24h de Le Mans
Ferrari AF Corse nº83 conquista vitória histórica em Le Mans após resistência feroz da Porsche
Kubica, Ye e Hanson superam rivais de fábrica e batem recorde de voltas na Hypercar com triunfo memorável nas 24 Horas de Le Mans 2025
A Ferrari garantiu sua terceira vitória consecutiva nas 24 Horas de Le Mans, mas, desta vez, com um toque especial: o triunfo foi alcançado pelo carro privado número 83 da AF Corse, superando os esforços das equipes oficiais da marca italiana e uma investida tardia e determinada do Porsche nº6 da Penske Motorsport. O trio formado por Robert Kubica, Yifei Ye e Phil Hanson brilhou na icônica pista de La Sarthe e assegurou um resultado inédito para o time satélite, em uma edição marcada por equilíbrio, estratégia e resistência até o fim.
Foi a primeira vitória geral em Le Mans para os três pilotos do Ferrari AF Corse 499P nº83, todos novatos no topo do pódio da prova francesa. O resultado também representa o segundo triunfo da Ferrari no Campeonato Mundial de Endurance (WEC) na atual temporada, após a vitória no Lone Star Le Mans. A vitória de 2025 confirma o domínio recente do Cavallino Rampante em Sarthe, que também venceu com seus carros de fábrica em 2023 e 2024.
A virada na corrida começou a se desenhar por volta da 20ª hora, quando a Ferrari oficial #51 perdeu tempo decisivo em uma sequência infeliz de pit stops. Forçada a parar duas vezes em rápida sucessão após uma bandeira amarela mal calculada, a situação piorou quando Alessandro Pier Guidi escapou para a brita e desperdiçou cerca de 50 segundos. A partir dali, o carro nº83 assumiu a liderança e, apesar de especulações sobre ordens de equipe, manteve-se firme no topo.
No entanto, a corrida esteve longe de ser tranquila nas horas finais. Kevin Estre, no Porsche nº6 da Penske, encurtou a vantagem para apenas dez segundos após uma parada final rápida, apenas para reabastecimento, enquanto Kubica calçava pneus novos. A estratégia da Ferrari se mostrou mais eficiente, com o polonês consolidando a vitória ao cruzar a linha de chegada com uma vantagem de 14,084 segundos após 387 voltas — novo recorde de distância para a era Hypercar em Le Mans, superando as 380 voltas da Toyota em 2022.
O pódio foi completado pela Ferrari nº51 de Pier Guidi, Giovinazzi e Calado, que superou na parte final a irmã #50, guiada por Fuoco, Molina e Nielsen, vencedora do ano anterior. O Porsche nº5, com Christensen, Andlauer e Jaminet, não teve desempenho competitivo e terminou em sétimo, enquanto o #4 ficou em nono.
Os carros da equipe britânica Hertz Team JOTA, com os Cadillacs nº12 e nº38, também não conseguiram se manter no ritmo da disputa principal, mesmo após um forte desempenho nos treinos classificatórios. O nº12 de Stevens, Lynn e Nato terminou em quinto, e o nº38, de Bourdais, Button e Bamber, foi oitavo.
A Toyota enfrentou dificuldades ao longo da prova. O nº7, com pintura retrô, sofreu com uma escapada de Kamui Kobayashi e uma penalização nos boxes, encerrando em sexto. Já o nº8, principal esperança da equipe japonesa, caiu drasticamente após falhas mecânicas que o deixaram sete voltas atrás dos líderes, fechando apenas em 16º lugar.
Entre os franceses, a Alpine saiu por cima em um fim de semana difícil, com o A424 nº35 terminando em décimo, uma posição à frente do nº36. A Peugeot não passou da 12ª colocação com o nº94, e o nº93 teve problemas desde o início.
Na estreia dos hipercarros Valkyrie da Aston Martin, o carro nº009 foi o melhor entre os britânicos, completando a prova em 13º, três voltas atrás. A BMW viu sua expectativa de duplo top 10 ser frustrada nos minutos finais, com falhas mecânicas nos carros nº20 e nº15, que terminaram respectivamente em 18º e último entre os Hypercars.
As únicas desistências da principal categoria foram os Cadillacs adicionais da Action Express e Wayne Taylor Racing, que abandonaram com falhas de potência durante a madrugada.
Com poucas interrupções — apenas um safety car e dez bandeiras amarelas —, a edição de 2025 das 24 Horas de Le Mans foi marcada pela resistência pura e pela competência estratégica. A vitória da Ferrari nº83 não só representa um momento histórico para os pilotos e a equipe AF Corse, como também reitera a força do projeto 499P, mesmo quando operado fora da estrutura de fábrica.
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