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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #48: Como disputar um campeonato

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Foto: McLaren
Foto: McLaren

Como diria Juan Manuel Fangio, carreras son carreras. Existem muitas formas de disputar uma corrida e até mesmo de vencê-las, nada é igual. Num esporte multifacetado como o automobilismo, você vence de um jeito e pode conquistar o mesmo resultado fazendo tudo diferente. Como digo há muito tempo, é o esporte do imponderável, tudo pode mudar num instante.

Imaginem então a vitória de Oscar Piastri no Grande Prêmio da Arábia Saudita. Não foi um triunfo qualquer: ele alcançou a liderança do campeonato após uma performance perfeita, mostrou para Max Verstappen que o tetracampeão não terá refresco se for para o tudo ou nada e teve postura como piloto número um da McLaren após o fiasco de Lando Norris. O fim de semana em Jedá não poderia ter sido melhor para o jovem australiano.

A corrida em si foi insonsa como era de se esperar. Exceto a pole de Verstappen e uma possível disputa franca entre ele e Piastri, a falta de emoções foi absolutamente previsível. O circuito de rua de Jedá não é o maior culpado – embora as melhores etapas foram as duas primeiras, quando Lewis Hamilton venceu após uma briga insana com Max e o próprio triunfou com aquela cena icônica ao frear junto com Charles Leclerc antes da última zona de detecção do DRS. O grande problema é que se trata de uma prova para apenas uma parada, tônica que raramente possibilita algo interessante. Quem larga na frente para, troca os pneus e sai sem grandes chances de sofrer um undercut – e assim foi.

Volto a falar de Piastri. Ele praticamente não foi ameaçado. Largou melhor, tomou a ponta e só ficou atrás porque Verstappen cortou a chicane e voltou na frente – falarei adiante da punição imposta ao holandês. Tendo em mente que o seu carro é o melhor do grid, não partiu para o ataque: manteve o ritmo suficiente para seguir de perto o tetracampeão e retomar a dianteira na sua parada. Dito e feito. Oscar não teve trabalho algum em segurar a posição de honra, demonstrando uma frieza típica dos grandes campeões. Ao perceber que a vitória estava no papo, deixou de andar no limite e guiou na ponta dos dedos. Como eu já disse, não esperem dele gestos desmedidos, mas guiando em alto nível deixa a concorrência no chinelo.

Quanto à punição, tenho a visão de que adicionar tempo é algo para ser utilizado em pouquíssimas ocasiões. Por vários motivos. O primeiro deles é que vários lances idênticos receberam sanções maiores ou menores – os fãs de Verstappen lembraram a primeira de volta de Abu Dhabi 2021, quando Hamilton fez a mesma coisa que o piloto taurino e recebeu uma punição ridícula de tirar o pé e devolver o suposto ganho de vantagem no tempo. O segundo é que torna a aplicação elástica demais: não seria bem mais simples ordenar que Max devolvesse a posição? Finalmente, haveria o risco do tetracampeão imprimir um ritmo forte e abrir uma vantagem maior que os cinco segundos da penalização imposta pelos comissários – tornando a própria punição algo para inglês ver.

Pois bem, Verstappen foi punido ao cortar caminho e voltar na frente de Piastri. Fez isso após forçar a barra e sair da pista pelo simples fato do australiano não dar espaço na primeira curva. O nome disso é disputa de posição, corrida de carro – o resto é chorumela de quem não gosta verdadeiramente do esporte. Max cansou de fazer isso com os seus adversários, e se foi punido ao empurrá-los para fora, bom, é a velha duplicidade da FIA a errada, não quem faz. Oscar já deixou claro que não vai facilitar para ninguém – seja o adversário um tetracampeão ou o próprio companheiro de equipe.

O que falar de Lando Norris? Bateu no Q3, fez uma corrida burocrática e demonstrou mais uma vez que não está pronto para ser campeão ao perder um tempo precioso quando teve a imperícia de ultrapassar Lewis Hamilton antes da última zona de detecção do DRS. Como se já não bastasse todo esse combo de infortúnios, viu seu companheiro vencer a corrida e assumir a liderança no campeonato. Norris é talentoso, rápido nos treinos e dono de vitórias incontestáveis, mas parece sofrer um bocado na hora da decisão. Quem não se lembra de Rússia 2021, quando ele perdeu a corrida no final ao teimar com a equipe e seguir de pneus slicks com uma pista encharcada? Momentos como esse forjam um campeão – ou demonstram a incapacidade dos que nunca serão.

No fim, glórias a Oscar Piastri. Ao vencer de forma professoral, mostrou como se deve disputar um campeonato.

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