WEC
WEC: COTA abre segunda metade da temporada com disputa acirrada entre Toyota e BMW
Lone Star Le Mans marca o retorno do campeonato após a pausa de verão e coloca em jogo um histórico de equilíbrio no Circuito das Américas
O Campeonato Mundial de Endurance da FIA retorna neste fim de semana para a segunda metade da temporada de 2026. Entre os dias 4 e 6 de setembro, o Circuito das Américas, em Austin, recebe a Lone Star Le Mans, quinta etapa do campeonato.
A prova marca a 15ª visita do FIA WEC à América do Norte. Além disso, será a 75ª corrida de seis horas e a 40ª disputa da categoria Hypercar desde a criação do campeonato.
O COTA entrou no calendário do WEC pela primeira vez em 2013. Desde então, o circuito passou a ocupar espaço importante na temporada. O traçado combina mudanças de elevação, curvas rápidas, setores técnicos e fortes pontos de frenagem.
Circuito exige dos carros e pilotos
Com 5,513 quilômetros e 20 curvas, o Circuito das Américas é percorrido no sentido anti-horário. A pista também é conhecida pela subida bastante acentuada até a curva 1, chamada de “Big Red”.
Depois da primeira curva, os pilotos encontram uma sequência de trechos rápidos. O circuito também conta com uma seção técnica formada pelas curvas 16, 17 e 18, que possuem três ápices.
As características do COTA aumentam a exigência sobre pneus e freios. Além disso, os Hypercars podem superar os 315 km/h durante a volta.
Histórico também inclui provas marcantes
O circuito texano também ficou conhecido por corridas decididas nos detalhes. Em 2017, a chegada da prova de Hypercar registrou a menor diferença entre dois carros sob bandeira verde na história do campeonato até então, com apenas 0,276 segundo separando os primeiros colocados.
No LMGT3, a edição do ano passado também teve uma chegada apertada. A diferença de 0,256 segundo estabeleceu o resultado mais próximo da história da categoria até aquele momento.
Contudo, o COTA também apresenta um histórico de elevado número de abandonos. Em 2024, oito equipes não completaram a corrida. No ano seguinte, sete ficaram fora da bandeirada final.
Toyota e BMW chegam na briga pela liderança
A disputa pelo Campeonato Mundial de Pilotos chega ao Texas completamente equilibrada. A classificação apresenta empate na liderança antes da retomada da temporada.
Entre os fabricantes, a diferença também é pequena. A Toyota, atual detentora de vários títulos, lidera a classificação, mas tem apenas cinco pontos de vantagem sobre a BMW.
As duas marcas venceram duas corridas cada em 2026. Apesar disso, nenhuma delas conseguiu vencer anteriormente no Circuito das Américas.
A Toyota, inclusive, ainda busca seu primeiro triunfo no COTA. A pista está entre as quatro do histórico do FIA WEC onde a fabricante japonesa ainda não venceu.
Toyota tenta superar retrospecto no COTA
A Toyota conta com uma relação particular com o circuito texano. Embora a marca ainda não tenha conquistado uma vitória no local, seus pilotos já tiveram resultados importantes na pista.
Brendon Hartley venceu três vezes consecutivas no COTA, entre 2015 e 2017. Naquele período, o neozelandês competia pela Porsche.
Sébastien Buemi e Mike Conway também possuem um retrospecto especial. Os dois são os únicos pilotos que participaram de todas as edições anteriores do FIA WEC realizadas no Circuito das Américas.
BMW também tem bons resultados no Texas
A BMW chega a Austin com um retrospecto recente positivo. Sheldon van der Linde registrou a volta mais rápida de todo o fim de semana da edição de 2025.
O sul-africano estabeleceu a marca durante o segundo treino livre. Em 2026, ele divide o BMW M Hybrid V8 número 20 com René Rast e Robin Frijns.
O trio chega ao COTA como líder do Campeonato Mundial de Pilotos. Portanto, a etapa terá importância direta para a manutenção da vantagem na classificação.
Cadillac busca repetir evolução
A Cadillac também chega ao Texas em um momento de recuperação. A fabricante conquistou seu primeiro pódio da temporada nas 6 Horas de São Paulo, realizadas antes da pausa de verão.
O V-Series.R administrado pela Cadillac Hertz Team JOTA apresentou resultados competitivos ao longo da primeira metade do campeonato. Agora, a equipe tenta manter esse desempenho em uma etapa considerada especial para a marca.
Norman Nato e Earl Bamber já venceram no COTA. Bamber, inclusive, conquistou a vitória que ajudou sua campanha rumo ao título mundial de 2017.
Para a etapa de 2026, Ricky Taylor reforçará a formação da equipe. O norte-americano será integrado ao Cadillac Hertz Team JOTA para a disputa em Austin.
