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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #25: Un’altra te

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Os detratores da Fórmula 1 estão com muito trabalho para espinafrar a categoria em 2024. Se a promessa de um roteiro previsível com hegemonia total do conjunto Max Verstappen/Red Bull era algo quase certo no Bahrein, a corrida na Hungria apresenta uma temporada insana, movimentada e com sete vencedores diferentes nas trezes corridas disputadas até aqui. Não é pouca coisa.

Coube a Oscar Piastri receber a bandeira quadriculada em primeiro na sua vitória inaugural na F1. Em sua segunda temporada, o simpático australiano mostra que a McLaren estava certa em mover mundos e fundos para tirá-lo da Alpine. Dono de uma pilotagem precisa e uma eficiência digna dos grandes pilotos, Piastri mereceu a vitória do começo ao fim: largou melhor, imprimiu um ritmo satisfatório e não deu margem aos concorrentes. Foi prejudicado numa estratégia ridícula, absurda e injustificável da McLaren, mas ele não tem nada a ver com isso. Seu triunfo foi justíssimo.

Sobre o entrevero envolvendo a McLaren: que raio de estratégia foi essa em parar Lando Norris para evitar um suposto undercut de Lewis Hamilton? O óbvio aconteceu: com pneus mais novos, ele iria voar e tomar a posição de Piastri. Uma dobradinha tranquila que marca a preponderância do time papaia – o MCL38 é o melhor carro da F1 neste presente momento – virou um triunfo agridoce com a tirada de pé de Norris para deixar o companheiro retomar a liderança. Como não poderia deixar de ser, os méritos do australiano foram colocados em xeque de maneira injusta. E a culpa é 100% da equipe.

Alguns compararam a atitude da McLaren com a da Ferrari no GP da Áustria em 2002. Não é para tanto: Rubens Barrichello dominou o fim de semana e tirou o pé ao ceder uma vitória constrangida de Michael Schumacher – numa das maiores vergonhas da história da F1 e do esporte como um todo. Ontem, Piastri liderava a corrida com tranquilidade e venceria sem sustos não fosse a burrada da sua equipe. Mas o constrangimento está aí. A McLaren ficou com a pecha de equipe nanica – longe da sua grandeza histórica –, Norris pintado como fracote e Piastri um vencedor imerecido.

Mais uma vez, o líder do campeonato roubou a cena. Max Verstappen teve outro final de semana difícil com um carro capenga, erros de estratégia da Red Bull e um campeonato outrora praticamente certo que começa a escapar dos dedos. Ainda creio no tetracampeonato, mas a tranquilidade não é mais plena – ou, como diria o outro, acabou a farra. Suas falas nada gentis com a equipe e a manobra atabalhoada que resultou no toque de Hamilton foram amplamente discutidas após o final da prova.

Vamos por partes. Chamam Verstappen de chorão por reclamar de tudo. Ora, e o que as pessoas querem? Que ele aceite de bom grado uma situação desfavorável e os erros corriqueiros da própria equipe na atual temporada? Todo multicampeão tem esse espírito ao querer sempre o melhor. Quando os outros pilotos reclamam, ninguém faz esse escarcéu todo.

Quanto ao toque com Hamilton, o tribunal da internet condenou Verstappen pelo incidente. Vou colocar a minha visão e ninguém é obrigado a concordar com ela. Frear mais tarde para tentar ultrapassar é um modus operandi que se utiliza desde que o automobilismo surgiu, e condenar um piloto por fazer isso é desconhecer profundamente esse esporte. Hamilton fez a tangência como se não tivesse ninguém do lado, os próprios comissários admitiram que o heptacampeão poderia ter feito mais para evitar a colisão. Dito isso, acidente de corrida. Não punir ninguém foi o certo a se fazer.

A temporada está ótima com tamanha alternância de vencedores, disputas fantásticas e imprevisibilidade perene. É muito bom, nunca se falou tanto de F1 como agora. Se Will Power falou que a categoria é uma piada em termos de competição, aí está a resposta. Certo, a regra é ter hegemonia e a Indy entrega mais querelas, mas basta um campeonato disputado que as pessoas voltam a assistir o suprassumo do automobilismo mundial.

Que me perdoem os amantes de outras categorias, eu também assisto o que posso, mas nada é comparável com a Fórmula 1. Muitas pessoas passaram a amar esse esporte encantador graças a ela. O título desta coluna vem da famosa música de Eros Ramazzotti, aquela que se dedica à mulher amada. Pois bem, outra categoria como a F1 não pode haver. E eu não encontraria uma igual a ela.

 

Foto: Divulgação/ McLaren

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