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Novo Autódromo de Buenos Aires: Oportunidades e ameaças ao Brasil

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O projeto do Autodromo de Buenos para receber a MotoGP. Mas não para ai (fonte: GCBA)

A notícia de que Buenos Aires iniciaria reformas extensas em seu autódromo pareceu não mudar muito o panorama entre o mundo de competições no Brasil. Após anunciar um acordo para voltar a sediar a MotoGP depois de quase 30 anos (a última vez foi em 1999), os argentinos praticamente deixaram o Autódromo Juan e Oscar Galvez quase na Estaca Zero para que estivesse OK para atender aos requisitos da FIM.

A reforma veio em boa hora. Não é de hoje que se fala que a Argentina quer voltar a receber grandes eventos de esporte a motor. O país tem história e um público com uma forte cultura de competição. Porém, anos de problemas econômicos foram deixando este sonho cada vez mais longe, com a Argentina ficando cada vez mais para trás na fila de locais para receber corridas. A saída de Termas de Rio Hondo do calendário da MotoGP foi um belo golpe.

Não se pode negar a influência de Franco Colapinto neste processo. Não é só a MotoGP que Buenos Aires quer,mas também mira outros eventos como o FIA WEC e a F1 (que recebeu até 1998). Para esta profunda remodelação, que envolve a demolição de arquibancadas e realocação do kartódromo, a Prefeitura convocou o escritório do arquiteto Hermann Tilke para planejar todas as modificações de acordo com as recomendações da FIM e da FIA.

O plano argentino passa por duas fases: a primeira é fazer a reforma para atender aos requisitos da FIM para 2027. O traçado escolhido como base foi o chamado “Circuito 5”, atualmente com 5,1km. No fim, terá 4,3km com 14 curvas. A segunda fase aproveita a obra inicial e ainda pega o “Circuito 12”, que tem o mítico curvão Saloto. Aqui, o objetivo é “esticar” a extensão para 4,8km e aqui habilitar para o Grau 1 da FIA e poder receber a F1 e outras categorias, como o FIA WEC.

Proposta dos dois projetos para Buenos Aires: um para MotoGP e outro para F1 e WEC (fonte: Dario Coronel / MYD Sim Racing / X)

Como o Brasil se posiciona?

Como dito no início do texto, aparentemente o Brasil não se preocupa sobre esta ação, tampouco se pronuncia. Podemos até dizer que estamos em um momento positivo, com praças novas como Cuiabá e Chapecó entrando no cenário. Brasília voltou, mas ainda há dúvidas da confirmação do término das obras diante da situação econômica do BRB. Mas o movimento argentino pode dar combustível para duas abordagens:

Ameaça

Hoje, somente Hermanos Rodriguez (Cidade do México) e Interlagos (Brasil) possuem classificação Grau 1 da FIA na América Latina. Jogando o foco na América do Sul, o Brasil perderia a primazia de receber os eventos da FIA/FIM. Em um quadro em que os contratos de provas do FIA WEC e da F1 vão até 2028 e 2030, a aparição da Argentina poderia lançar no ar a idéia de uma possível rotação de eventos entre os dois países. Sem contar a questão da MotoGP encarar a situação de Goiânia depois da prova inicial deste ano e ainda os planos de expansão externa da Indycar (a categoria já esteve fazendo uma ação no país e Ricardo Juncos trabalhou fortemente para trazer a Indy para sua terra natal).

Em momentos em que os organizadores querem aumentar os locais de realização de provas e seus faturamentos, a aparição de um país louco por velocidade pode ajudar e muito a inflacionar valores…

Oportunidades

Um Buenos Aires reformado pode aumentar a integração entre Brasil e Argentina (Stock Car já disputou provas em Buenos Aires). Aqui, não é somente com as categorias existentes mas também potencializando novos projetos. Que tal uma perna sul-americana de Indycar? Temporadas de fórmulas menores como a F4 e a Formula Regional? Ou ainda fomentar cada vez mais o projeto de um Endurance Sul Americano (alô ACO!)? Um autódromo de alto padrão ajuda a subir o nível do esporte a motor não só na Argentina, mas na América do Sul.

Vejamos os próximos capítulos com atenção. Pessoalmente, vejo com bons olhos, já que o autódromo estava precisando há tempos de uma reforma digna do nome (um par de anos atrás, um recapeamento foi feito). A Argentina aproveita o momento. O Brasil deve escolher o mesmo caminho.

 

 

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