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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #30: Il predestinato vince

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Foto: Ferrari

Uma corrida em Monza nunca é uma disputa ordinária. Até mesmo aquelas que marcam hegemonias extremamente sólidas, os pouco mais de cinco mil metros do santuário do automobilismo mundial eternizam o vencedor nos livros de História. Galvão Bueno já disse que ninguém é grande o suficiente se não vence em Monza. E ele tem total razão.

Ontem, vimos a história ser escrita mais uma vez. A vitória de Charles Leclerc foi emocionante, imprevista – ninguém apostava seriamente nele após dois dias nada animadores – e cerebral. Foi conquistada com os predicados de um piloto absurdamente talentoso numa equipe que desperta paixão em todos os amantes desse esporte encantador. Ambos estavam em má fase, mas reencontraram o caminho da glória diante do seu povo, em sua casa.

Como disse, ninguém botava muita fé na Ferrari. A primeira fila trazia Lando Norris e Oscar Piastri, ambos da McLaren – a nova força preponderante na Fórmula 1. Em terceiro, George Russell, o melhor classificado da Mercedes – outra equipe que evoluiu bastante. Só depois vinham os dois ferraristas, seguidos de Lewis Hamilton e Max Verstappen. O prognóstico era de favoritismo claro da McLaren com a Mercedes em condições de vencer a depender da estratégia e do andamento da corrida.

Não é segredo para ninguém o objetivo da McLaren em tentar o título com Lando Norris. Para tal, ele precisa fazer a sua parte e a equipe focar nele em suas corridas. A primeira parte já foi para o vinagre quando um Piastri cirúrgico tomou a dianteira na primeira volta, numa manobra arrojada e digna de um grande piloto. A dinâmica da prova foi alterada de maneira irreversível após esse fato. O que mais a McLaren poderia fazer? Fala-se que Norris convocou uma reunião com o time papaia para discutir a situação, uma perda de tempo ridícula. A pista é soberana e deve falar por si – sem ordens de equipes ou qualquer coisa semelhante que só serve para matar o esporte.

Mercedes e Red Bull não mostraram nada de interessante. Enquanto as flechas prateadas pagaram caro por um qualy abaixo, os taurinos mostram que estão absolutamente perdidos. O carro veloz e obediente aos comandos do piloto virou uma máquina difícil de ser domada e sem perspectivas de melhora. Verstappen espinafrou a equipe e mandou um recado claro ao falar das chances de título: ou reagem agora, ou o sonho do tetra ficará apenas no sonho. A vantagem para Norris ainda é confortável e a McLaren não me parece ser um time confiável na tomada de decisão quando o calo apertar, mas o MCL38 demonstra uma vantagem considerável ao seu antagonista RB20. Não é bom dar sopa ao azar.

Tudo isso não faria tanta diferença assim se os donos da casa não ousassem na estratégia de corrida. Enquanto as demais equipes partiram para duas paradas, a Ferrari optou por uma troca. Movimento arriscado, afinal, a pista estava quente e a máquina ferrarista do atual regulamento tem um histórico de devorar borracha. Tanto Leclerc quanto Sainz precisariam guiar muito.

E assim foi. Piastri conseguiu tirar Sainz do pódio, mas o ritmo não foi suficiente para reverter a desvantagem para Leclerc. O monegasco vence pela segunda em Monza. A primeira foi em 2019, quando ele segurou Lewis Hamilton e sua Mercedes voadora com garra, talento e maturidade incomuns para um jovem em sua primeira temporada na Ferrari. No próximo ano, ambos irão dividir a garagem no time de Maranello. Uma responsabilidade e tanto, pois como disse Luca Di Montezemolo, uma Ferrari não é qualquer carro; é uma lenda.

Quantas histórias Monza não guarda? Da dobradinha improvável da Ferrari um mês após a morte do comendador Enzo até a glória de ontem, passando pela vitória de Ayrton Senna que fez Ron Dennis perder uma aposta – Senna levou o seu MP4/5B para casa– e o último triunfo de Michael Schumacher antes da primeira aposentadoria, as retas quase intermináveis desse circuito fazem o coração dos apaixonados pelo automobilismo bater mais forte. E tem como ser diferente?

Para mim, não. Ainda mais depois de ver Alessandro Del Piero dar a bandeirada na última volta. Sim, ele mesmo, o maior ídolo da história da Juventus, o cavalheiro que nunca abandonou a Vecchia Signora e o símbolo máximo das grandes conquistas do maior time da Itália. Sigo a Juve na Europa justamente por ter Del Piero como ídolo de infância. A vitória do predestinado tinha que ter a bandeirada de um gigante como ele.

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