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Fórmula 1

A Ferrari não melhora nada sem Binotto – muito pelo contrário

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Os apaixonados pela Fórmula 1 lembrarão por muito tempo das patacoadas da Ferrari em 2022. Erros nos pits stops, nas estratégias de corrida e tomadas de decisões importantes fizeram a escuderia mais tradicional virar motivo de chacota. A equipe tinha um carro muito competitivo – o melhor do grid no começo da temporada – e um piloto como Charles Leclerc. Combinação perfeita para resultar em taça, mas não aconteceu. Um ano promissor foi jogado no lixo.

Em tais momentos, surge o instinto de querer culpar o ocupante do posto mais alto da escuderia. E foi justamente o que muitos tifosi fizeram com Mattia Binotto, chefe da equipe. Pediram enfaticamente a sua saída, como se em um passe de mágica a Ferrari voltasse aos tempos de Ross Brawn e cia – sinônimo de precisão e competência. Bastaria trocar o simpático italiano por outra pessoa e todo o potencial do time de Maranello seria traduzido em resultados melhores.

Lamento informar aos torcedores da escuderia, mas a saída de Binotto não será o passe de mágica para o retorno dos tempos vitoriosos. Ao contrário: a Ferrari só tem a perder com isso, e até agora não vi uma única vantagem nessa dança das cadeiras.

Vamos lá. O anseio pela saída de Binotto ampara-se em três premissas: (I) a culpa dos erros crassos cometidos pela equipe é dele, (II) sem eles a Ferrari teria conquistado o título e (III) existe uma birra entre ele e Leclerc que prejudicou a posição do monegasco no time.

Nada disso procede. Binotto é chefe de equipe, responde por ela, mas está longe de fazer tudo sozinho. Ele não troca pneus, não faz as estratégias de corrida e tampouco comete erros na pista como os seus dois pilotos cometeram. Poderia acontecer uma troca no responsável pela estratégia? Sem sombra de dúvidas. Aí seria uma responsabilidade sua. Mas a respectiva função não é competência dele. Jogar tudo na sua conta não é justo.

Há casos que a equipe nem falhou e os precoces de plantão já correram para apontar o dedo na cara de Binotto. O GP do Reino Unido foi um exemplo disso. Após a quebra da Alpine de Esteban Ocon e a entrada do Safety Car, o líder Leclerc não entrou para os boxes. Seu companheiro, Carlos Sainz, parou e calçou pneus macios. Seria um erro ferrarista, privilégio do time ao espanhol ou pura incompetência? Claro que não. O que aconteceu foi simples: Leclerc passou da entrada dos boxes após a entrada do SC, e caso parasse para colocar o composto macio, perderia várias posições. Zero equívoco, apenas azar.

Ainda que a Ferrari fosse perfeita e Leclerc entregasse tudo na pista, Red Bull e Verstappen continuaram sendo adversários fortíssimos. Não se pode subestimar um bicampeão como ele. O vulcânico holandês é um piloto do mais alto naipe e certamente empilhará mais taças. Conquistou o seu segundo título porque é bom, fez o dele na pista e não deu chance para o azar. Simples assim.

Há quem aponte ainda um suposto entrevero entre Binotto e Leclerc. Bobagem sem tamanho. Mais uma das especulações sem pé nem cabeça – como tantas que pipocam no meio da F1 de vez em quando.

Pois bem, o que a Ferrari tem a perder com a sua saída? Muito. Antes de ser chefe de equipe, Binotto trabalhava na chefia de motores na escuderia e em 2016 foi nomeado diretor técnico. Depois disso, o time de Maranello entregou carros competitivos e deu a Sebastian Vettel uma possibilidade de ser pentacampeão nos dois anos seguintes. Se a equipe falhou muito com ele, o alemão também não se ajudou muito – Hockenheim 2018 exemplifica bem.

Agora que está fora da Ferrari, Binotto passa a ser um nome interessante no mercado para reforçar equipes rivais. Já existe um burburinho da Audi estar interessada nos seus serviços. A montada alemã planeja entrar em breve na F1, e ter um profissional com a experiência e o gabarito como ele é um caminho promissor. Fala-se em interesse da Mercedes também. De qualquer modo, ele será certamente contatado por muitos times.

Posso estar errado e a Ferrari ser campeã mundial de pilotos e construtores em 2023? Sim. Mas, neste exato momento, não vejo nada de positivo na saída de Mattia Binotto. Ele não era o problema da equipe. E ela não está melhor sem ele.

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