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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #52: Uma pequena comparação

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Lembro-me de ter lido um comentário numa rede social qualquer a respeito da ida de George Russell para a Mercedes em 2022. A sentença era mais ou menos assim: ‘’a Mercedes errou de britânico, deveria ter contratado Lando Norris, que é mais piloto’’. Claro que a coisa não exposta nesses termos, o linguajar da internet é quase sempre o pior possível, mas isso grudou feito chiclete na minha cabeça até hoje.

Pois bem, passados quase três anos, o Grande Prêmio do Canadá deu razão ao time mercedista – não que ele tenha pensado seriamente em contratar o piloto papaia, bom que se diga. Na mesma corrida, Russell foi preciso ao vencer de forma categórica: não deu chance aos rivais na largada, extraiu o máximo do seu carro e caminho tranquilo rumo à sua quarta vitória na carreira. Já Norris fez uma corrida insossa e colocou tudo a perder ao tentar ultrapassar Oscar Piastri num ponto impossível. Resultado: foi parar no muro.

Enquanto um está consolidado como um dos melhores pilotos do grid e é tratado como futuro campeão mundial caso tenha o carro ideal para isso, o outro virou chacota e símbolo da alergia aos momentos decisivos – o que, no futebol, atende pelo nome de pipoqueiro. Já o defendi muito, mas o próprio não se ajuda.

Falando da corrida, não era segredo para ninguém que a Mercedes estaria forte no domingo. Os treinos livres e a classificação mostraram que o seu carro era o melhor em desempenho bruto. Russell voou na sua última tentativa, desbancou o tempo de Max Verstappen e conquistou a quinta pole na carreira. Com o rival atolado em pontos na superlicença e com sério risco de suspensão, bastava fazer uma largada decente para manter a primeira colocação e imprimir o ritmo que o seu W16 permitiria.

George Russell comemora a sua pole position no Grande Prêmio do Canadá (Foto: Mercedes)

E foi isso que ele fez. Durante as 70 voltas no icônico circuito que leva o nome de um dos grandes ídolos ferraristas, Russell não teve a sua vitória ameaçada em momento algum. Aproveitando a clara superioridade da sua Mercedes em relação ao resto do grid, colocou uma vantagem em cima de Verstappen que impedia o holandês de realizar qualquer tentativa de undercut – sem falar no roedor de pneus que era e é o carro da Red Bull. Nem mesmo o Safety Car no final da corrida foi preocupação para ele.

Não dá para deixar passar em branco o entrevero entre ele e Verstappen durante o SC. Falem o que quiser, mas quem freia bruscamente e de forma desnecessária naquele ponto para logo depois alertar no rádio que o oponente ficou na sua frente fez isso de forma deliberada. Aliás, o próprio Russell falou antes da corrida que poderia usar os pontos na superlicença do tetracampeão a seu favor. Os comissários pesaram um monte de coisas para não aplicar uma punição que estaria longe de ser injusta. Fato é que a manobra foi ridícula e merecia um puxão de orelha.

A McLaren não teve boa performance nos treinos e repetiu a mesma toda na corrida. Tanto Piastri quanto Norris fizeram corridas burocráticas em termos de desempenho, com um lugar no pódio como única façanha disponível na prova. A luta pela vitória não era o lugar do time papaia. Restou capitalizar o máximo possível de pontos e manter as boas posições na disputa pelo campeonato.

Até que veio o incidente que marcou a corrida. Após inúmeras voltas tentando ultrapassar Kimi Antonelli e ficar a mais de um segundo do jovem italiano, Piastri viu Norris chegar e colar logo atrás. Até que o britânico tentou ultrapassar num ponto impossível, bateu no muro e acabou com a sua própria corrida. A coisa fica mais constrangedora ainda quando se observa a postura do seu companheiro: ele não moveu o carro em momento algum para tentar defender a posição, escolheu a linha de dentro sem fazer qualquer menção de alterar a sua direção.

Tanto se fala que Norris é um piloto fraco, sem psicológico e que nunca será campeão mundial. Como já disse, eu o defendi inúmeras vezes e continuo crendo no seu talento, mas conquistar um campeonato na Fórmula 1 exige mais do que isso. E talvez o tempo esteja provando que não é o seu caso.

E o tempo mostra que a Mercedes tinha razão ao apostar suas fichas em George Russell – para tristeza do autor do supracitado comentário.

 

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