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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #44: A hora de Norris

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Foto: McLaren

A vitória de Lando Norris no Grande Prêmio da Austrália não foi surpresa alguma para quem acompanhou o fim de semana inteiro. Desde os testes no Bahrein, era cristalina a vantagem da McLaren sobre as demais equipes. O time papaia continua senhor da Fórmula 1 como no ano passado e nada no horizonte próximo indica que haverá qualquer reviravolta. 

Minha expectativa não era saber quem estaria na frente – o predomínio dos britânicos alaranjados era óbvio. O que me despertava curiosidade era atestar qual a extensão da vantagem possuída pela McLaren, além de ver como Lando Norris e Oscar Piastri iriam extrair o potencial de um carro que nasceu com pedigree de campeão. Enquanto o anfitrião cometeu um deslize que o colocou nas últimas posições, o primeiro foi irretocável. 

Sim, Norris escorregou e saiu da pista na reta final da corrida, mas no alçapão que virou a pista após cair o mundo em Melbourne, é compreensível. Nem mesmo o tetracampeão Max Verstappen escapou imune ao aguaceiro. Fernando Alonso bateu, Lewis Hamilton quase fez o mesmo. Abrir uma eternidade de distância na chuva como Lando fez é coisa para poucos, e antes que me digam que isso se deve apenas ao carro, Interlagos 2024 refuta essa tese ridícula comprada por quem não conhece a categoria. 

Norris fez o que deveria: pole position, largada bem-feita, defesa da ponta e o mínimo de erros possíveis. Era isso o que se esperava dele na temporada passada, quando a McLaren evoluiu ao ponto de desbancar a Red Bull como equipe a ser batida. Mas ele não correspondeu e abusou das barbeiragens típicas de um iniciante, não um piloto com seis temporadas completas na categoria. Em Melbourne, nada deu errado, nem mesmo nas voltas finais com o assoalho danificado e a aproximação ameaçadora de Verstappen.  

É a hora da verdade. Mesmo com os traços bastante joviais e apenas 25 anos, Norris já é um piloto com bagagem suficiente para se colocar como postulante ao título da F1. Se os erros em momentos cruciais não são escassos, as performances de encher os olhos também não cabem no gibi. Talento nunca faltou, mas o aprendizado com as falhas e pontos a evoluir parece ter demorado a acontecer – ainda é um processo em andamento. Seis temporadas na categoria, carro para disputar título, grandes e talentosos adversários… É agora ou – quase – nunca. 

Outros grandes campeões passaram pelo mesmo desafio. Só para ficar nos dois maiores vencedores do grid atual, as trajetórias de Hamilton e Verstappen servem de exemplo para Norris. 

Ao chegar na melhor equipe do grid e tendo o melhor piloto em atividade, Hamilton encarou um tremendo desafio na temporada de estreia. Venceu quatro corridas e cravou seis poles, mas perdeu o título no final do campeonato, quando faltou experiência e calma para lidar com dois desafios – a pista molhada em Xangai e a obrigação de ultrapassar carros na sua frente em Interlagos. Mesmo campeão no ano seguinte, Lewis andou fazendo bobagem nos anos posteriores – principalmente os incidentes famosos com Felipe Massa – até desembarcar na Mercedes e amadurecer para consagrar o seu talento absurdo. O resto é história. 

Depois de impressionar na finada Toro Rosso, a promoção ao time principal foi um caminho tortuoso para Verstappen. Ele não teve carro para ser campeão por muito tempo, contentando-se em vencer duas ou três corridas por temporada. E até 2019, os erros, as batidas e os incidentes eram uma rotina desagradável para o holandês. Até que o referido ano chegou e Max mostrou uma maturidade incrível, com o mundo da F1 tendo a certeza de estar diante de um futuro campeão quando ele guiasse uma máquina capaz. A oportunidade chegou em 2021 e desde então foram quatro títulos consecutivos. 

Já vi Lando Norris fazer coisas impressionantes e extrair o máximo de seu carro, mas tenho a convicção – devo ser acompanhado por muita gente nessa análise – que ele é menos piloto que Lewis Hamilton e Max Verstappen. O que não é impeditivo algum para o jovem britânico brigar pelo título e conquistar o tão sonhado campeonato – até mesmo mais de uma vez. O Norris do GP da Austrália foi o Norris que se espera há anos em termos de pilotagem e domínio da situação. A conferir se a sua hora de brilhar realmente chegou. 

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