Fórmula E
Entre a reconstrução e a ambição: Jake Dennis detalha os desafios da Andretti em uma nova era
Às vésperas de mais uma temporada do Campeonato Mundial de ABB FIA Fórmula E, o campeão Jake Dennis se prepara para um dos anos mais cruciais de sua carreira. Com um novo e talentoso companheiro de equipe, o brasileiro Felipe Drugovich, uma equipe em processo de reconstrução após um ano desafiador e um grid mais competitivo do que nunca, o piloto britânico abriu o jogo sobre a complexa realidade que a Andretti enfrenta em sua busca para retornar ao topo.
Uma parceria de “altas expectativas”
A primeira grande mudança na garagem da Andretti é a chegada de Felipe Drugovich. Dennis, que nunca teve o mesmo companheiro de equipe por duas temporadas seguidas, não poupou elogios ao campeão da F2, sinalizando otimismo com a nova parceria.
“As expectativas são altas. O Felipe tem se mostrado um piloto completo e vencer o campeonato da F2 da forma dominante como ele fez não é fácil”, afirmou Dennis. Após alguns dias de trabalho juntos, as primeiras impressões são positivas. “Ele parece muito motivado, um cara legal. Estamos nos dando muito bem até agora.”
Para um novato como Drugovich, Dennis aponta um desafio principal, que reside na complexidade do carro GEN3 Evo, introduzido na temporada passada. “Eu diria que a maior coisa é a adaptabilidade. O aspecto mais desafiador, mas também o mais prazeroso, foi a tração nas quatro rodas. Em algumas voltas você está gerenciando energia com tração traseira, e em outras tem tração nas quatro rodas com potência máxima na classificação ou no Modo Ataque. Você só precisa ser super adaptável.”
O preço do título e as lições de um ano difícil
A chegada de Drugovich acontece em um momento de transição para a equipe. Dennis admitiu que o sucesso do título na 9ª temporada teve um custo, com a saída de profissionais importantes que foram em busca de novos desafios, o que contribuiu para as dificuldades recentes.
“Depois de vencer o campeonato, perdemos alguns bons profissionais, o que é natural”, explicou. A temporada passada foi uma prova dessa fase de reajuste. “Foi um pouco mais difícil desde o início. Éramos melhores na classificação do que nas corridas, o que foi ironicamente o oposto da temporada anterior, quando éramos ruins na classificação e bons nas corridas. Espero que agora possamos juntar as duas coisas.”
Dennis relembrou momentos específicos que testaram a resiliência da equipe, como o fim de semana em Jeddah. “Jeddah foi um fim de semana muito difícil. Ambos os carros se classificaram em 19º e 20º. Mas com boa estratégia e determinação, conseguimos dar a volta por cima e terminar em quarto. Dentro da Andretti, somos muito bons em conseguir um resultado mesmo quando estamos pressionados.”
A vantagem oculta no fim de uma era
Nesse cenário desafiador, a Andretti tem uma carta na manga: ser uma equipe cliente no último ano do regulamento GEN3 Evo. Enquanto as equipes de fábrica precisam dividir seus recursos e atenção com o desenvolvimento do carro da próxima geração, o GEN4, a Andretti tem um foco único e total no presente.
Dennis, no entanto, mantém uma visão pragmática. “Acho que isso provavelmente nivela um pouco as coisas, para ser honesto. Eu diria que agora não estamos mais em desvantagem, como estivemos antes”, analisou ele, se referindo aos dias de teste limitados para equipes fabricantes. “Não acho que isso vai mudar o mundo, mas para nós é mais direto. Apenas focamos na única coisa que podemos realmente fazer, que é o GEN3 Evo”
Próximos passos até dezembro
Com uma nova dupla promissora, uma equipe que aprendeu com as dificuldades de uma temporada de altos e baixos e uma vantagem estratégica sutil, Jake Dennis encara a 12ª temporada com os pés no chão, mas com a confiança de quem sabe o que é preciso para vencer. A mensagem é clara: o caminho de volta ao topo será árduo, mas a Andretti está mais preparada e focada do que nunca para a luta.
Agora, as equipes e pilotos voltam suas atenções para a Espanha, onde a próxima atividade oficial da categoria será o teste coletivo de pré-temporada, que acontece entre os dias 27 e 30 de outubro no Circuito Ricardo Tormo, em Valência. Após essa última etapa de preparação, o grid elétrico viajará para o Brasil, onde a 12ª temporada terá seu aguardado pontapé inicial com o E-Prix de São Paulo, no dia 6 de dezembro. Os ingressos para a primeira etapa da 12ª temporada já estão à venda no site da Fever.
