Fórmula 1
Verstappen, o rei de Zandvoort – e da atual F1
O GP da Holanda é disputado no circuito de Zandvoort, uma pista que eu considero bem enfadonha e sem atrativos. Curvas com inclinação considerável, pouquíssimos pontos de ultrapassagem e apenas uma zona para utilização do DRS realmente considerável. Em suma, é um porre.
Mas por qual razão Zandvoort voltou ao calendário da Fórmula 1? Bom, na F1 da Liberty, quem paga bem, leva. Para além da mera questão pecuniária, existe um fator que elucida totalmente a questão: o fenômeno Max Verstappen. Pela primeira vez os holandeses podem acompanhar um piloto holandês disputando títulos e andando na frente. Uma corrida na Holanda com uma prata da casa na dianteira é um espetáculo à parte.
Pois bem, o holandês mostrou o porquê de ser o melhor piloto da temporada. Em uma corrida desafiadora, com algumas reviravoltas e entrada de Safety Car, Verstappen foi frio e acelerou tudo quando necessário, não deu a menor chance para os adversários e colocou mais uma vitória no currículo – a décima na temporada, trigésima na carreira.
Teve de tudo um pouco neste GP da Holanda. A Ferrari, única adversária com chance de acabar com a festa laranja, não teve ritmo para lutar pela vitória. Charles Leclerc largou de pneu macio, tentou imprimir um ritmo forte na caça a Max Verstappen e até chegou a estar menos de 1s atrás. Porém, não conseguiu manter a mesma toada e parou para colocar o composto médio – seus pneus estavam bastante desgastados – antes do líder da prova.
Se dessa vez Leclerc não foi prejudicado pela escuderia italiana, não se pode dizer o mesmo do seu companheiro. Carlos Sainz foi a vítima da Ferrari em Zandvoort: uma parada ridícula após os mecânicos esquecerem o pneu traseiro esquerdo na hora da troca. É erro de amadores, não de uma equipe como a Ferrari, cuja biografia se confunde com a da própria Fórmula 1. Um time que já foi símbolo de excelência é motivo de chacota.
A Mercedes, terceira força desta temporada, conseguiu um bom ritmo de corrida e ensaiou uma briga pela vitória com Lewis Hamilton. O heptacampeão largou de pneu médio, bem como o seu companheiro, George Russel, e fez uma ótima corrida. Mas o SC provocado pela quebra de Valtteri Bottas alijou suas pretensões: a escuderia alemã o manteve na pista com um composto médio cinco voltas mais desgastado que o macio de Verstappen. Não deu outra: o atual campeão fez a ultrapassagem logo na relargada.
Notas positivas merecedoras de destaque: George Russell e Lance Stroll. O britânico da Mercedes mostrou mais uma ótima performance e conquistou uma segunda colocação importante. Sua pilotagem em alto nível o credencia como futuro campeão – não tenho dúvidas disso. Já o canadense da Aston Martin chegou em P10 e levou um ponto para casa. A AM começou muito mal a temporada e próprio Stroll sempre teve a sua capacidade colocada em xeque. Nas últimas cinco corridas, ele chegou à frente de Sebastian Vettel em quatro. Derrotar um tetracampeão com o mesmo equipamento não é para qualquer um.
No mais, fica tudo para Max Verstappen. Venceu em casa – sempre um momento especial na carreira de qualquer piloto – e somou o décimo triunfo em 2022. Não é nada impossível que ele supere o recorde de vitórias no mesmo ano: Michael Schumacher e Sebastian Vettel subiram no lugar mais alto do pódio 13 vezes em uma temporada. Restam sete corridas para o fim do campeonato. Com essa joia rara chamada RB18 em mãos, Verstappen tem tudo para alcançar mais essa marca relevante na carreira.
Os haters sempre vão arrumar uma desculpa para não reconhecer o óbvio. No qualy do sábado, falaram em incidente proposital de Sérgio Perez para garantir a sua pole – como se um piloto pudesse fazer isso em uma das curvas mais perigosas do circuito e as Mercedes fossem ameaça suficiente. Verstappen nunca tem mérito. Alguém faz sempre a mágica acontecer.
Para os amantes do automobilismo, a sensação é uma só: ver a história sendo escrita. Michael Schumacher na Ferrari, Sebastian Vettel na Red Bull e Lewis Hamilton na Mercedes foram hegemonias que mostraram a beleza desse esporte quando a conjunto carro-piloto é magnífico. Pois bem, Max Verstappen e Red Bull passaram anos sem a possibilidade de brigar pelo título, mas vivem dias gloriosos. Verstappen foi o rei de Zandvoort – e é o rei da F1 atual.
