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Fórmula 1

FIA volta a cometer o mesmo erro 8 anos após acidente de Jules Bianchi

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Entidade máxima do automobilismo ignora o acidente do piloto francês que ocorreu oito anos antes e que levou a morte após nove meses em coma.

Domingo, 5 de Outubro de 2015, um dia que nunca seria esquecido pelo fã de Fórmula 1, mas para a FIA após oito anos caiu no esquecimento.  Jules Bianchi. jovem promessa francesa, piloto da academia da Ferrari, teve seu destino modificado por conta das decisões da FIA em manter uma prova com chuva e um trator dentro da pista. 

Relembrando os fatos

Foi em uma corrida sobre um tufão que tudo aconteceu. Era um domingo 5 de Outubro de 2015. Uma corrida sobre aquela circunstâncias pedia muita cautela da direção de prova, mas isso não ocorreu. Pouco antes do acidente, vários pilotos estavam relatando pelo radio que a pista não apresentava condições de corrida e pediam o cancelamento da prova.

 Após a batida de Adrian Sutil a direção de prova não colocou o carro de segurança na pista, optou somente por agitar as bandeiras amarelas, colocou um guindaste em uma área de escape que muitos pilotos ao longo dos anos sofreram acidentes e mesmo assim deixaram sem o Safety Car.

Na volta 44, Jules colidiu com um guindaste que estava na área de escape para a retirada da Sauber de Adrian Suttil que havia batido na barreira de pneus uma volta antes.  Como consequência do acidente o piloto francês sofreu uma lesão axonal difusa o que deixou ele em estado vegetativo até o dia 17 de Julho de 2015 quando o piloto não aguentou e morreu.

Durante a investigação, vários pontos foram levantados como erros que poderiam ser evitados, como a falta do safety car, a forte chuva que poderia ocasionar a bandeira vermelha da prova, entre outros. Para a comissão que foi criada para a investigação o piloto poderia ter evitado o acidente se tivesse diminuído a velocidade, fato que eles falam que não ocorreu com somente as bandeiras amarelas sendo agitadas.
Quase um ano após a morte de Jules Bianchi a família do piloto decidiu entrar com um processo contra a FIA, F1 e a Marussia. O motivo do processo era punir os culpados pelo acidente, já que na investigação feita após o acidente, vários pontos foram levantados como erros que poderiam ser evitados, mas o único culpado foi o piloto.
Na ocasião, para a FIA e a FOM culpar o piloto foi a solução mesmo sabendo que naquela corrida os erros cometidos pelos comissários tiveram uma enorme parcela de culpa assim não causariam problemas com os organizadores do grande premio. A única coisa boa feita até hoje foi a inclusão do Halo que salvou a vida de muitos pilotos.

09 de outubro de 2022

Desde o inicio da semana sabia da previsão de chuvas fortes para o domingo, mas as informações iniciais eram de chuva pós corrida. Com o dia se aproximando a previsão foi mudando e a organização não fez nada a respeito, muito pelo contrário, mantiveram o horário da prova e o pior cometeram os mesmos erros novamente.

Oito anos depois, a FIA volta a cometer o mesmo erro, desta vez não com um, mas com dois tratores dentro da pista e um fiscal no meio, para efetuar o resgate do carro de Carlos Sainz Jr. 

Onboard do carro de Pierre Gasly

Onboard do carro de Pierre Gasly
Foto: Reprodução

Pelo rádio Pierre Gasly soltou o verbo na hora que encontrou os tratores  “O que é isso? O que é esse trator na pista!? Passei ao lado dele. Isso é inaceitável. Lembre-se do que aconteceu. Não posso acreditar nisso”.  

No Instagram Philippe Bianchi, pai de Jules também soltou o verbo. “Não há respeito pela vida do piloto e não há respeito pela memória de Jules. Incrível”.

 

E adivinhem… surpreendendo um total de zero pessoas a FIA decidiu investigar Gasly por excesso de velocidade e punir o piloto francês. 

“Suposta violação do Artigo 57.2 do Regulamento Esportivo da F1 – Excesso de velocidade sob condições de bandeira vermelha. O carro 10 atingiu velocidades de até 250 km/h ao completar a volta sob bandeira vermelha após passar pelo local do incidente”, declarou a entidade. Após a interrupção do GP do Japão, Gasly foi ao encontro do diretor de prova em Suzuka, o português Eduardo Freitas. Quanto à ‘presença’ dos veículos na pista, de acordo com o apêndice H do Código Esportivo Internacional da FIA, “nenhum comissário ou veículo deve entrar no perímetro do circuito sem permissão do controle de corrida”, o que também contribui para a polêmica desta madrugada. “De acordo com o artigo 15.6 do regulamento desportivo, o diretor de prova “deve estar em contato via rádio com o secretário do percurso e com o presidente dos comissários em todos os momentos em que os carros são autorizados a circular na pista. Além disso, o secretário do percurso deve estar no controle da corrida e em contato por rádio com todos os postos de comissários durante esses horários.”

Carlos Sainz, piloto que se acidentou também fez sua declaração conta a decisão dos comissários: “Se um piloto decide sair um pouco da linha de corrida, tem uma pequena aquaplanagem ou tem que apertar um botão no volante, saindo um pouco da linha, e aí ele bate em um trator, então tudo pode ‘acabar’, não?…Ainda não sei por que nestas condições continuamos arriscando ter um trator na pista, porque é simplesmente inútil. Se você vai sinalizar algo de qualquer maneira, por que arriscar?”, declarou Sainz.

Não importa o que aconteça, a FIA irá fugir de suas responsabilidades e sempre culpará os pilotos pelos erros, já que naquela situação independente da velocidade os tratores não deveriam estar na pista.

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