SportsCar Championship
Chevrolet Detroit Sports Car Classic promete intensas disputas entre GTP e GTD PRO nas ruas apertadas de Motown
Com 22 carros na pista e mudanças no BoP, etapa de Detroit do IMSA WeatherTech SportsCar Championship será decisiva para o restante da temporada
Após enfrentarem a fluidez e os desafios técnicos do circuito de Laguna Seca, na Califórnia, os competidores do IMSA WeatherTech SportsCar Championship agora se preparam para um desafio completamente distinto: o Chevrolet Detroit Sports Car Classic, que acontece neste último fim de semana de maio. A prova será realizada nas ruas estreitas e cercadas por muros de concreto de Detroit, em um traçado de 1,654 milha e nove curvas, que exige precisão extrema de pilotos e engenheiros. A etapa reúne um grid de 22 carros, divididos igualmente entre as classes Grand Touring Prototype (GTP) e Grand Touring Daytona Pro (GTD PRO), em um cenário onde o menor erro pode ter consequências dramáticas.
Diferente dos ovais clássicos de outras categorias como NASCAR e IndyCar, Detroit se configura como a “rinha de touros” da IMSA, um circuito onde o contato físico é frequente e os acidentes são comuns. Com um cronograma condensado, que inclui duas sessões de treinos livres e a classificação em um único dia, as equipes precisam equilibrar a busca por desempenho máximo com a necessidade de preservar seus equipamentos para a corrida de 100 minutos, marcada para sábado.
Para Klaus Bachler, piloto do Porsche 911 GT3 R nº 77 da AO Racing, ao lado do atual campeão do GTD PRO, Laurin Heinrich, o desafio principal será evitar erros. “É um fim de semana curto, então a sexta-feira está bem movimentada, com dois treinos livres e a classificação. Você precisa se esforçar em algum momento, mas sem cometer erros, ou o fim de semana pode acabar bem cedo”, destacou Bachler. Além disso, ele ressalta a importância fundamental da posição de largada, que pode ser metade do caminho para um bom resultado, dado o traçado limitado em pontos de ultrapassagem.
O regulamento da IMSA impõe ainda mais pressão aos pilotos: provocar uma bandeira vermelha durante os treinos significa perder automaticamente a volta mais rápida na classificação. Segundo Nick Yelloly, piloto do Acura ARX-06 GTP nº 93 da Meyer Shank Racing, “há apenas dois pontos razoavelmente seguros para tentar ultrapassar. Outros dois só nas primeiras voltas, com altíssimo risco”. Por isso, sua estratégia é clara: buscar a pole position e liderar de ponta a ponta, embora reconheça que a imprevisibilidade das corridas de rua da IMSA sempre pode reservar surpresas.
Além da habilidade dos pilotos, a estratégia de boxes será decisiva. O pit lane de Detroit é dividido, com GTPs de um lado e GTD PROs do outro, o que exige precisão cirúrgica das equipes nas paradas. Ganhar posições na pista por meio de uma estratégia bem executada de pneus, combustível ou aproveitando bandeiras amarelas pode ser o diferencial para alcançar o pódio.
Outro elemento importante para este fim de semana é o Balance of Performance (BoP), que passou por ajustes significativos após análise dos desempenhos recentes. O Comitê Técnico da IMSA acrescentou peso e retirou potência dos Porsche 963 e BMW M Hybrid V8 GTP, enquanto reduziu o peso e aumentou a potência dos Acura ARX-06 e Cadillac V-Series.R. No GTD PRO, sete dos nove fabricantes tiveram ajustes de peso, além de modificações na potência. De acordo com o presidente da IMSA, John Doonan, essas mudanças visam manter a competitividade e o equilíbrio entre os carros. “Queremos que todos estejam próximos em performance. O processo é baseado em dados e, às vezes, precisamos agir rapidamente para garantir uma competição justa”, afirmou Doonan.
Além do desafio em Detroit, muitos dos pilotos e equipes já se preparam para uma intensa sequência internacional. Poucos dias após a prova nas ruas de Motown, a maioria dos competidores embarca para as 24 Horas de Le Mans, em meados de junho, antes de retornar para as Seis Horas de Watkins Glen, de 19 a 22 do mesmo mês. Para a Cadillac, por exemplo, será uma verdadeira maratona: saindo de Detroit, atravessam o Atlântico rumo à França, com algumas equipes e membros passando quase um mês fora de casa, acumulando mais de 14.900 quilômetros aéreos.
Todas as equipes IMSA GTP da Cadillac — Whelen Racing e Wayne Taylor Racing — participarão de Le Mans, mas com chassis diferentes. Entre os pilotos, apenas quatro dos 22 nomes da temporada completa do GTP não correrão na clássica prova francesa: Marco Wittmann e Philipp Eng (BMW M Team RLL) e Gianmaria Bruni e Tijmen van der Helm (JDC-Miller MotorSports). O restante estará presente em Le Mans, incluindo Earl Bamber, que competirá pela Cadillac Hertz Team Jota, e Louis Deletraz, que participará na classe LMP2.
Antes disso, no entanto, todas as atenções se voltam para a exigente batalha urbana deste fim de semana, com transmissão ao vivo no Peacock, no canal oficial da IMSA no YouTube e, internacionalmente, pela IMSA.TV e Rádio IMSA. No Brasil, a categoria possui transmissão pelo canal do Grande Prêmio com largada às 16h35 – https://youtube.com/live/LhGkfvL7E3Y
