Entre em contato conosco

Fórmula 1

Segunda Bandeirada #34: A Fórmula 1 sem Verstappen

Publicado:

em

Ontem foi o aniversário de Max Verstappen. Sobre ele, não há muito a acrescentar, pois escrevo há mais de dois anos no Vai Que Tô Te Vendo e inúmeros textos falaram dos seus feitos na pista e do que o envolve fora delas. Quem é fã do tricampeão e lê minha coluna pode se sentir privilegiado ao acompanhar a transformação de um ótimo piloto num grande campeão, dos maiores deste esporte.

Pois bem, como não poderia deixar de ser, Verstappen é uma figura polarizante, do tipo ‘’ame ou odeie’’. Até compreendo a necessidade das pessoas em vilanizar ou endeusar alguém – no caso do automobilismo, os exemplos são inúmeros e o brasileiro adora fazer isso com qualquer um. Sempre me pareceu estranha a tentativa de colocá-lo como o pior de todos em todos os quesitos possíveis, afinal, ele é apenas um piloto que guia carros de corrida melhor que muitos dos seus adversários.

Da parte dos fãs, eu entendo. Mas quando a FIA faz o desserviço de puni-lo por falar palavrões no rádio e ainda o coloca na obrigação de ‘’prestar serviços à comunidade’’, bom, aí tem algo de muito errado e desproporcional na história. Morro e não vejo tudo. Jamais imaginei que um tipo como Ben Sulayem chefiaria uma entidade tão relevante e tentaria na marra fazer da Fórmula 1 uma categoria composta por almofadinhas.

Dos pilotos que se posicionaram, todos eles saíram em sua defesa. O destaque vai para Lewis Hamilton, que classificou a sanção como piada. Não esperava menos do heptacampeão. Além da corriqueira postura assertiva, houve a declaração de Ben Sulayem de que ‘’não somos cantores de rap’’ – em referência aos palavrões no rádio. Hamilton é negro e os rappers – em sua esmagadora maioria – também são, utilizam a música como instrumento para retratar suas dores e sofrimentos motivados pelo estúpido e nefasto racismo. Ou seja, a questão foi além do mero estilo vulcânico de Verstappen.

E ele, que nunca escondeu o que pensa, já disse reconsiderar a sua permanência na categoria. Outros fatores colocam o tricampeão com um pezinho fora da F1, tais como o calendário extenso e incorporação de pistas de rua. Mas agora é diferente. A própria FIA está adicionando algo a mais.

A F1 não acaba se Verstappen sair dela, como não acabou na morte de Ayrton Senna ou na aposentadoria de Michael Schumacher. Também continuará se a FIA não estiver mais a ditar seu regulamento e como ela deve ser. Porém, será o suprassumo da imbecilidade perder o atual tricampeão – caminhando a passos largos para o tetra – e melhor piloto do grid por mero capricho personalista de uma figura como Ben Sulayem. E não se espantem se tarimbados como Hamilton ou Alonso largarem a categoria por tais sandices – embora o espanhol não pareça muito incomodado com nada que não seja o seu próprio desempenho nas pistas.

Os haters estão em pavorosa com a possibilidade e isso já era esperado. Porém, tenho uma péssima notícia para eles: a trajetória de Verstappen na F1 é autossuficiente para ele nunca ser esquecido. Três títulos mundiais, sessenta vitórias, 109 pódios e quarenta pole positions são números dignos de um dos maiores de todos os tempos. E, ao contrário do que dizem os saudosistas presos a um passado que jamais voltará, ele já é maior que muito piloto de épocas pretéritas. Acompanhei cada passo desse introspectivo holandês a ter chegado na categoria com cara de moleque. Posso atestar a sua evolução. Sei do que estou falando. Se você não gosta dele por qualquer motivo, só te digo uma coisa: lamento. Ainda escutará e muito o seu nome – tanto agora quanto no futuro.

Quanto ao futuro dele próprio, só ele pode responder os questionamentos acerca dos seus caminhos no automobilismo. Não é segredo para ninguém a sua paixão por carros de turismo, uma modalidade mais profunda e até mesmo ‘’raiz’’ no esporte a motor. A Indy está longe de despertar empolgação nele, então correr nos mistos e nos ovais americanos parece uma possibilidade mais distante. Há muita coisa nessa equação.

Porém, a chance é real e pode acontecer. De qualquer forma, Verstappen poderá se sentir orgulhoso do que fez na F1. E seja como e quando for, o mundo continuará girando sem o seu amor – como diz a música Había Uma Vez, de Índio Solari, uma das favoritas deste colunista.

 

Foto: Red Bull Content Pool

Compartilhe esta publicação
Clique para Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.