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Fórmula 1

Piquet x Hamilton: Fórmula 1 se une contra o racismo e ensina importante lição para a sociedade geral

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Lewis Hamilton em protesto antirracista em Londres, em junho de 2020/ Imagem: Daniel “Spinz” Forrest

Eram sete e meia da manhã de terça-feira, 28 de junho, quando abri o Twitter pela primeira vez no dia e dei de cara com uma série de postagens e posicionamentos contra um ato racista mais uma vez direcionado a Lewis Hamilton, o único piloto negro da F1.

Depois de ler os posicionamentos oficiais da F1, da FIA e da equipe Mercedes fui entender o que havia acontecido, as falas do tricampeão Nelson Piquet haviam chegado ao alto escalão e à mídia internacional.

Mas o episódio não é novo, a entrevista na qual Piquet chama Hamilton de “neguinho” é de novembro de 2021. O ex-piloto comparava o polêmico acidente entre Lewis e Max Verstappen durante o GP de Silverstone daquele ano com o acontecido entre Senna e Prost no GP do Japão de 1990.

O trecho postado pelo canal Enerto, especializado em automobilismo, e agora, meses depois, os termos considerados racistas usados por Piquet repercutiram mundo afora.

Nas redes sociais, a Mercedes foi a primeira a se posicionar:

“Nós fortemente condenamos o uso de quaisquer termos de linguagens racistas ou discriminatórios. Lewis tem liderado o esforço do nosso esporte para combater o racismo, e ele é um verdadeiro campeão da diversidade dentro e fora da pista. Juntos, compartilhamos a visão de um esporte mais diversificado e inclusivo, e esse incidente mostra a importância fundamental de continuarmos lutando por um futuro melhor.”

Hamilton com a camiseta em protesto contra a morte de Breanna Taylor no GP da Toscana de 2020/ Imagem: F1 via Getty Images

 A F1 e a FIA condenaram toda e qualquer linguagem discriminatória ou racista, “Lewis é um incrível embaixador para o nosso esporte e merece respeito. Seus incansáveis esforços para ampliar a diversidade e inclusão são uma lição para muitos e um compromisso da F1”, disse a primeira. Já a FIA destacou que está “comprometida em apoiar o compromisso de Lewis Hamilton com a igualdade, diversidade e inclusão no automobilismo”.

Hamilton fez questão de rebater Piquet com tweet em português: “Vamos focar em mudar a mentalidade”. Depois seguiu em inglês, “É mais do que a linguagem. Essa mentalidade arcaica não tem lugar no nosso esporte. Fui cercado por e alvo dessas atitudes a minha vida toda. Houve muito tempo para aprender. Agora chegou a hora de agir.”

Além da Mercedes, somente Ferrari, McLaren, Aston Martin e Alpine comentaram e se posicionaram sobre o assunto, todas condenando o racismo e apoiando o piloto. A Red Bull, equipe representada por Max Verstappen, que namora a filha de Nelson Piquet, Kelly Piquet, optou por não falar sobre quando questionada pela mídia que cobria o lançamento do hypercar da marca na fatídica manhã.

Entre os pilotos, George Russell, Charles Leclerc, Esteban Ocon, Daniel Ricciardo, Mick Schumacher, Zhou Guanyu, Lando Norris e Carlos Sainz usaram suas plataformas para defender Lewis.

“Ele fez mais pelo esporte do que qualquer piloto na história, não apenas na pista, mas fora dela. O fato que ele e tantos outros ainda estão tendo que lidar com esse comportamento é inaceitável. Todos nós precisamos nos unir contra qualquer tipo de discriminação”, comentou Russell, dupla de Hamilton na Mercedes.

Já Ricciardo foi incisivo: “Estes que ainda escolhem disseminar ódio e usam essas palavras não são meus amigos.” E ainda disse como Hamilton escolhe responder situações com “maturidade, positividade e como forma de educar o mundo em como agir”.

Ocon e Leclerc ressaltaram como sempre foram tratados de maneira respeitosa e gentil pelo britânico, forma que ele trata a todos. “Estamos orgulhosos de ter ele na linha de frente na nossa luta pela diversidade e inclusão no esporte a motor”, destacou Ocon.

“Temos que eliminar esse comportamento discriminatório e o vocabulário não só do esporte, mas da sociedade em geral”, ressaltou Leclerc.

O tema repercutiu ao longo de toda a terça-feira, com celebridades, ex-pilotos da categoria e outros esportistas se posicionando ao lado de Hamilton. Até a Google Brasil respondeu ao tweet do piloto.

Na manhã desta quarta (29), Nelson Piquet emitiu um comunicado oficial com um pedido público de desculpas dizendo que o uso do termo é algo de uso coloquial histórico no Brasil e que “foi mal pensado e eu não defendo isso…nunca tive a intenção de ofender.” Ainda ressaltou que “Lewis é um piloto incrível, mas a tradução que repercutida pela mídia e amplamente divulgadas nas redes sociais não é correta.”

Lewis Hamilton homenageou o ator Chadwick Boseman, o Pantera Negra depois de conquistar a pole na Bélgica em 2020/ Imagem: F1 via Getty Images

O pedido de desculpas pode não ser o suficiente. Segundo a imprensa internacional especializada, fontes afirmam que Piquet deverá ser banido do paddock por conta da controvérsia gerada por ele. Até o momento da publicação deste texto não existe uma confirmação oficial da Liberty Media, responsável pela F1, se o ex-piloto será impedido ou não de frequentar as corridas.

O episódio mais uma vez ressalta o que Lewis Hamilton vem destacando ao longo dos anos, precisamos mudar, precisamos ser melhores e precisamos lutar pela igualdade, inclusão e diversidade em todos os âmbitos da nossa sociedade.

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