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Automobilismo

O cinquentão Rubens Barrichello: uma linda trajetória no automobilismo

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Rubens Barrichello, ou simplesmente Rubinho, completa 50 anos hoje. Um dos maiores e melhores pilotos que o Brasil já produziu tem uma belíssima trajetória de bons serviços ao automobilismo, com corridas e vitórias jamais esquecidas pelos amantes do esporte a motor. Incluo-me na lista e tenho as minhas recordações de grandes momentos seus.

Não é todo mundo que elogia e reconhece o grande piloto que foi – e ainda é – Rubens Barrichello. Após a morte de Ayrton Senna, o brasileiro começou a ter uma relação extremamente perniciosa com a Fórmula 1. E depositou em Rubinho as esperanças de novos títulos brasileiros da categoria, como se ele tivesse herdado o bastão do nosso saudoso tricampeão. A esperança virou pressão, e como os resultados esperados não vinham, a ridicularização foi inevitável.

Quem viu Rubinho correr sabe do seu talento absurdo. Eu já peguei a fase final da sua carreira na F1 – quando ele estava na Honda e logo depois foi para a Brawn GP – e no começo da sua trajetória na Stock Car. Sinto-me privilegiado por tê-lo acompanhado em ambas as categorias. Diferente daqueles com o péssimo hábito de avaliar o automobilismo sob os mesmos critérios do futebol, os amantes desse esporte reconhecem a sua competência.

Rubinho estreou na F1 pela Jordan e passou pela Stewart até desembarcar na Ferrari. Só mesmo alguém com zero conhecimento da categoria para esperar vitórias e títulos antes da sua chegada a Maranello. Ele pilotou carros de medianos para ruins e até que se saiu bem. O GP de Mônaco de 1997 foi um show de Rubinho, que largou na décima posição e chegou em segundo debaixo de muita chuva. A vitória ficou com Michael Schumacher, mas o destaque da corrida foi o brasileiro, que tirou o máximo do modesto carro da Stewart.

Suas boas atuações chamaram a atenção da Ferrari, que o contratou em 2000 para substituir Eddie Irvine e formar o time com Michael Schumacher. Já se sabia da sua inferioridade técnica em relação ao bicampeão, algo a não ser interpretado como demérito, pois o alemão é um dos maiores da história – na humilde opinião deste colunista, o maior de todos os tempos. Ainda assim, guiar uma Ferrari foi o reconhecimento da sua capacidade, um prêmio para uma carreira sofrida com o bônus da ridicularização dos seus próprios compatriotas. Ninguém dirige o carro do comendador Enzo se não for acima da média. E Rubinho certamente não era.

E foi justamente em seu ano de estreia que Barrichello viveu seu grande momento: a primeira vitória na F1 no GP da Alemanha. Rubinho largou em P18, escalou o pelotão com muito arrojo, segurou os dois carros da McLaren e mostrou personalidade ao continuar de pneus slick em plena chuva. Uma vitória inesquecível e recheada de emoções.

Foi a primeira vitória brasileira na F1 após o GP da Austrália de 1993, quando Ayrton Senna fez sua última corrida pela McLaren. Galvão Bueno, sempre ele, deu um show na narração, extraiu o máximo daquele momento antes da bandeirada com ‘’e nós vamos ouvir o tema da vitória que há sete anos não tocávamos’’. Rubinho foi abraçado por Mika Hakkinen e David Coulthard, ambos da McLaren, e claro, pelo companheiro Michael Schumacher. O hino brasileiro tocado com Barrichello se desmanchando em lágrimas coroou uma corrida impecável. Mais do que isso: foi um dos capítulos mais lindos da história brasileira no automobilismo.

Rubinho venceu outras oito corridas pela Ferrari, com destaque para o GP do Reino Unido e o do Japão em 2003. Nessa última, Barrichello largou mal e perdeu posições, mas se recuperou e reassumiu a ponta para não perder mais. Foi a corrida que deu o sexto título mundial a Michael Schumacher, que ultrapassou a marca de Juan Manuel Fangio e passou a ser o maior campeão isolado da história. Schumacher fez um péssimo tempo na volta classificatória e largou em P14, precisando chegar em oitavo ou que Kimi Raikkonen não vencesse. No fim, deu Rubinho, que cumpriu bem o seu papel naquele momento.

Depois da Ferrari, Rubinho correu por três temporadas na Honda. Com a crise financeira de 2008, a equipe japonesa decidiu sair da F1, o que abriu espaço para Ross Brawn montar seu próprio time. Surgia então a Brawn GP e seus carros brancos com detalhes verdes que dominaram a temporada de maneira surpreendente e avassaladora.

Barrichello venceu duas corridas em 2009, ambas repletas de emoção e significado. No GP da Europa, Rubinho triunfou naquela que foi a centésima vitória brasileira na F1 – uma trajetória rica e gloriosa. Eu assisti essa corrida. Era uma criança de 10 anos vibrando com um capítulo de uma história que ela não viu, mas tinha ali uma pequena amostra. Outro episódio que eu guardo com bastante carinho foi a pole de Barrichello no Brasil. Debaixo de muita chuva, ele mostrou um talento de um piloto rápido e inteligente – como sempre foi. São ótimas lembranças da minha infância, quando comecei a me apaixonar por este esporte maravilhoso.

Ele ainda se aventurou pela Fórmula Indy até parar na Stock Car, onde corre até hoje. Rubens Barrichello foi campeão na categoria mais prestigiada do país em 2014, uma conquista repleta de emoção. Ele merecia. Nós merecíamos. Todo mundo merecia ver Rubinho ganhar um título com esse.

Parabéns, Rubens Barrichello. Você fez muito e escreveu páginas inesquecíveis do automobilismo brasileiro. Deu-me alegrias incríveis como torcedor brasileiro. E, acima de tudo, foi e é tido como um piloto de alto calibre para quem conhece o esporte.

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