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“O problema é que sempre ganha o mesmo”, diz CEO do Bayer Leverkusen sobre hegemonia do Bayern na Alemanha
Principal mentor da histórica temporada do Bayer Leverkusen, o CEO Fernando Carro cumpre agenda no Brasil nesta semana. Em evento corporativo realizado na última quinta-feira (02), na sede da Rödl Brasil, em São Paulo, o dirigente detalhou os desafios de gestão no futebol europeu e apontou o abismo financeiro do Bayern de Munique como o principal obstáculo para a competitividade da Bundesliga.
No cargo desde 2018, Carro quebrou a alcunha de “Neverkusen” ao liderar o clube na histórica temporada 2023/24. Sob o comando de Xabi Alonso, a equipe conquistou a Bundesliga de forma invicta, a Copa da Alemanha (DFB-Pokal) e a Supercopa da Alemanha (DFL-Supercup), além do vice-campeonato da UEFA Europa League.
Apesar do sucesso recente, o executivo espanhol foi categórico ao analisar a disparidade econômica que engessa o campeonato local diante do gigante da Baviera.
“Competir com Frankfurt e Dortmund é difícil, mas normal. O Dortmund e o Leipzig são um pouco maiores; o Frankfurt é um pouco menor. Porém, o grande problema do futebol alemão, para mim, é que o Bayern de Munique sempre ganha. Nós vencemos uma vez, mas, em geral, eles dominam. É um clube três vezes maior do que nós e duas vezes maior que Dortmund e Leipzig”, explicou o CEO.
Para Carro, a centralização de títulos nas mãos de uma única potência afeta o produto e o valor de mercado da liga alemã a longo prazo.
“É difícil competir com o Bayern porque é um clube gigante, com muito potencial e orçamento. Isso virou um problema para o resto das equipes e para a própria liga, porque a Bundesliga perde apelo competitivo. Todo ano ganha o mesmo. Nós e as outras equipes precisamos ser mais rápidos e assertivos no mercado, como fomos na última temporada. Estamos trabalhando para estruturar o próximo time campeão, mas sabemos que não dá para competir de igual para igual com eles todos os anos.”
Olhar sobre o futebol brasileiro e o modelo SAF
Aproveitando a passagem do dirigente pelo país, o debate também abordou a profissionalização do futebol brasileiro e o avanço dos modelos de clube-empresa — como as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).
Questionado se projetos no país, a exemplo do Red Bull Bragantino, podem ditar o ritmo da evolução do mercado nacional, Fernando Carro elogiou o modelo de negócios e a infraestrutura da equipe de Bragança Paulista.
“Me disseram que eles têm um centro de treinamento excelente e uma gestão profissional sólida, que dá uma sustentação muito forte ao futebol profissional a partir da base”, concluiu o executivo.
Por Gustavo Furlaneto
