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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #47: No olho do tigre

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Foto: McLaren

Ele não é espalhafatoso. Não esperem gestos desmedidos, palavrões no rádio ou ações midiáticas que conquistam – ou encolerizam – corações. Em suma, é um (ainda) garoto. Porém, ele guia um bocado. Quando está pilotando em alto nível, deixa a concorrência no chinelo. 

Esse é Oscar Piastri. O australiano da McLaren venceu com absoluta autoridade o Grande Prêmio do Bahrein. Foi impecável durante todo o final de semana: cravou a pole, largou muito bem, não cometeu nenhum erro e rumou tranquilamente para a vitória – ainda fez a melhor volta da corrida. Foi a segunda na temporada, a quarta na carreira. E é a prova definitiva de que ele está na briga pelo título. 

Piastri não teve problema algum na largada. George Russell ultrapassou Charles Leclerc e assumiu a segunda colocação, uma vez que o monegasco da Ferrari largou de médios com todos ao redor calçados com o composto macio – mais uma patacoada do time de Maranello. Com a briga entre os dois, Oscar manteve a dianteira e, sem ser incomodado por ninguém, imprimiu um ritmo suficiente para abrir uma confortável vantagem: em menos de dez voltas, o gap em relação ao segundo colocado já ultrapassava os três segundos. 

Enquanto isso, no resto do grid, o bicho pegava. Lando Norris fez uma ótima largada e pulou para terceiro, mas logo surgiu a informação de que ele posicionou o carro além do colchete. Punição de questionáveis cinco segundos. E explico o porquê: Fernando Alonso ganhou o dobro por fazer a mesmíssima coisa no GP da Arábia Saudita 2023. A FIA e a sua interpretação para lá de elástica – para não dizer outra coisa – consegue roubar a cena em qualquer ocasião. Voltando a Norris: ele pagou a punição, fez uma corrida insossa e demonstrou não estar pronto para ser campeão mundial. 

Defendi o britânico de muitas críticas que considerei injustas e precoces. Meu raciocínio era muito simples: Lando nunca teve o melhor carro do grid, era constantemente melhor que Oscar nas classificações e nas corridas e tinha o direito de errar pelo menos no ano passado. Afinal, qual o grande campeão que não falhou numa disputa pelo título, ainda mais na primeira oportunidade? Porém, nenhuma desculpa seria aceita em 2025. E o que se vê até agora é um Norris apático, cometendo erros bobos e que começa a ser superado com certa consistência pelo companheiro de equipe. Não há mais como defender. 

Carlos Sainz roubou a cena em muitos momentos da corrida. O espanhol da Williams encarnou o espírito Magnussen ao fechar os adversários e espremê-los de forma afoita. Quase jogou Max Verstappen para fora da pista e mudou de direção em cima da hora na ultrapassagem de Lewis Hamilton. Levou dez segundos e dois pontos na superlicença ao mandar Kimi Antonelli passear – punição revista pela FIA. Já que os resultados não aparecem, ao menos ele entrega entretenimento. 

O que dizer da corrida de Verstappen? O tetracampeão teve duas paradas horrorosas e uma estratégia de corrida absolutamente equivocada – tudo isso com o adicional de guiar um carro sabidamente ruim. A imprensa noticiou uma reunião em clima bastante tenso da Red Bull acerca dos rumos da equipe, tentativa desesperada de encontrar soluções onde só se enxerga problemas. Como um apaixonado pela Fórmula 1 que aprendeu a amar a categoria com Sebastian Vettel, será uma tristeza enorme para este colunista ver a RBR sair da categoria. Não estou exagerando: uma possível saída de Max Verstappen tem esse potencial. 

Piloto bom quer carro bom para brigar por títulos. Enquanto Max não tem, Oscar e Lando estão com a faca e o queijo na mão. Enquanto o primeiro se apresenta vacilante e irregular, o segundo parece estar disposto a lutar seriamente pelo campeonato, numa postura que fará a McLaren rever a preferência – no caso dela, a falta – por um piloto. Pois se Piastri continuar demonstrando fome e, acima de tudo, resultados na pista, Zak Brown e Andrea Stella terão que direcionar as suas fichas para o australiano. 

Quem não conhece ‘’Eye of the Tiger’’, a música da banda ‘’Survive’’ que ficou eternizada em Rocky III? Pois bem, a trilha sonora das grandes lutas é sempre lembrada em momentos decisivos, no ‘’vai ou racha’’. E, pelo menos até o presente momento, Oscar Piastri parece estar disposto a ir. Ele está no olho do tigre. 

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