SportsCar Championship
O domínio das dobradinhas: Três lições das 12 Horas de Sebring 2026
As 12 Horas de Sebring da Mobil 1 de 2026 consolidaram o domínio técnico de marcas e equipes europeias, enquanto a disputa interna nos boxes e as tabelas de pontos apertadas prometem uma temporada eletrizante.
As competições de resistência costumam ser decididas nos detalhes, mas o evento deste ano em Sebring foi marcado por uma coincidência numérica impressionante. Três das quatro categorias principais terminaram com dobradinhas (1-2). A Porsche Penske Motorsport liderou na GTP, a United Autosports USA dominou a LMP2 e o duo Manthey/AO Racing repetiu o feito na GTD PRO.
Apenas na classe GTD a vitória não veio em par. Em contrapartida, a categoria entregou o final mais dramático da prova. Antonio Fuoco, com uma pilotagem agressiva e veloz, levou sua Ferrari 296 GT3 EVO ao topo do pódio. Contudo, para além dos resultados, a forma como essas equipes alcançaram o sucesso revela as novas dinâmicas do campeonato.
Diferentes versões de trabalho em equipe
Ninguém vence em Sebring sozinho, visto que o circuito exige o equilíbrio perfeito entre três pilotos e uma equipe técnica incansável. Na Porsche Penske Motorsport, os carros nº 6 e nº 7 lideraram 273 das 343 voltas. Entretanto, a vitória do carro nº 7 de Felipe Nasr gerou desconforto no box vizinho.
Kevin Estre, piloto do carro nº 6, sugeriu que as diretrizes de rádio para economizar combustível não foram seguidas pelo companheiro. “Acho que ambos tínhamos que fazer o mesmo, mas o Felipe fez algo diferente”, afirmou Estre. Nasr, por sua vez, defendeu seu ímpeto competitivo, afirmando que está no programa para vencer pelo time e pelo lendário Roger Penske.
Em contraste, a United Autosports USA viveu uma dobradinha harmoniosa na LMP2. Phil Fayer, Mikkel Jensen e Hunter McElrea venceram com apenas meio segundo de vantagem sobre o carro irmão. Jensen destacou a surpresa com o ritmo forte da equipe, celebrando o desempenho leal entre os companheiros de box.
A força das estruturas europeias nos EUA
Outro ponto fundamental da edição de 2026 foi a ascensão definitiva das equipes europeias no IMSA WeatherTech Championship. A Manthey Racing, sediada na Alemanha, provou que seu sucesso em Nürburgring pode ser replicado na Flórida. O Porsche nº 911 “Grello” superou o favorito “Roxy” da AO Racing em um esforço que exigiu logística impecável.
Além disso, a Af Corse (Itália) e a United Autosports (Reino Unido) reforçaram essa tendência. A equipe italiana, famosa por sua parceria com a Ferrari em Le Mans, agora domina a Michelin Endurance Cup na categoria GTD. Já a United Autosports, ligada a Zak Brown, adiciona Sebring a um currículo que já inclui vitórias em Daytona e Watkins Glen.
Essa presença internacional eleva o nível da competição, pois traz equipes habituadas ao rigor do WEC para os circuitos americanos. Portanto, o intercâmbio técnico beneficia a categoria como um todo, atraindo mais fãs e patrocinadores globais.
Campeonatos em aberto e pontuações apertadas
Após 36 horas de competição na temporada, as tabelas de classificação mostram um equilíbrio raramente visto. Na GTP, a Porsche Penske lidera com 80 pontos de vantagem. Contudo, nas outras classes, a diferença é mínima. Na LMP2, a distância entre os líderes é de apenas três pontos.
Na GTD PRO, o cenário é de empate técnico entre Paul Miller Racing e Manthey Racing. Enquanto isso, entre os construtores de GT, a BMW sustenta uma pequena vantagem sobre Porsche e Corvette. Na GTD, a Heart of Racing Team lidera a disputa de equipes por 29 pontos, apesar da vitória da Ferrari em Sebring.
Com o encerramento das provas na Flórida, o circo do automobilismo agora se prepara para Long Beach. O asfalto irregular de Sebring deu lugar às ruas estreitas da Califórnia, onde cada ponto conquistado será vital para definir os campeões de 2026.