Ferrari tem histórico forte no circuito
A Ferrari também aparece entre as equipes que chegam ao Texas com um retrospecto importante. O Ferrari 499P possui uma taxa de pódios de 50% nas participações no COTA.
A marca também conquistou as duas primeiras posições do grid nas edições de 2024 e 2025. Em ambas as ocasiões, um dos carros da Ferrari largou da pole position.
Em 2024, o Ferrari 499P número 83 venceu a Lone Star Le Mans. No ano seguinte, o carro número 50 terminou a corrida na segunda posição.
O histórico recente coloca a Ferrari entre as principais referências da etapa. Agora, a fabricante busca voltar à disputa pela liderança do campeonato depois de resultados importantes na primeira metade da temporada.
Peugeot também tem lembranças positivas
A Peugeot conquistou seu primeiro pódio no COTA em 2025. O resultado marcou uma evolução da fabricante no circuito norte-americano.
O francês Loïc Duval também possui uma relação histórica com a pista. Ele estabeleceu o recorde oficial de volta do circuito em 2016.
Duval também participou da primeira vitória do WEC no COTA. Naquela ocasião, o francês integrava a equipe Audi vencedora da corrida inaugural realizada no circuito.
Qualificação pode ter peso decisivo
O histórico da Lone Star Le Mans mostra que largar na frente pode representar uma vantagem importante. Até hoje, nenhuma edição da prova foi vencida por um carro que largou abaixo da quarta posição.
Além disso, seis das oito corridas realizadas no COTA tiveram uma mesma marca ocupando toda a primeira fila. Ferrari foi a fabricante responsável por esse feito nas edições de 2024 e 2025.
Por outro lado, o histórico também mostra que a posição de largada não garante o resultado final. A combinação entre estratégia, condições de pista e resistência dos carros costuma ter papel importante durante as seis horas.
Corvette busca terceira vitória consecutiva
A disputa pelo título também chama atenção na classe LMGT3. A Corvette lidera a classificação na metade da temporada, depois de conquistar vitórias nas 24 Horas de Le Mans e nas 6 Horas de São Paulo.
O Corvette Z06 número 33 venceu em Le Mans. Na etapa brasileira, o triunfo ficou com o carro número 34.
A sequência representa um feito importante para uma fabricante norte-americana. Contudo, a Corvette ainda não venceu uma prova do FIA WEC em território dos Estados Unidos.
No COTA, a marca possui apenas um pódio. O resultado aconteceu em 2016.
Pilotos americanos ganham destaque
A etapa de Austin também terá um marco para Ben Keating. O piloto norte-americano, natural da região de Houston, alcançará sua 45ª participação no FIA WEC.
Com isso, Keating passará a ser o piloto dos Estados Unidos com o maior número de largadas no campeonato. A lista de inscritos para a Lone Star Le Mans conta com oito pilotos norte-americanos.
Entre eles está Logan Sargeant, ex-piloto da Fórmula 1, que compete pela Proton Competition. Ao todo, 95 pilotos dos Estados Unidos já participaram do FIA WEC, número inferior apenas aos representantes da França e do Reino Unido.
Aston Martin tenta manter sequência
A Aston Martin também chega a Austin com um retrospecto relevante no LMGT3. As duas primeiras corridas da categoria no COTA foram vencidas por fabricantes britânicas.
Em 2024, a Heart of Racing Team venceu a prova. A conquista continua sendo a única vitória da Aston Martin na classe obtida a partir da pole position.
No ano seguinte, a McLaren conquistou sua primeira vitória no campeonato. O triunfo veio após uma penalização aplicada depois da corrida ao Ferrari número 54 da VISTA AF Corse.
A Aston Martin também carrega uma sequência particular para a etapa. A fabricante conquistou poles consecutivas em La Sarthe e Interlagos antes de chegar ao Texas.
Ford chega forte na Hyperpole
A Ford também teve destaque na classificação do LMGT3 em 2025. Os dois Mustang da Proton Competition dominaram a Hyperpole no COTA e garantiram as primeiras posições da sessão decisiva.
Contudo, o bom desempenho na classificação não se transformou em resultado equivalente na corrida. Desde então, nenhum dos carros da categoria que largou da pole no COTA conseguiu terminar acima da oitava posição.
Além disso, os pole-sitters do LMGT3 não somaram pontos posteriormente no campeonato. O retrospecto reforça a importância de transformar a velocidade em uma estratégia eficiente durante as seis horas.
Com a disputa entre Toyota e BMW equilibrada no Hypercar e diferentes fabricantes buscando protagonismo nas duas classes, a Lone Star Le Mans abre a segunda metade da temporada de 2026 com vários cenários ainda em aberto. O COTA, por sua vez, volta a ser palco de uma etapa marcada pelo histórico de chegadas apertadas, mudanças climáticas e forte exigência sobre os carros.
