Entre em contato conosco

Fórmula 1

Segunda Bandeirada #51: Campeonato mais aberto do que nunca

Publicado:

em

A briga pelo campeonato em 2025 não é mais vistosa de todos os tempos. Não tem a pompa da rivalidade extrema entre dois pilotos de times diferentes como teve 1976 com Niki Lauda vs James Hunt e 2021 com Lewis Hamilton vs Max Verstappen. Não se vê uma briga de equipes tão acirrada como em 1994 com Michael Schumacher vs Damon Hill, 2006 com o mesmo Schumacher contra Fernando Alonso e 2007 com a dupla da McLaren vs Kimi Raikkonen – ambas as situações, os pilotos foram marionetes em alguma medida dos seus times. Também não há o entrevero doméstico como em 1987 com Nelson Piquet vs Nigel Mansell, 1989 com Alain Prost vs Ayrton Senna e 2016 com Lewis Hamilton vs Nico Rosberg. Não é o caso.

Quem acompanhou atentamente cada uma dessas disputas sabe do que estou falando. Havia algo diferente naquelas brigas dentro e fora das pistas que fazia os amantes do esporte a motor esperarem dias pelas corridas, sempre com o frio na barriga e os olhos arregalados para captar o que aconteceu. A disputa deste ano está longe de ser ruim, não é essa a questão. Mas, pelo menos até agora, é uma querela de dois pilotos com potencial enorme contra um campeão já consagrado no auge da carreira, com a dupla formada por Oscar Piastri e Lando Norris tendo um carro nas mãos que é o melhor do grid em praticamente todos os aspectos, ao passo que Max Verstappen tenta compensar a desvantagem de máquina no talento puro. E até consegue.

Mesmo que não empolgue como disputas pretéritas merecedoras de histórias imortalizadas em livros, a briga pelo título desse ano está mais aberta do que nunca e promete pegar fogo com a diretiva estreante em Barcelona. E a vitória incontestável de Lando Norris no Grande Prêmio de Mônaco foi fundamental para embolar tudo outra vez.

Como era de se esperar, a corrida foi decidida no treino classificatório. Norris fez uma volta incrível e tomou a pole de Charles Leclerc com o tempo de 1min09seg954 – recorde da pista. A partir daí, seria um filme conhecido: manter a ponta na largada, não cometer nenhum erro e administrar o ritmo para rumar tranquilamente até a bandeirada final. As ruas do principado praticamente não permitem ultrapassagens, e só com uma grande bobagem do piloto ou da equipe na parada que se pode perder após largar em primeiro.

E esse foi o script da corrida. Norris foi preciso sem qualquer necessidade de ser brilhante. Fez uma corrida perfeita, não cometeu nenhum erro, deu chance zero ao azar e extraiu o máximo do seu carro. É isso que se espera dele.

Alguns apressadinhos já davam Norris como carta fora do baralho. É fato que ele começou mal a temporada e errou mais do que deveria. Mas é fato também que ele é mais rápido que Piastri e tem um repertório maior que o companheiro. Falta confirmar tal potencial em desempenhos incontestáveis, mas aos poucos a maré ruim vai ficando para trás.

Aliás, se a FIA tinha como objetivo dar emoção à corrida com a obrigatoriedade de duas paradas, falhou miseravelmente. Mônaco gera corridas tediosas pela pista em si e pelo traçado absurdamente próximo dos muros. Não seria um undercut que mudaria muita coisa. O que se viu foi gente tirando o pé de propósito para segurar quem vinha atrás e ajudar o companheiro de equipe. Carlos Sainz ficou furioso e detonou a postura da Racing Bulls após Liam Lawson andar feito tartaruga. Foi uma crítica contundente e ácida com certa razão. Não existe nada pior que ficar na traseira de um carro lento de propósito.

Foi uma corrida sem emoções mesmo. Ao contrário da situação do campeonato. Com a vitória, Norris vai a 158 pontos e fica a três do líder Piastri. Com uma desvantagem de 25 pontos, Verstappen é o intruso no duelo doméstico da McLaren. Falta carro, mas há esperança: a nova diretiva acerca das asas flexíveis passa a valer neste fim de semana e promete atingir em cheio McLaren e Mercedes. Se for o caso, o tetracampeão será um forte candidato ao título – nem precisa do melhor carro, basta uma situação minimamente parelha para o talento absurdo do holandês sobressair perante o resto.

Enfim, temos campeonato. E ele está mais aberto do que nunca.

Foto: McLaren

Compartilhe esta publicação
Clique para Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.