WEC
Pipo Derani vê evolução da Genesis e destaca avanços decisivos no desenvolvimento do GMR-001
Bicampeão da IMSA aponta progresso no software e na integração de sistemas como chave para melhorar a dirigibilidade do novo Hypercar da marca coreana
O projeto da Genesis Magma Racing no Campeonato Mundial de Endurance da FIA segue avançando em ritmo consistente, e um dos principais nomes envolvidos nesse processo acredita que a equipe encontrou um ponto de virada importante. Bicampeão da IMSA na classe principal, Pipo Derani avalia que a fabricante coreana conseguiu “decifrar o código” necessário para melhorar a dirigibilidade do GMR-001 LMDh, carro que fará sua estreia oficial no WEC ainda nesta temporada.
Derani acompanha o programa da Genesis desde os primeiros passos no universo dos Hypercars e participou dos testes iniciais do protótipo desenvolvido em parceria com a ORECA, dividindo as atividades com o experiente André Lotterer. Segundo o brasileiro, desde o primeiro shakedown realizado em agosto, o carro apresentou uma evolução clara, especialmente no que diz respeito ao software e à integração dos sistemas eletrônicos, áreas consideradas cruciais antes da estreia no campeonato, marcada para o Catar, em março.
O piloto explicou que um dos grandes desafios enfrentados pela equipe esteve relacionado à implementação do sensor de torque, exigência do regulamento técnico da categoria. Entender como integrar esse sensor ao motor e fazer com que todos os sistemas trabalhassem de forma harmoniosa demandou tempo e inúmeros ajustes. Para Derani, essa fase inicial do desenvolvimento foi marcada por tentativas e erros, em que o objetivo principal era garantir que o carro funcionasse de forma básica antes de avançar para soluções mais refinadas.
Com o progresso dos testes, a equipe passou para uma etapa mais profunda de análise, identificando como cada correção impactava outras áreas do projeto. Segundo o brasileiro, foi um processo de aprendizado contínuo, em que ajustes pontuais muitas vezes geravam novos problemas, exigindo novas soluções. Esse ciclo se repetiu até que os engenheiros encontraram um caminho mais abrangente, capaz de resolver diversas questões ao mesmo tempo.
De acordo com Derani, esse momento representou um salto significativo no desenvolvimento do GMR-001. A equipe passou a compreender melhor como operar o motor dentro das limitações impostas pelo sensor de torque e pelo regulamento, algo que ele considera uma das partes mais complexas das regras da Hypercar. O piloto reconhece que houve momentos de frustração, com a sensação de que a solução estava próxima e, em outros, de que ela parecia distante, mas ressalta que esse tipo de desafio faz parte da realidade de um novo fabricante entrando em uma categoria altamente técnica.
Apesar do otimismo com os avanços alcançados, Derani mantém uma postura cautelosa. Ele destaca que a Genesis enfrentará adversários com anos de experiência na categoria, o que exige humildade e pés no chão. Para o brasileiro, os testes previstos no Catar ainda neste mês serão importantes, mas o verdadeiro termômetro do desempenho do carro deve surgir na etapa de Imola, circuito que apresenta características mais desafiadoras.
O piloto também ressalta a diferença entre testes e fins de semana de corrida, lembrando que, em competição, o tempo para resolver problemas é limitado. Ainda assim, considerando que o projeto começou praticamente do zero — sem chassi, motor ou estrutura definida — e que os primeiros testes ocorreram há poucos meses, Derani vê motivos concretos para encarar a estreia da Genesis no WEC com confiança moderada e expectativas realistas.
