WEC
A coroa da centésima: WEC celebra o esporte em seu ápice no Japão
Do nascimento incerto em Sebring à glória da ‘Idade de Ouro’, o Campeonato Mundial de Endurance completa 100 corridas no icônico circuito de Fuji, consolidando seu legado e forjando um futuro de titãs e imprevisibilidade.
No dia 28 de setembro de 2025, o Campeonato Mundial de Endurance da FIA (FIA WEC) alcançará uma marca histórica: sua centésima corrida. O palco escolhido para este momento monumental é o desafiador circuito de Fuji Speedway, no Japão, com a dramática paisagem do Monte Fuji como pano de fundo. A ocasião é mais do que um simples marco numérico; ela representa a culminância de uma jornada de 13 anos que transformou a competição em um dos campeonatos mundiais mais dinâmicos e vibrantes do automobilismo.
A saga começou em 17 de março de 2012, quando a bandeira verde foi agitada no Sebring International Raceway, na Flórida, anunciando o início de uma nova era para as corridas de longa distância. Desde então, o campeonato manteve sua “DNA” central, combinando protótipos de ponta e carros GT baseados em modelos de rua em um teste emocionante de velocidade e resistência. A prova de que a filosofia original permanece forte e relevante é a ampla gama de fabricantes de alto perfil que já conquistaram vitórias nas diversas classes da categoria, de Alpine a Aston Martin e de Ferrari a Ford.
A celebração da centésima prova, apelidada de “WEC 100”, é vista por muitos como a consagração de uma verdadeira “Idade de Ouro” para o esporte. Para marcar o evento, um logotipo especial foi criado, com mais anúncios e iniciativas programadas para serem reveladas à medida que a data se aproxima. No entanto, a maior celebração será a própria corrida, onde haverá um enorme orgulho em jogo. Marcas e pilotos lutarão para deixar sua marca na história, buscando se tornar o vencedor deste evento emblemático e, assim, cravar seu nome para a posteridade. A promessa de uma batalha emocionante é garantida, com oito fabricantes diferentes competindo na categoria principal de Hypercar e nove se preparando para a disputa na LMGT3.
O Legado da Resiliência: O Início Incerto do WEC
A presente era de prosperidade do FIA WEC não é um acidente, mas o resultado direto de uma história de resiliência e aposta. O campeonato, agora uma referência global para as corridas de endurance, superou obstáculos críticos em seu início para se estabelecer. Uma perspectiva valiosa sobre essa fundação vem de uma figura chave da prova inaugural, o lendário piloto Allan McNish.
McNish, que conquistou três vitórias nas 24 Horas de Le Mans e foi campeão mundial em 2013, estava no grid em Sebring em 2012 e recorda vividamente os momentos que antecederam o lançamento do campeonato. Ele descreveu o nascimento do WEC como algo que esperava há “dez anos”, mas que nunca pareceu próximo de se concretizar. Quando a notícia foi finalmente confirmada, foi “fantástica”. Contudo, a alegria inicial foi seguida por um grande susto: a inesperada saída da Peugeot dos planos originais para ser uma fabricante fundadora em 2012. McNish relata o “choque” de receber a notícia durante um treinamento da Audi.
O que poderia ter sido um golpe fatal para o novo campeonato, no entanto, destacou a profundidade do compromisso dos envolvidos. A Toyota rapidamente se juntou à competição e, ao lado da Audi, se tornou a “espinha dorsal” da categoria, demonstrando a crença no projeto. McNish, olhando para trás, reconhece que aqueles envolvidos tiveram que correr “grandes riscos” para que o projeto avançasse, e que a visão e a paixão de pessoas como o então chefe de automobilismo da Audi, Dr. Wolfgang Ullrich, e os líderes da Toyota permitiram que a FIA e o Automobile Club de l’Ouest (ACO) dessem vida à sua visão. A continuidade de figuras como o Diretor de Prova da FIA, Eduardo Freitas, que esteve com o WEC desde sua primeira corrida em 2012, também simboliza a dedicação que sustentou o crescimento do campeonato.
A ‘Idade de Ouro’ em Números: Fãs e Fabricantes
A narrativa de uma “Idade de Ouro” não é apenas uma metáfora, mas uma realidade mensurável, sustentada por um crescimento impressionante em participação e popularidade. A evidência mais clara reside no número de fabricantes que retornaram ou se juntaram ao campeonato. Em 2025, a competição conta com 13 fabricantes diferentes, resultando em 36 inscrições de alto calibre, representando uma expansão sem precedentes no grid. Esse influxo de grandes marcas, de Porsche e Toyota a Ferrari e Cadillac, não apenas eleva o nível da competição, mas também injeta uma imprevisibilidade que se tornou uma marca registrada da temporada atual. A imprevisibilidade é a norma, com vários vencedores diferentes nas categorias Hypercar e LMGT3, transformando cada evento em uma experiência imperdível para os fãs.
