ELMS
Iron Lynx e Iron Dames articulam retorno ao grid em 2026
Após colapso do acordo com Lamborghini e turbulência jurídica, projeto mira reconstrução, provável continuidade com Mercedes-AMG e um WEC mais enxuto
O universo do endurance internacional passou boa parte de 2024 e 2025 debatendo o futuro da Iron Lynx e da Iron Dames. As duas bandeiras, que já operam separadamente, vêm sendo alvo de intensa especulação desde o fim abrupto da parceria com a Lamborghini, que previa um programa duplo Hypercar + GT3. O cancelamento do projeto e os desdobramentos legais colocaram em xeque o horizonte das equipes. O cenário ficou ainda mais ruidoso quando veio à tona a venda de uma série de carros da coleção pessoal de Deborah Meyer e Claudio Schiavoni, proprietários da operação. O movimento alimentou rumores de que o objetivo seria estancar fluxo de caixa após gastos que não tiveram retorno competitivo.
Mas, a partir do segundo semestre deste ano, o contorno da narrativa mudou. As conversas de bastidores e a leitura do paddock convergiram para outro norte: o plano é voltar. O retorno não será em 2025. O alvo é 2026. E tanto com Iron Lynx quanto com Iron Dames, cada qual com seu perfil próprio. O mais importante: fontes internas próximas ao programa indicam que os rumores de venda da marca Iron Dames — que circularam com força — não procedem. No entanto, há equipes e grupos monitorando o cenário de perto, e essas organizações já sinalizaram interesse em adquirir a marca caso o programa ficasse inviável.
No plano esportivo, há uma peça que não saiu da mesa: a Mercedes-AMG. No WEC, a Iron Lynx segue como a candidata natural para dar continuidade ao programa LMGT3 da marca alemã, desde que haja clientes para viabilizar a inscrição. Nesta semana, inclusive, o time esteve em Portimão testando potenciais clientes vindos da ELMS, em um movimento claro de montagem de base para 2026.
E existe outra parte: mesmo na hipótese de a Iron Lynx não conseguir seguir, há confiança no paddock de que a Mercedes-AMG permanecerá com carro no LMGT3. Outras equipes já deixaram claro que têm interesse em absorver esse lugar.
Já o futuro da Iron Dames toma forma em outro formato: o retorno em 2026 é tido como o cenário mais provável, mas com uma estrutura significativamente reduzida. A tendência é que o projeto feminino tenha um único Porsche apoiado pela Manthey no FIA WEC. Não haverá Estados Unidos — a lista da IMSA 2026 confirmou isso. E também não é esperado que o programa volte à ELMS ou à Le Mans Cup no ano que vem.
Mesmo com o downsizing em perspectiva, o currículo recente segue relevante: a vitória em Silverstone, na Michelin Le Mans Cup, colocou as Dames em um grupo seletíssimo ao lado da Cool Racing/CLX Motorsport: são as únicas equipes na história a vencer provas pontuadas em todas as categorias da escada LMEM/ACO — Ligier European Series, Michelin Le Mans Cup, ELMS e FIA WEC.
O recado para 2026, portanto, é cristalino: o programa não acabou. Mas ele voltará diferente. O próximo capítulo está sendo escrito agora.
