Futebol
Por dentro da Liga Portuguesa #03: Os problemas corriqueiros do Benfica

Foto: Reprodução/GoloFM
O apito final deixa a sensação patente de fim de qualquer possibilidade do 39° título português do Benfica. Com o empate em 2×2 contra o Braga, a distância para o líder Porto é de nove pontos – os dragões ainda jogam na rodada, recebem o lanterna AVS SAD em casa – e de dois para o Sporting, que entra em campo hoje contra o Rio Ave em José Alvalade.
A diferença na pontuação já é significativa por si só numa liga monopolizada pelos três grandes de Portugal. Mas é o desempenho aquém do esperado que desalenta os encarnados. A partida de hoje foi mais do mesmo: performance coletiva ruim, pouco controle de jogo e dependência excessiva de individualidades.
Os primeiros minutos foram de domínio do Braga. Os arsenalistas sempre constituem um desafio maior para o trio de ferro e possuem um time que sabe jogar com a bola – é a equipe com o maior índice de posse da Liga Portuguesa. Chegaram a abrir o placar, mas a arbitragem anulou o gol.
O Benfica chegou ao gol na bola parada. Após cobrança de falta, Otamendi subiu e fez 1×0 para os encarnados. Um tento que surgiu quase ao acaso, pois o goleiro adversário não havia trabalhado até então. Depois disso, o time recuou e viu o Braga virar o jogo numa facilidade impressionante. Rodrigo Salazar e Pau Victor fizeram justiça ao que se viu no primeiro tempo.
Correndo para buscar o empate, os benfiquistas foram para cima e conseguiram a igualdade no placar com um golaço de Fredrik Aursnes. O norueguês acertou um belo chute de fora da área após ser acionado pelo centroavante Vangelis Pavlidis. O Benfica cresceu na partida e chegou à virada, mas a arbitragem marcou falta de Richard Ríos na jogada – marcação para lá de questionável.
Pavlidis foi o destaque positivo da equipe – mais uma vez. A assistência para Aursnes foi resultado de uma jogada que aconteceu em certos momentos na partida: saída da área para gerar jogo com a interação dos meio-campistas e pontas do time. A movimentação confundiu o sistema defensivo do Braga e foi responsável pela criação da maior parte das chances no segundo tempo.
O grego tem 13 gols em 15 jogos, marca bastante expressiva. Mas o coletivo do Benfica simplesmente não acontece. O domínio inicial do Braga escancarou fraquezas e é o sinal evidente de que os encarnados precisam apresentar mais. José Mourinho foi contratado na busca de uma mudança de rumos com os empates vistos sob o comando de Bruno Lage. A equipe melhorou, mas nada muito animador com a perspectiva ruim para o resto da temporada.
Entre chegadas e saídas, o elenco manteve um nível parecido com o da temporada passada. Em 2024/25, o Benfica disputou ponto a ponto o Campeonato Português com o Sporting – o título permaneceu em Alvalade. Ou seja, a equipe tem condições de jogar mais e pelo menos lutar pela Liga. A realidade mostra o contrário e evidencia o clima decepcionante na Luz.