Esse aumento na competição tem um efeito direto na popularidade do esporte. O campeonato tem visto um crescimento significativo na frequência de público nas pistas, com o FIA WEC se orgulhando de ter atraído 98.000 fãs em Spa neste ano. Para Allan McNish, essa paixão e o esforço de todos os envolvidos, tanto na pista quanto fora dela, demonstram que o WEC se tornou um dos “melhores campeonatos mundiais globalmente”. O crescimento é um ciclo virtuoso: mais fabricantes e mais carros levam a corridas mais emocionantes, o que, por sua vez, atrai mais fãs, consolidando o futuro do campeonato.
A Batalha dos Titãs: Rivalidades e Estrelas na Pista
A temporada de 2025 tem sido definida por batalhas intensas e um alto nível de imprevisibilidade, características intrínsecas ao DNA do WEC. A disputa pelo título de Hypercar, em particular, tem sido um espetáculo. Embora o campeonato seja liderado por um único fabricante, a natureza das corridas demonstra que a vitória é conquistada não apenas com velocidade, mas com consistência e superação.
Classificação do Campeonato de Fabricantes Hypercar
| Posição | Fabricante | Pontos Totais |
| 1 | FERRARI | 203 5 |
| 2 | PORSCHE | 138 5 |
| 3 | CADILLAC | 134 5 |
| 4 | TOYOTA | 99 5 |
| 5 | BMW M | 74 5 |
Embora a Ferrari tenha uma liderança considerável, os resultados das corridas recentes mostram que não há domínio total. Na Lone Star Le Mans, a Porsche Penske Motorsport conquistou a vitória com o carro nº6, superando a Ferrari, que ficou em segundo lugar, e a Peugeot, que alcançou seu melhor resultado coletivo em terceiro. Este resultado comprova a imprevisibilidade da temporada, onde diferentes fabricantes se destacam em cada evento. A liderança da Ferrari, portanto, é um testemunho de sua consistência em acumular pontos, enquanto seus rivais têm alternado vitórias.
A batalha atual reflete uma herança histórica. A Porsche é a fabricante mais bem-sucedida na história do WEC, com 71 vitórias, enquanto a Ferrari está logo atrás, com 63 triunfos. Ambas as marcas, juntamente com a Aston Martin, participaram de todas as 99 corridas até o momento, solidificando suas rivalidades de longa data.
Além da guerra entre os fabricantes, o campeonato é enriquecido pelo talento de seus pilotos. Desde 2012, 832 pilotos de 61 nacionalidades diferentes competiram no WEC, incluindo dez vencedores de Grand Prix, quatro dos quais são campeões mundiais de Fórmula 1, como Jenson Button e Fernando Alonso. Lendas do endurance, como Sébastien Buemi, têm os recordes de mais participações (91) e mais vitórias (26) na série, atestando a profundidade do talento na categoria.
Rumo a Fuji: A Pista da Lenda Japonesa
A escolha de Fuji Speedway para a 100ª corrida é carregada de simbolismo, elevando o evento a um patamar que vai além da competição esportiva. A pista japonesa é um local de grande importância histórica para a série, servindo como pano de fundo para alguns de seus momentos mais notáveis. A presença do Monte Fuji confere uma atmosfera dramática e icônica, que se alinha com a magnitude da ocasião.
A corrida em Fuji será particularmente significativa para a Toyota, um dos pilares fundadores do campeonato. A equipe japonesa é a única fabricante a ter conquistado o feito de um “clean sweep” em uma corrida em casa, liderando todas as sessões de treino, conquistando a pole position e liderando a corrida de ponta a ponta em 2019. A expectativa é que a Toyota receba o apoio maciço da torcida local, transformando o evento em uma celebração do legado do fabricante e de sua contribuição para o crescimento do campeonato. A coincidência de a 100ª corrida ser realizada no país de um de seus mais importantes fabricantes, que superou os riscos iniciais para ajudar a estabelecer a série, cria um enredo poderoso e multifacetado. A corrida em Fuji não é apenas um marco, mas uma oportunidade para os fabricantes e pilotos “esculpirem seu próprio pequeno pedaço de história” ao se tornarem os 100º vencedores.
Um Legado em Movimento
A celebração da 100ª corrida do FIA WEC em Fuji, no Japão, é o culminar de uma história notável, que começou com a incerteza em 2012 e evoluiu para uma era de prosperidade e destaque global. O campeonato se consolidou como a referência mundial em corridas de longa distância, superando desafios iniciais com a visão e a paixão de líderes e fabricantes.
A série de 2025, com a participação recorde de fabricantes e uma imprevisibilidade cativante na pista, confirma que o WEC está no auge de sua popularidade. As batalhas por vitórias e pelo título do campeonato Hypercar, juntamente com o talento de seus pilotos e a história rica de rivalidades, garantem um espetáculo inesquecível. A corrida em Fuji, um local de profunda importância histórica para a série e para um de seus principais pilares, a Toyota, será uma homenagem a toda a jornada. Mais do que olhar para o passado, a 100ª corrida é uma celebração de um esporte com “uma história orgulhosa e prestigiosa, um presente cativante e envolvente e… um futuro emocionante e florescente”.

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