o adicional dessa maluquice envolvendo Alonso e Piastri. Afinal, qual é a da Alpine na F1?

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