SportsCar Championship
Três grandes conclusões da 64ª edição das 24 Horas de Daytona
Vitórias históricas, recuperações memoráveis e domínio alemão marcaram uma das edições mais equilibradas e emblemáticas da Rolex 24
A 64ª edição das 24 Horas de Daytona ficará marcada como uma das mais intensas, imprevisíveis e simbólicas da história recente do endurance mundial. A tradicional prova que abre a temporada do IMSA WeatherTech SportsCar Championship reuniu todos os ingredientes que fazem da Rolex 24 um evento único: drama, estratégia, talento em abundância e decisões definidas apenas nos instantes finais. Entre recordes incomuns, disputas milimétricas e feitos históricos, três conclusões se destacam após 24 horas de competição no Daytona International Speedway.
A primeira delas envolve recordes. Nem todos foram positivos à primeira vista, mas todos entraram para a história. A corrida registrou a mais longa neutralização já vista na prova, com mais de seis horas e meia sob bandeira amarela durante a madrugada, consequência de um forte nevoeiro provocado pela alta umidade. Quando as condições melhoraram, o espetáculo voltou com força total, e o público respondeu à altura: a organização confirmou um público recorde pouco antes da última hora de corrida. Em pista, o equilíbrio foi absoluto. As quatro categorias chegaram às voltas finais com disputas abertas, algo que se reflete nos números. A soma das margens de vitória nas quatro classes foi de apenas 10,749 segundos após um dia inteiro de prova, com nove carros da GTP, dois da LMP2, seis da GTD PRO e seis da GTD completando a corrida na mesma volta do líder de suas respectivas categorias.
A segunda grande conclusão reforça um nome e uma estrutura que já fazem parte da realeza de Daytona: Felipe Nasr, Porsche e Penske. A Porsche Penske Motorsport conquistou sua terceira vitória consecutiva na Rolex 24, um feito alcançado anteriormente apenas por equipes como Wayne Taylor Racing e Chip Ganassi Racing. A vitória de 2026 foi a quarta geral da PPM na prova e ocorreu exatamente 60 anos após sua primeira conquista em Daytona, em 1966. Para Felipe Nasr, o resultado teve um peso ainda maior. O brasileiro conquistou seu terceiro Rolex Daytona consecutivo, igualando nomes lendários como Peter Gregg e Helio Castroneves, além de chegar à marca de quatro vitórias na prova somando o triunfo na GTD PRO em 2022. Em uma corrida que reuniu estrelas globais do automobilismo, foram justamente os profissionais da IMSA que decidiram o desfecho na linha de chegada.
A terceira conclusão reforça um dos maiores lemas do endurance: não importa onde se começa, mas onde se termina. Recuperações impressionantes deram o tom da edição. O Cadillac V-Series.R nº 31 da Whelen e o BMW M4 GT3 EVO nº 1 da Paul Miller Racing protagonizaram campanhas quase perfeitas após largarem em posições desfavoráveis. O Cadillac chegou a lutar diretamente pela vitória geral, terminando a apenas 1,569 segundos do Porsche vencedor, mesmo após cumprir penalizações. Já a Paul Miller Racing realizou uma escalada impecável na GTD PRO, superando todos os adversários para vencer a categoria após perder posições no grid por infração técnica.
O mesmo roteiro de superação foi visto na LMP2, com o ORECA nº 04 da CrowdStrike Racing by APR. Após largar em oitavo e cair para o fundo do pelotão logo na primeira volta, a equipe manteve a calma, evitou erros e executou uma corrida precisa, garantindo a vitória após uma recuperação exemplar. A combinação entre experiência, juventude e gestão inteligente do equipamento foi decisiva para o triunfo.
Por fim, a edição de 2026 também consolidou um domínio claro das marcas alemãs. Porsche, BMW e Mercedes-AMG venceram, respectivamente, as categorias GTP, GTD PRO e GTD, transformando Daytona em uma verdadeira celebração da indústria automobilística da Alemanha. Equipes como Porsche Penske Motorsport, Paul Miller Racing e Winward Racing ampliaram suas histórias de sucesso na prova, reforçando a força e a profundidade técnica das marcas que representam.
A Rolex 24 de 2026 entregou tudo o que se espera de uma grande corrida de endurance: equilíbrio extremo, feitos históricos, emoção até a bandeira quadriculada e a certeza de que, em Daytona, cada volta pode mudar tudo.
