IMSA
IMSA lança programa Labs e reforça papel das corridas como laboratório tecnológico para montadoras e fornecedores
Terceiro Simpósio de Tecnologia reúne indústria automotiva, empresas de inovação e instituições científicas para debater o futuro da mobilidade
A IMSA deu mais um passo importante na consolidação de seu papel como referência tecnológica no automobilismo norte-americano ao realizar o terceiro Simpósio Anual de Tecnologia, na Embry-Riddle Aeronautical University, ao lado do Daytona International Speedway. O evento reuniu executivos de montadoras, fornecedores, empresas de tecnologia e até representantes da NASA para discutir o tema “Impulsionando o Futuro da Mobilidade” e marcou oficialmente o lançamento do IMSA Labs, nova plataforma voltada à colaboração entre o esporte e a indústria.
Reconhecida por abrigar alguns dos carros mais avançados do mundo em termos de engenharia, a IMSA agora passa a estruturar de forma mais organizada esse intercâmbio tecnológico. O IMSA Labs nasce como um ambiente formal de cooperação entre a entidade, fabricantes e parceiros estratégicos, com foco no desenvolvimento, teste e validação de soluções aplicáveis tanto às pistas quanto às ruas. A BDO USA foi anunciada como Parceira Oficial de Transformação Digital da iniciativa.
Durante o simpósio, o presidente da IMSA, John Doonan, destacou o alinhamento do projeto com a visão original de Bill France Sr., fundador do Daytona International Speedway. Segundo ele, o objetivo sempre foi transformar o automobilismo em uma vitrine para inovação, onde pneus, motores, softwares e sistemas pudessem ser testados em condições extremas. Para Doonan, o lançamento do IMSA Labs representa a formalização desse conceito, que já acompanha a categoria há mais de cinco décadas.
Atualmente, 18 montadoras estão confirmadas para a temporada 2026, incluindo 12 presentes nas 24 Horas de Daytona. Esse número reforça o interesse crescente da indústria pelo ambiente competitivo da IMSA, visto como um espaço privilegiado para acelerar o desenvolvimento tecnológico.
Do ponto de vista das fabricantes, a competição funciona como um laboratório em tempo real. A Honda Racing Corporation USA, por exemplo, utiliza o campeonato como base para o desenvolvimento do Acura ARX-06, que disputa a classe GTP. Segundo o presidente da HRC USA, Dr. David Salters, o nível de software e de dinâmica veicular desses protótipos é comparável ao da Fórmula 1, com a vantagem de uma arquitetura mais aberta, que permite rápidas adaptações.
Salters destacou que, em algumas situações, ajustes complexos no sistema podem ser feitos em poucas horas, evidenciando o conceito de “veículo definido por software”. Além disso, a exigência de disputar provas de 24 horas obriga as equipes a atingirem altos níveis de confiabilidade, precisão e eficiência desde o primeiro momento.
A General Motors também enxerga as corridas como uma extensão direta de seus centros de engenharia. Com três Cadillac V-Series.R na GTP e diversos Corvette GT3 nas categorias GTD e GTD PRO, a GM utiliza o campeonato para treinar engenheiros, validar simulações e desenvolver soluções que futuramente chegam aos veículos de produção. Para o vice-presidente Eric Warren, o ambiente da IMSA força decisões rápidas e ensina a lidar com dados, falhas e inovação sob pressão.
O papel dos fornecedores é igualmente fundamental nesse ecossistema. A Michelin, fornecedora exclusiva de pneus do Campeonato WeatherTech, renovou recentemente seu contrato por mais 10 anos e lançou um novo composto para a classe GTP, com aquecimento mais rápido, maior durabilidade e 50% de materiais sustentáveis. Segundo o CEO da Michelin América do Norte, Matthew Cabe, a pista permite acelerar processos de aprendizado que, em condições normais, levariam anos.
De forma semelhante, a Bosch atua como fornecedora de componentes híbridos e sensores para todas as classes, garantindo coleta e análise de dados em larga escala. Para o presidente regional Joe Capuano, o ritmo imposto pelas corridas ajuda a preparar a empresa para um mercado cada vez mais orientado por software, ciclos curtos de desenvolvimento e alta demanda por inovação.
Ao reunir montadoras, universidades, fornecedores e empresas de tecnologia, o Simpósio de Tecnologia da IMSA deixou claro que as corridas vão muito além do entretenimento. Com o lançamento do IMSA Labs, a categoria reforça sua vocação histórica como centro de experimentação, conectando o desempenho nas pistas ao avanço da mobilidade do futuro.
