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Fórmula 1

Punições por trocas de motor e partes da unidade de potência precisam ser rediscutidas

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O regulamento da Fórmula 1 tem as suas bizarrices e partes de difícil compreensão. Pode-se apontar vários pontos sem o menor sentido. Se existe uma parte que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) precisa rever é o estabelecimento dos limites de troca de motor ou partes na unidade de potência – principalmente as punições quando tais limites são ultrapassados.

Só para dar um exemplo: Charles Leclerc teve sua corrida no Canadá totalmente comprometida ao trocar o motor. Perdeu muitas posições e acabou largando na última fila. Seu companheiro de Ferrari, Carlos Sainz, chegou colado em Max Verstappen, vencedor da prova e líder do campeonato. Se a punição ao monegasco fosse mais branda, não é exagero algum imaginar que ele pudesse ganhar caso chegasse nas mesmas condições do colega espanhol.

Desnecessário dizer que uma vitória de Leclerc deixaria mais franca a disputa pelo título, algo distante do presente momento. O triunfo de Verstappen sedimentou ainda mais a sua confortável vantagem na liderança do campeonato, e tendo em mãos o melhor carro do grid, o atual campeão parece estar com a faca e o queijo na mão para levar o bicampeonato. Isso depois de um começo desastroso, com direito a dois abandonos por problemas de confiabilidade.

Os limites para trocas dos componentes da unidade de potência são insanos. No caso do motor a combustão, do turbo compressor e do MGU-H, são permitidas três trocas sem punição. Na bateria, na central eletrônica e no MGU-K, apenas duas. A situação é absurda se levarmos em conta que o calendário atual conta com 22 corridas. Duas ou três trocas em um universo como esse é totalmente inviável.

Imagine a situação de Fernando Alonso, que já realizou quatro trocas de motor na temporada? Pode-se alegar os erros da Alpine ao priorizar a potência em detrimento da confiabilidade, mas existe punição maior que um abandono durante uma corrida? No caso do bicampeão, ele recebeu a penalização no GP da Espanha. Correr em casa e largar no fundo do grid por uma regra draconiana – mesmo com o qualy horroroso como o feito por ele em Barcelona – é frustrante.

Se a equipe precisa realizar trocas de motor ou de partes na unidade de potência é sinal que há problemas no desempenho ou na confiabilidade do carro. Como eu disse, não há punição pior que comer poeira do pelotão da frente ou abandonar uma corrida. Não contente com isso, a FIA impõe limites absurdamente inexequíveis para as trocas e estabelece punições pesadíssimas para quem as fizer. É algo para se repensar.

Dei o exemplo do GP do Canadá com o desempenho de Leclerc, mas posso voltar na temporada passada para exemplificar minha bronca com esse regulamento insano. No GP da Rússia, Max Verstappen trocou de motor e largou na última fila. Mesmo com o seu veloz RB16B, a sétima posição era o máximo que ele estava alcançando a poucas voltas do final. Veio a chuva, a conhecida trapalhada de Lando Norris e a vitória de Lewis Hamilton, a centésima do heptacampeão na categoria.

Caso a chuva não caísse e Verstappen ficasse com a sétima posição, o destino do campeonato poderia ter sido outro. A diferença de pontos entre a segunda e a sétima posição foi decisiva para o título. Após trocar o motor na Rússia, o atual campeão foi com a mesma unidade de potência até o fim da temporada, ao passo que Hamilton trocou a sua no Brasil e fez uma de suas melhores corridas da carreira. A Mercedes teve o melhor carro no restante das corridas, e se não fosse o milagroso P2 de Verstappen na Rússia, estaríamos falando de um inédito octacampeonato.

A F1 é uma categoria inovadora por excelência. Vejo com certa simpatia algumas iniciativas para gerar mais equilíbrio no grid como o teto orçamentário ou mesmo o limite de trocas de motor. Mas – perdoem-me o trocadilho – tudo tem limite. O próprio teto estabelecido pela FIA é inexequível pelas circunstâncias atuais da economia mundial e a inflação gigantesca que aumenta o preço de peças, equipamentos e custos logísticos das equipes. Todos os amantes da categoria gostam de disputas francas, do piloto do fundo do grid tirando um coelho da cartola ao conseguir bons resultados e de corridas imprevisíveis. O que não se pode fazer é diminuir a qualidade do espetáculo tentando aumentá-la na marra.

Que o campeonato de 2022 seja resolvido dentro das pistas sem um final polêmico como o do ano passado. E claro, que vença o melhor. Mesmo com suas imperfeições e normas sem sentido, o regulamento deve ser cumprido. Todo mundo ganha quando as regras do jogo são respeitadas.

Mas é hora de discutirmos alguns pontos. Punir severamente pilotos e equipes por trocas de motor ou componentes do mesmo é algo sem o menor sentido que pode decidir um campeonato de maneira injusta. Pelo bem do esporte, tal norma precisa ser rediscutida.

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