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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #31: O esporte do imponderável

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Foto: Red Bull Content Pool

Nota: este artigo foi escrito em junho de 2021, quando eu publicava meus textos sobre Fórmula 1 em meu perfil no Medium. Esclarecimento feito, boa leitura!

Vira e mexe, alguém fala bobagem sobre a Fórmula 1. O arsenal de idiotices é conhecido e nem merece maiores considerações, mas uma dessas besteiras foi refutada pela corrida de ontem: a F1 é chata e previsível. Tudo bem que a regra é vitória do melhor piloto com o melhor carro, mas o Grande Prêmio do Azerbaijão entregou tudo e mais um pouco para nós, amantes desse esporte.

Quem poderia esperar que a Mercedes chegaria em condições de vencer após os treinos livres? Lewis Hamilton saiu desolado do carro e deu declarações nada animadoras. Não era para menos: ele e Valtteri Bottas ficaram em P11 e P16 no TL2, respectivamente – algo totalmente inesperado para uma equipe como a Mercedes. Baku é um circuito de rua do mesmo naipe de Mônaco, mas a similaridade para por aí. Enquanto a mais charmosa das corridas é disputada numa lata de sardinha, a pista azerbaijana tem espaço suficiente para ultrapassagens e uma reta quase interminável no último setor, com a velocidade dos carros passando dos 350 km/h. Se no principado a Mercedes sofreu, o fato do W11 ser uma máquina ruim em com circuitos de rua não explicaria tudo.

Pois bem, Hamilton anotou o segundo tempo no treino classificatório. Conseguiu largar na frente dos dois pilotos da Red Bull, a atual força preponderante. E o Bottas? Bom, se ele nunca foi parâmetro para muita coisa, a temporada está provando por a mais b o porquê. Sair de P11 para P2 foi escalar uma montanha, e não por acaso Lewis falou que ele e a equipe teriam que quebrar a cabeça na noite de sexta e na madrugada do sábado. Apesar do desempenho da Red Bull com uma já esperada superioridade dos taurinos, a Mercedes reagiu, mostrou boa performance e por pouco não venceu uma corrida tida como perdida – falarei desse momento mais adiante.

Quem poderia esperar o furo de pneu que fez Verstappen perder uma corrida praticamente ganha? Faltando cinco voltas para o final e com uma vantagem de quase seis segundos para Hamilton, lá estava o RB16B de número 33 esborrachado após se chocar no muro da grande reta. Não foi preciso esperar muito para saber o que tinha acontecido: Verstappen desceu do carro e deu uma bicuda nos restos mortais do pneu traseiro esquerdo. Não havia motivo algum para aquilo acontecer. A escolha da Pirelli pela gama mais macia de pneus (C3, C4 e C5) fazia total sentido num circuito de rua, mas acabou sendo uma tremenda dor de cabeça, pois Lance Stroll havia batido na volta 31 pelo mesmo motivo do infortúnio com o holandês da RBR.

A vitória seria fundamental para Verstappen aumentar a vantagem na liderança e confirmar o bom momento após o triunfo em Mônaco. No primeiro caso, seriam 25 pontos – sem contar o da volta mais rápida que estava com ele – contra 15 de Hamilton, ou seja, 131 a 116. Mas, como diria Juan Manuel Fangio, carreras son carreras. Essas coisas não são muito comuns, mas podem acontecer.

Quem poderia esperar a patacoada de Hamilton na relargada? Foi um erro daqueles que se aceita dos iniciantes, jamais de um heptacampeão e dono dos principais recordes da categoria. Lewis apertou um botão – sem querer, segundo ele – que joga a frenagem inteira nas rodas dianteiras, deixando as dianteiras a ver navios. O resultado tinha que ser o que aconteceu: passou reto na primeira curva, perdeu a vitória e ficou no zero. Serão pontos muito lamentados no final se o octa escapar, pois o campeonato está bastante equilibrado e a chance da decisão ser em Abu Dhabi é altíssima.

Já se falou que Verstappen pode sentir a pressão da disputa com Hamilton, que o heptacampeão leva uma vantagem pela enorme experiência e que o favoritismo é do britânico. Ainda acredito na última premissa, mas o erro de Lewis depõe contra o resto. Um piloto com sete títulos mundiais, 98 vitórias e 100 poles é o patrão da categoria, não tem mais nada a provar. Mas a oitava estrela, nas atuais condições da temporada, serviria como prova definitiva – se é que ainda falta alguma – do seu talento absurdo, calando os imbecis que dizem que ele só ganha por ter o melhor carro. A pisada na bola em Baku atrapalha bastante isso.

Quem poderia esperar um pódio composto por Sergio Pérez, Sebastian Vettel e Pierre Gasly? Ambos foram chutados de suas equipes. Pérez ficou sem assento na F1 após a Racing Point – atual Aston Martin – anunciar o próprio Vettel para a atual temporada, conquistando um lugar após a Red Bull não renovar com Alexander Albon. O tetracampeão foi mais um grande piloto a fracassar na Ferrari, sendo rifado de uma maneira nada agradável do time de Maranello. Gasly teve péssimo desempenho quando guiou um dos carros da RBR, voltou ao time B do grupo e se encontrou – venceu em Monza no ano passado.

A vitória caiu no colo de Pérez. Quem diria que o mexicano dado como carta fora do baralho após ser chutado da Racing Point venceria no Sakhir daquela maneira e estaria guiando na melhor equipe da temporada? Pois é, ele saiu do fim da linha para o topo e venceu pela segunda vez na carreira.

Isto é o automobilismo, senhores: o esporte do imponderável.

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