Dakar
Dakar 2026 entra para a história com final inacreditável e consagrações épicas
Vitória decidida por segundos nas motos, sexto título de Al Attiyah nos carros e reviravoltas dramáticas marcam uma das edições mais imprevisíveis de todos os tempos
O Dakar de 2026 será lembrado como um daqueles eventos raros do esporte mundial em que o desfecho desafia qualquer previsão e muda tudo em questão de instantes. Assim como momentos históricos de outras modalidades, a edição deste ano do maior rali do planeta teve um final absolutamente chocante, especialmente na categoria de motos, onde Luciano Benavides superou Ricky Brabec por apenas dois segundos — a menor diferença já registrada na história do Dakar.
A decisão veio de forma cruel e dramática. Liderando a prova com relativa tranquilidade, Brabec cometeu um erro de navegação a apenas 7 km da linha de chegada da etapa final, desviando levemente da rota correta e sendo obrigado a percorrer cerca de três quilômetros extras para retornar ao trajeto. O tempo perdido foi suficiente para que Benavides, sólido e consistente até o fim, cruzasse a linha de chegada e aguardasse, incrédulo, a confirmação da vitória. O argentino conquistou assim o primeiro Dakar da carreira, juntando seu nome ao do irmão Kevin Benavides, vencedor em 2021 e 2023, e levando a Red Bull KTM Factory Racing à 21ª vitória na prova.
O duelo entre KTM e Honda marcou toda a edição. Após a queda de Daniel Sanders e a lesão de Tosha Schareina, Brabec assumiu o protagonismo pela Monster Energy Honda HRC, travando uma batalha estratégica intensa com Luciano Benavides. O roteiro parecia perfeito para o americano, que iniciou a última especial com mais de três minutos de vantagem, até que o improvável aconteceu no deserto saudita.
Nos carros, o Dakar 2026 também teve um protagonista incontestável. Nasser Al Attiyah escreveu mais um capítulo de sua lendária trajetória ao conquistar seu sexto título na categoria, desta vez com a Dacia. Com uma performance marcada por controle absoluto, leitura precisa da prova e estratégia impecável, o catariano superou nomes de peso como Nani Roma e Mattias Ekström, ambos com os Ford Raptor, enquanto Sébastien Loeb terminou fora do pódio pela primeira vez em sua carreira no Dakar. Al Attiyah agora se aproxima ainda mais dos recordes históricos, ficando entre Ari Vatanen e Stéphane Peterhansel em número de vitórias.
Outras categorias também tiveram resultados marcantes. Kevin Benavides celebrou o sucesso do irmão vencendo na Challenger, embora o título geral tenha ficado com o espanhol Pau Navarro, com ampla vantagem. Nos SSVs, Brock Heger defendeu com autoridade seu título, enquanto nos caminhões o lituano Vaidotas Zala conquistou a vitória em apenas sua segunda participação. Ao todo, 246 dos 317 veículos que largaram conseguiram completar o rali em Yanbu, coroando um Dakar que ficará eternamente gravado na memória do esporte.
