Le Mans Cup
MLMC: Final da temporada em Portimão tem drama, Safety Car, reviravolta pós-bandeirada e três campeões consagrados em um mesmo sábado
Corrida portuguesa que fechou o calendário da categoria entregou tudo o que se espera de uma final de campeonato: viradas na pista, decisões nos boxes, penalidades que mudaram a história e títulos definidos só depois da verificação pós-corrida
A etapa final da temporada em Portugal não decepcionou ninguém em Portimão. Ao contrário — entregou exatamente o que se espera da última rodada de um campeonato grande de endurance: drama, múltiplos Safety Cars, decisões de título que mudariam mais de uma vez ao longo das duas horas de disputa, e até resultado de campeão alterado após penalidade horas depois da bandeirada. No pelotão geral, a história parecia linear: Hugo Schwarze e Hadrien David, já liderando a temporada na LMP3, largaram na pole, dominaram e conquistaram a terceira vitória consecutiva, sacramentando o título de 2025 com autoridade e estilo. Mas abaixo deles, na Pro/Am, e também na GT3, tudo ficou aberto até o último terço de corrida — e em alguns casos, até depois.
No início, ainda na primeira volta, Vanina Ickx assumia a liderança da GT3 com o Porsche da Iron Dames, enquanto atrás dela as posições se estabilizavam com o Aston Martin da Blackthorn e o Porsche #95 da Ebimotors. Na LMP3 Pro/Am, Audunn Gudmundsson começava na frente com o carro da High Class Racing, antes do primeiro Safety Car chegar logo na segunda volta, provocado pela rodada do #84 da ANS Motorsport após contato com o Ligier #44. Ali era apenas o começo: bandeira vermelha, nova neutralização, mais incidentes e detritos fizeram os controladores acionarem mais de uma intervenção e inclusive adicionarem 18 minutos ao tempo total de prova.
O momento chave da Pro/Am apareceu exatamente nessa sequência: durante um Safety Car, o Ligier #34 da Inter Europol Competition antecipou a parada obrigatória. A leitura estratégica foi perfeita, o carro voltou à pista na liderança geral e dali construiu o que parecia o caminho natural para uma vitória de categoria e título. Não por acaso, cruzaram a linha apenas 1,2s à frente de Gillian Henrion, do #98 da Motorsport98. O detalhe: no pós-corrida, os comissários estouraram a festa. Confirmaram que o português José Fernández Cautela não completou o tempo mínimo de pilotagem, converteram o stop&go em 1m05s, e o #34 despencou para quarto. O título e a vitória migraram oficialmente para Henrion e Eric De Doncker no #98. Um plot twist digno de final de campeonato.
Na GT3, a própria Iron Dames também virou vítima da direção de prova. Marta García cruzou sinal fechado no fim do pit lane, recebeu drive through e perdeu a liderança que Vanina havia construído no início. A Ferrari #33 da Kessel Racing assumiu o comando, David Fumanelli manteve o ritmo necessário e, 1,4s à frente da Ferrari #51 da AF Corse, garantiu a terceira vitória da dupla na temporada. Para a equipe italiana #51, o segundo lugar valeu ouro: título de equipes e coroa de pilotos para Alessandro Cozzi e Eliseo Donno.
Enquanto isso, na geral, não houve suspense. Hadrien David completou a terceira vitória seguida do #85 da R-ace GP com 21,8s de vantagem sobre o Ligier #29 da Forestier Racing by VPS. A CLX Motorsport fechou o pódio. Fim de temporada com autoridade na pista — e com o regulamento, mais uma vez, ditando tanto o destino de campeões quanto a narrativa definitiva de uma rodada que entra para a memória recente da categoria.
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