WEC
Vitória em São Paulo impulsiona Cadillac e JOTA no WEC e aumenta expectativa para o COTA
Alex Lynn e Earl Bamber destacam o peso da primeira conquista na era dos hipercarros e projetam um desempenho ainda mais forte nos Estados Unidos.
A vitória da Cadillac em São Paulo marcou um divisor de águas na temporada do Mundial de Endurance (WEC). O triunfo, conquistado com direito a dobradinha, não apenas tirou um peso das costas de Alex Lynn e Earl Bamber, como também consolidou a parceira com a equipe JOTA em um momento crucial do campeonato. Pela primeira vez desde o início do programa, a marca americana conseguiu materializar em resultado o potencial que vinha demonstrando em diversas etapas, o que, segundo Lynn, representa um marco para todo o projeto.
“Foi um grande momento para todos nós, um momento que finalmente mostrou do que somos capazes. Já tínhamos velocidade, já tínhamos mostrado consistência, mas nunca conseguimos concretizar. A vitória em São Paulo, ainda mais com a dobradinha, nos permitiu virar a página e olhar para frente com mais confiança”, declarou o piloto britânico.
O feito tem ainda mais relevância quando se observa o contexto do WEC na era dos hipercarros. Apenas poucos fabricantes conseguiram vitórias, e agora a Cadillac se junta a esse seleto grupo que inclui Toyota, Ferrari e Porsche. Para Lynn, esse resultado coloca a equipe em um novo patamar. “Agora estamos na categoria das equipes que querem brigar por vitórias em todos os finais de semana. Vamos ao COTA, nossa corrida em casa, com energia redobrada e prontos para lutar na frente”, completou.
O impacto do triunfo não se restringe apenas ao aspecto técnico. Bamber destacou o efeito motivacional dentro da equipe, ressaltando o histórico da JOTA, que mantém uma sequência de vitórias no WEC ao longo das últimas duas décadas. “O moral está alto, mas sabemos que no automobilismo não há espaço para relaxar. Continuamos trabalhando duro, no simulador e nos testes, porque a concorrência virá ainda mais forte. Mas, sem dúvida, a vitória foi especial e até comemoramos com um churrasco de verão para marcar o momento”, revelou o neozelandês.
Entre os pontos decisivos para o desempenho em São Paulo, a dupla destacou a evolução do carro e, principalmente, a melhora na gestão dos pneus – um aspecto que já havia sido um ponto fraco em etapas anteriores. Segundo Lynn, a equipe encontrou o equilíbrio correto para maximizar o potencial do Cadillac. “Quando o carro está bem acertado, a degradação dos pneus tende a ser menor. Parece simples, mas é exatamente isso que tem feito a diferença. Agora, conseguimos ter um carro competitivo em ritmo de corrida e consistência volta após volta”, analisou.
O próximo desafio será no Circuito das Américas (COTA), em Austin, uma pista que traz características únicas. Com um traçado técnico, curvas de alta velocidade e trechos irregulares, o circuito costuma favorecer carros com alta pressão aerodinâmica – exatamente uma das forças do Cadillac. Bamber acredita que o conjunto estará bem adaptado novamente. “Nosso carro foi desenvolvido em grande parte nos Estados Unidos e se dá muito bem em pistas como o COTA, que exigem tanto downforce quanto capacidade de lidar com solavancos. No ano passado já fomos fortes lá, e espero que possamos repetir o desempenho”, comentou.
Lynn também destacou o aspecto físico da prova, lembrando que o calor intenso no Texas aumenta o desgaste para pilotos e equipes. Ainda assim, o britânico afirma que o desafio torna a etapa ainda mais especial. “É um circuito em que, se você estiver em um bom dia, pode realmente fazer a diferença como piloto. Isso é algo que nos motiva ainda mais. Além disso, é sempre uma corrida especial por conta da atmosfera em Austin, que é uma cidade incrível”, disse.
A parceria entre Cadillac e JOTA, iniciada recentemente, vem mostrando resultados cada vez mais consistentes. Para Lynn, a experiência acumulada pela equipe britânica no WEC, inclusive com a era da LMP2 e a passagem pelo Porsche 963, tem sido fundamental. “A JOTA trouxe consigo um conhecimento valioso do campeonato e das corridas de longa duração. Essa bagagem é algo que não se compra e tem sido decisiva para acelerar nossa curva de aprendizado”, destacou.
Com a moral em alta, a Cadillac chega ao COTA cercada de expectativa. Toyota, Ferrari e Porsche continuam sendo rivais diretos e favoritos, mas a equipe americana agora se coloca oficialmente entre os candidatos às vitórias. Como bem resumiu Bamber, o objetivo é simples: “Executar bem cada corrida, colocar os dois carros entre os primeiros e seguir nessa crescente. Se fizermos isso, o campeonato naturalmente ficará ao nosso alcance.”
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